Universo Paralelo: Brasil
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Não sou um grande fã  nem a tenho como diva ou “mãe”, como uma parcela significativa dos gays ao redor do mundo. Gosto de algumas músicas, principalmente as que a fizeram estourar mundialmente, como Poker Face e Just Dance, que me trazem memórias afetivas. Lembro que, aos 16 anos, ia trabalhar todos os dias ouvindo Lady Gaga e outras divas gays no meu MP3 player, sem ainda me dar conta de que eu era gay.

No entanto, fiquei muito surpreso com a sua capacidade de lotar as areias de Copacabana com 2,1 milhões de pessoas para um show de três horas. Duração merecida, já que no passado cancelou uma apresentação no Rock in Rio, criando um meme, com seu pedido de desculpas no twitter: "Brazil, I'm devasted".  É algo estratosférico e fascinante, capaz de provocar um verdadeiro êxodo de gays de todo o Brasil para o Rio de Janeiro. O público era tão gay , que teve até sinfonia de leques em algumas músicas.

 



           
Diante das "polarizações¹" que o Brasil tem vivenciado e as diversas manifestações resultantes destas, fica a reflexão: somos Geni e a cidade, a cidade é Geni, Geni é a cidade. 

             



¹ Em ausência de melhor expressão , uso polarizações  para classificar a selvageria dos últimos meses, em tons de guerra fria, que ironicamente ainda está presa nas nuanças desta que eu pensava já estarem superadas, mas no Brasil, para muitos não.









"Agora vivemos o "país dos sonhos". A maioria da população é mulher, nenhuma é ministra. A maioria da população é negra, tampouco há ministro. No "Brasil dos sonhos" os racistas vencem, os homofóbicos vencem, os machistas vencem, os fanáticos vencem, os exploradores vencem. Mas no Brasil real, esse, das verdadeiras maiorias, que são tratadas como minorias, existe a luta, a resistência, o bom combate. Podem até tomar o poder de assalto, mas a glória será dos justos e contada na história. Essa, a história, implacável, que abomina traidores, sanguessugas e usurpadores."(Palavras  de um amigo) 


                                            
                                    





Em seguimento ao meu primeiro <post> sobre o Saci, publicado ano passado, no qual falo do meu gosto por este mito, trago à continuação um pouco mais da origem e o documentário "Somos todos Sacy", produzido a partir de narrativas sobre o mito no interior do Brasil. Segundo a Wikipédia*, o gorro vermelho e a personalidade traquina é uma herança de um ser mitológico do norte de Portugal, o Trasgo, cujo mito assemelha-se em muitos pontos como o do Saci e remonta à narrativas romanas. 


 *(perdoem-me pela fonte, mas não tive tempo de confirmar isso em outra fonte mais fidedigna)

     
      

"A Confraria Produções apresenta o documentário que mostra a vida, paixão e morte do mito na tradição oral e suas re-significações nos dias atuais. Sendo este mito a alegoria de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil. Você já viu um Sacy? Acredita em Sacy? Como é o Sacy?
Por dois anos, os diretores desse documentário percorreram o interior de São Paulo formulando essas perguntas aos paulistas. Desse passeio encantado originou-se um filme lúdico e poético, tipicamente brasileiro.
Direção e roteiro: Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha". (Via: <Link> )
Não sei quem pintou esse quadro.


Uma das primeiras coisas que aprendi na escola depois de ter sido alfabetizado foi sobre o descobrimento da América em 1492 por Colombo e sobre o descobrimento acidental do Brasil, no dia 22 de Abril de 1500 por Pedro Alvares Cabral quando seguia em direção as Índias Orientais. Quinhentos anos depois, a história escrita sob a perspectiva dos conquistadores portugueses e espanhóis sobre esses acontecimentos permanece quase inalterada. Inverdades que tive a oportunidade de desconstruir pouco a pouco durante os quatro anos em que estudei numa universidade voltada para a integração do continente latino-americano. Reaprendi que a A.L não foi descoberta, mas conquistada e dominada num processo de expansão econômica e territorial dos reinos de Portugal e Espanha. Por mais que eu tente, eu não consigo encontrar elementos positivos do processo de colonização. Não foi a primeira vez que algo semelhante aconteceu na Terra, porem, é aterrador saber que piso sobre o sangue de 50 milhões de pessoas que foram mortas por serem consideradas seres inferiores. Eram outros tempos, outras mentalidades, mas essas justificativas não anulam mortes. As consequências dessa mentalidades são sentidas nos dias de hoje, manifestam-se em problemas latentes como o racismo, o apagamentos dos povos originários que ainda restam, o abismo social existente entre ricos e pobres, os latifúndios, as oligarquias. Acredito que uma das vias de superar os problemas históricos que advém da colonização, é a construção de narrativas históricas sob a perspectiva dos vencidos(índios e negros), para orientar o presente, já que sociedades não são 'elementos' anacrônicos. O passado é intrínseco ao presente. Um bom começo seria o ensino do Tupi no Brasil, temos inúmeras palavras do incorporadas pelo Português que não fazemos idéias do que significa.


