Demônios I: Eu sinto suas presenças | Universo Paralelo

Demônios I: Eu sinto suas presenças

Por 12:18 8 comments



Eu tenho 22 anos. Hoje eu descobri que eu não aceito a minha homossexualidade. Eu estive enganado  por todo esse tempo. Não aceitar minha homossexualidade, talvez seja o "menor" dos problemas. O maior deles, é o  "medo profundo" da rejeição dos outros.

Escrito há alguns meses. Não sei estimar a data, mas foi após uma sessão para iniciar uma terapia. Continuo não aceitando-a. Pode soar contraditório, para mim também o é.






Dominus

Autor

Poeira cósmica expressa no espaço-tempo.O que sou hoje, serei amanhã.

8 comentários:

  1. Acredito de verdade que existam duas grandes questões ai...

    Ao longo da minha vida, creio ter encontrado muito poucas pessoas que de fato "se aceitem" como são, algumas mais "desafiadores" enfrentam isso testando o limites dos outros. Conheci vários que faziam e aconteciam, viviam plenamente, mas por exemplo, não se permitiam adicionar determinadas pessoas em redes sociais - para não levantar a suspeita dos pais...

    Outros, onde talvez eu me inclua, durante muito tempo optaram por ficar "invisíveis", escondidos a olhos vistos e acredito que venha daí esse, em alguns casos, esse medo da rejeição. Já percebeu que muitos de nós temos sempre que ser o bom aluno, o aplicado, o esperto e tudo mais? Algo como uma "compensação" pelo fato de sermos gays e para provar que mesmo "sendo assim" as pessoas ainda tem motivos para gostar de nós.

    Perdão se divaguei um pouco... mas acho essa foi a primeira coisa que me passou pela cabeça ao ler teu post... Acho que estamos em meio a um processo de autoaceitação e de conhecimento, muitas vezes doloroso, mas acredito que em breve isso nos vai levar a um estado bem interessante...

    E que possamos aproveitar a vida e tudo o que ela pode oferecer!

    Abraço grande para você.

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    1. Não divagou nada.

      Sim tem muita coisa do que se passou pela sua cabeça. Esse medo da rejeição é agoniante que nos faz traçar inconscientemente/conscientemente rotas alternativas à rejeição que talvez viríamos e/ou venhamos a experimentar, tudo inteiramente no campo da possibilidade.
      Eu recentemente descobri que a ansiedade generalizada que sofro é produto de algo que começou lá na infância. A única rota que eu via caso eu fosse rejeitado se eu fosse gay, era estudar, ter uma boa profissão, um bom emprego. Criar todo um entorno onde eu pudesse ser gay em segurança. O resultado é que nada correu linearmente como meu pensamento. O desejo que ele se concretize é tão grande que desenvolvi a T.A.G, quando comecei a ir mal na faculdade e tudo começou a ruir. Hoje vejo com mais clareza a origem do que mais me incomoda atualmente. Descobri isso tem pouco tempo. E creio que 98% da origem dos meus males psíquicos moram na rejeição. Ler Alan Down tem sido um "balsamo"
      O restante respondo eu outro post.

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  2. Anônimo19/1/16

    Durante muito tempo também não me aceitei, nem hoje tenho bem certeza que me aceite como sou, pelo menos completamente. O medo da rejeição, do abandono, está muito enraziado em mim, ao ponto de se ter tornado um trauma, por assim dizer.

    No entanto, sei que lutar contra a nossa natureza ainda nos faz sofrer mais. Acabamos por nos odiar e afastamo-nos das pessoas que nos querem bem e nos podem ajudar.

    Talvez te ajude saberes onde está o real problema. é na dor da rejeição por seres gay? Nas relações com outras pessoas? Na insegurança em ter um relacionamento? Podem ser todas as coisas e mais algumas ou ser uma ou outra. Tu, melhor do que ninguém, poderá responder a essas questões.

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    1. Mikel, eu penso que não exista aceitação se esta não for completa Eu vivo a "vida gay" normalmente há um bom tempo, mas descobrir que esse meu viver é falso, a liberdade que eu imaginara ter em ser gay é uma mentira. É fácil ser gay longe de casa, em outra cidade onde ninguém me conhece. Quando voltei para casa dos meus pais que o ser gay voltou a ser um problema, como fora antes deu sair.
      Em relação à aceitação: Eu não aceito por uma série de coisas que vou deixar em outros postes que escrevi. Estou na descoberta de quais fatores são esses. Felizmente tenho tido sucesso na descoberta, resolvê-los é um passo mais largo que desejo muito conseguir.

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  3. Aceitação é o momento de descoberta, onde você fica à deriva e percebe que, muitas vezes, os erros estavam o tempo todo dentro de você, corroendo aos poucos e deixando marcas profundas. Olhar para si e reconhecer que você é melhor que tudo isso que é imposto mundo à fora, é a melhor das sensações. Se descobrir, se ajudar, se respeitar é fundamental para estar de bem consigo. É, também estou fazendo descobertas.

    Abraço,

    Vida de Homo ⚣

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    1. É hercúlea a aceitação para pessoas estigmatizadas socialmente, ainda mais quando se é bombardeado desde a infância coma ideia de ser gay é o pior que lhe pode acontecer. Eu acredito estar vivendo um momento de descoberta novamente, para quem sabe alcançar a aceitação plena.

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  4. Parabens Dominus, um pequeno texto,um pequeno desabafo, gerou tantas reflexões legais nos amigos da blogosfera! Acho que todos temos problemas em nos aceitarmos, eu ate hoe tenho dificuldades em me aceitar como gordo por exemplo, eu me vejo mais magro do que sou e as vezes me assusto no espelho... o medo de rejeição, em todos os niveis, é acachapante e nos tira energias!

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  5. É... É difícil aceitarmo-nos como somos quando todos à volta, mais a propaganda, ensinam que o que vemos, sentimos, percepcionamos é errado. Não só com a sexualidade; em variadíssimas vertentes. Um gordinho que sente a pressão social, fazendo-o sentir-se mal, que o impele a querer emagrecer para que se pareça com os modelos que vê nas revistas; a menina que tem o cabelo crespo e que pretende pô-lo liso, porque o modelo de beleza não contempla(va) os belos cabelos encarapinhados... Sempre será difícil a aceitação quando escapamos aos modelos impostos.

    Creio deixamos de valorizar a aceitação dos outros quando aprendemos a nos aceitar tal qual somos.

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