Escolhi para ilustrar esse post um filme que eu gosto muito: Desmundo, uma adaptação do romance homônimo escrito por Ana Mirada. Muito mais que um filme, é um recorte histórico sobre os primeiros anos da colonização portuguesa no Brasil, uma recriação quase perfeita do dia-a-dia na costa brasileira no ano de 1570, observada através das vestimentas, a aparência dos homens, a condição social das mulheres; os engenhos de cana-de-açúcar; a catequese indígena;os Jesuítas, que de santos não tinham nada; os cristãos novos; as construções; a escravidão indígena; à língua-geral-do-sertão(tupi antigo); o etnocentrismo; os corsários; e o aspecto que mais me chamou atenção nesse filme foi a emulação do Português Arcaico, que ainda conserva muitos vocábulos no interior do Brasil, que muitas vezes são vistos com o uso incorreto da norma culta do Português contemporâneo.



       


Sinopse via Adoro Cinema: 
"Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D'Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), que a leva para seu engenho de açúcar. Oribela pede a Francisco que leh dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas "obrigações", mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta. Sentindo-se infeliz, ela tenta fugir, pois quer pegar um navio e voltar a Portugal, mas acaba sendo recapturada por Francisco. Como castigo, Oribela fica acorrentada em um pequeno galpão. Deprimida por estar sozinha e ferida, pois seus pés ficaram muito machucados, ela passa os dias chorando e só tem contato com uma índia, que lhe leva comida e a ajuda na recuperação, envolvendo seus pés com plantas medicinais. Quando ela sai do seu cativeiro continua determinada em fugir, até que numa noite ela se disfarça de homem e segue para a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias (Caco Ciocler), um português que também morava na região."

Charge do Carlos Ruas


Algumas semanas atrás, quase 150 crianças foram mortas em um ataque a uma escola realizado pelo Talibã no Paquistão. Diariamente, vários atentados terroristas, perpetrados por  radicais acontecem em países islâmicos. Milhares de refugiados sírios, curdos e iraquianos adentram as fronteiras de vários países ao redor do mundo fugindo das atrocidades provocadas pelo Estado Islâmico. Todos os acontecimentos citados anteriormente são consequências do extremismo religioso, aquele, que talvez seja responsável pelo ataque ao Charlie Hebdo, mas em nenhum momento eu vi a mesma comoção mundial gerada pelo ataque ao jornal nos casos anteriores, comoção justificada por um ataque ao  centro do mundo. Isso é inadmissível dentro da lógica da geopolítica global, que vigora há alguns séculos. A mesma lógica responsável pelas inúmeros conflitos na África, resultantes da crianção de países artificiais, que reúne  grupos étnicos opostos dentro de um mesmo território, um prato cheio para o fundamentalismo religioso diante da miséria dessas populações.  Para entender o radicalismo islâmico, não se pode abrir mão das interpretações históricas das ações dos países ocidentais no mundo islâmico ao longo dos últimos séculos. Por que acontecimentos semelhantes  não recebem o mesmo tratamento, já que o produto final desses acontecimentos, seja no Oriente, seja na Europa são mortes, mas parece que algumas valem mais do que outras quando leva-se em conta a posição geográfica onde acontecem. Isto não é uma defesa do indefensável, mas me incomoda quando vejo generalizações estúpidas jogando 300 anos de iluminismo pelo ralo, diante das ações de dois indivíduos franceses, colocando toda a população islâmica no mesmo saco, não levando em conta a diversidade e a história dos países islâmicos, que também sofrem com o extremismo religioso. Espero que os europeus não esqueçam os sentimentos que levaram ao Holocausto, e não permitam a apropriação  deste episódio  pela extrema direita, também criticada pelo Charlie Hebdo. 


O alerta para as consequências do extremismo religioso cabe muito bem no Brasil atual, onde assistimos a tomada do congresso nacional por pastores de seitas protestantes importadas dos EUA. Seitas que cresceram assustadoramente nos últimos anos, penetrando nas camadas mais pobres e menos instruídas da população, lançado a solução da pobreza através da teologia da prosperidade, aproveitando dessa massa para chegar ao poder. Vejo pastores desejosos do poder e desejosos para impor a sua crença a todos os brasileiros, soterrar o Estado laico  e fundar uma teocracia cristã, com interpretações literais da bíblia. Parece teoria da conspiração, mas não é. Basta observar os projetos de lei apresentados por esse pastores. Esse extremismo cristão em nada difere do extremismo islâmico.

        Uma conexão interessante entre o atentado na França e o cenário político  brasileiro.
        



Estou pensando seriamente em fazer igual ao moço da imagem. Não gosto de calor, prefiro frio, pois se a temperatura abaixar muito nada que agasalhos não resolvam. Agora calor... Quando a temperatura passa a casa dos 30º começo a ficar desorientado. Como Minas não tem mar, e a cachoeira/represa mais próxima passa dos 50km, só me resta "derreter". O bom é que sei que a temperatura não chega aos insuportáveis 43º,45º, como em Foz do Iguaçu, que a baixa altitude (164m) faz não ter um pinguinho se quer de vento, sem contar os dois espelhos d'água gigantescos, o rio Paraná e o lago de Itaipu refletindo os raios de sol.
É uma cidade linda, ruas largas, bem arborizadas, as pessoas não jogam lixo nas ruas, sem contar umas das criações mais perfeitas da natureza, as Cataratas do iguaçu, mas o clima instável  incomodava às vezes.

Cataratas do Iguaçu - Uma das coisas mais linda que já vi,


*Ainda farei um post decente sobre a Tríplice fronteira.
Belo Horizonte e sua redes - Fonte: Wikipedia


Belo Horizonte, primeiro núcleo urbano planejado do Brasil. Projetada entre os anos de 1894 e 1897 para abrigar a capital do estado de Minas Gerais devido as dificuldades de expansão urbana apresentadas pela antiga capital, Ouro Preto. Os idealizadores da nova capital previram uma expansão urbana lenta segundo o projeto executado, a cidade alcançaria a marca de 100 mil habitantes cem anos após sua inauguração. Hoje, Belo Horizonte completa 117 anos, com uma população de 2.4 milhões de habitantes, constituindo-se como o centro da terceira maior metrópole brasileira, a Grande BH, com 5 milhões de habitantes. Apesar da dimensão, a cidade preserva fortes traços interioranos, notados principalmente nos ritmos de vida de seus habitantes, quando comparada a metrópoles globais, como São Paulo e Rio de Janeiro. O Ecletismo arquitetônico demarca as transformações resultantes do processo de expansão dos últimos cem anos, esta característica é um dos principais traços de urbe. Escolhi as fotos do "Projeto BH uma foto por Dia" para compor esse post, o olhar de Charles Torres ,representa algumas sínteses do horizontes da cidade. Achei magnifico o trabalho dele, , quem quiser conferir o blog (Link aqui). Sou fascinado por grandes cidades e suas dinâmicas, embora, eu prefira cidades médias e pouco movimentadas para viver.
Ouro Preto. Patrimônio histórico e cultural da Humanidade, antiga capital de Minas . Palco de eventos significativos do período colonial: a descoberta do ouro no final do século XVII e a Inconfidência Mineira, a primeira tentativa de independência da cora portuguesa em 1789. 


Fotos: Charles Torres




Praça Sete - Marco zero de Belo Horizonte


Mineirão -  no dia de algum jogo da copa de 2014








Elevados- Nos último cinco anos se triplicaram devido ao aumento da frota de veículos

Viaduto de Santa Tereza, um dos cartões postais de BH. Antigo lugar de passagem dos bondes.




Complexo da lagoa da Pampulha, traços de Niemeyer



Praça da Liberdade

Metrô de superfície - Nada funcional, mas super conservado e limpo.


 BH é um entrocamento de importantes estradas de ferro, fundamentais para escoação do minério de ferro e da produção industrial.

Nova sede Administrativa do Estado de Minas - Traçados de Niemeyer


Torres de uma antiga fábrica de cimento na Cidade de Contagem, que chamo de Sítio das abóboras, primeiro nome da cidade  em 1715, quando era apenas um posto de cobrança de impostos e contagem do gado.  A cidade que eu nasci.
Algumas cidades ao redor de Belo Horizonte, têm o status de município por razões históricas e administrativas , mas o centro dessas cidades é Belo Horizonte.

Igreja São Francisco de Assis - Complexo arquitetônico  da Pampulha

Inverno



Cidade Industrial, distrito da cidade de  Contagem - O segundo maior polo industrial do Brasil. A cidade é  composta por seis distritos industriais ,  possui 600 mil habitantes . Ao fundo a serra do Curral

Ribeirão Arrudas - Rio morto

Antigo Palácio do Governo de Minas.

Praça Raul Soares, um dos points gays de BH - (A praça que comentei no post da barbie)


Serra do Curral ao fundo - 1500 m de altitude


O prédio com o relógio é a prefeitura de Belo Horizonte

Por aqui é possível ver o céu estrelado, apesar das luzes

Praça da Estação -  Estação ferroviária e estação central do metrô


Bares - Belo Horizonte é  a cidade com o maior número de bares  per capita da bares do Brasil 




Parque Municipal - Uma pequena floresta no centro da urbe.


Avenida Afonso Pena



Parkour



O elevado mais alto de Belo Horizonte - Um sinal claro do colapso do sistema viário da cidade-
Abaixo dele está a linha do metrô,  a linha férrea, uma avenida e o Rio Arrudas 





O último trêm

Complexo viário da Lagoinha e  os ônibus do BRT.



Estrada de Ferro Vitória- Minas