Universo Paralelo: Vida de estudante
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Por mais paciente que eu seja, ainda não dominei a arte de conviver sem me irritar com mulheres no período pré-menstrual. Quando minha mãe está nesse período tenho de redobrar meu estoque de paciência para dar conta do recado. É difícil, como é difícil! Será que na menopausa melhora? 
Todo esse know-how que adquiri com a minha mãe foi fundamental para sobreviver em uma república mista. Era apenas olhar para a cara das meninas quando acordavam para saber o quão cuidadoso teria de ser com as palavras e atos durante uns três dias ou mais. Um A fora da linha pode resultar numa explosão descomunal.




        Anwar - Don't worry Be happy
      

*Por favor, não interpretem uma linha do que eu disse,como misoginia. 

 




Cento e oitenta questões e uma redação.  Oito e nove de novembro, dois dias de prova. O Exame Nacional do Ensino Médio é muito mais que uma prova para acesso a universidades públicas e privadas no regime de bolsas. É um elemento em que preciso ter um bom rendimento para decidir meu destino incerto desde que desisti do meu antigo curso há aproximadamente cinco meses. Não que eu dependa de um curso superior para sobreviver, mas sempre desejei ter um. Teoricamente faz parte de uma escalada que você inicia na pré-escola. (Coisas de um sistema que te empurra pra isso) Cresci com a ideia que este é um elemento que propícia estabilidade financeira por toda a vida. Uma grande mentira desconstruída no primeiro ano na faculdade. O meu real desejo hoje por um curso superior, primeiramente é dar vazão a minha sede por conhecimento que sempre tive. Estudar para mim sempre foi um prazer. Esse talvez seja um dos motivos que me leve para um mestrado e doutorado e, como consequência disso a docência. Outro motivo é conquistar minha independência financeira.(Não suporto mais depender dos meus pais)



Nos últimos quatro anos passei por dois cursos superiores, ambos na mesma universidade. O meu primeiro curso foi uma licenciatura em química, que desisti pela simplificação de conteúdos. Segundo seus idealizadores um professor para o ensino fundamental e médio não necessita de conhecimentos aprofundados e complexos como um bacharel, condicionando os alunos apenas a prática docente em escolas, uma política do MEC para evitar o apagão profissional que acontecerá nos próximos anos; outro motivo pela desistência, foi a desvalorização da profissão professor no Brasil. Um operário com ensino médio ganha em torno de R$ 1.100 em Minas Gerais, um professor que passou quatro anos em um curso superior ganha míseros R$ 700,00. Não estou desmerecendo nenhuma profissão, mas é uma constatação óbvia diante da qualificação exigida para ser professor e operário.


O segundo curso foi Engenharia de Energias. Durante o tempo em que cursei vivi um momento pessoal conturbado, somado a nove meses de greve dos professores, uma estrutura insuficiente para um curso de tal complexidade (universidades novas têm dessas coisas), a falta de regulamentação do engenheiro de energias e as constantes mudanças na grade curriculares provocadas pela necessidade de reconhecimento do CREA/CONFEA, resultando em um curso completamente diferente do qual eu me inscrevi. Desisti, e não me arrependo. Se dizem que passamos boa parte de nossas vidas trabalhando, quero passá-las fazendo algo que eu gosto. Trabalhei como aprendiz num banco durante dois anos, nesse tempo  convivi com pessoas que passaram mais de vinte anos exercendo profissões que nunca gostaram. E sem soberba alguma, não quero isso pra mim.


Concentrei tantas energias para passar no vestibular na primeira vez, que quando eu alcancei meu objetivo, me senti perdido. Eu tinha acabado de fazer 18 anos, não tinha vivido muita coisa na vida. Sempre fui muito mimado pelos meus pais, faziam e decidiam tudo por mim. Quando passei no vestibular e fui morar sozinho, me descobri, provei dos sabores e dissabores de ser eu mesmo. Construí e dei forma as bases da minha personalidade. Libertei-me de alguns demônios, senti a liberdade, e esse sentimento talvez seja um dos mais intensos e sublimes que provei. Os últimos quatro anos, foram os mais felizes vividos até hoje. Em meio a todas essas conquistas eu não me encontrei profissionalmente. Talvez o tenha feito, mas meus medos e incertezas cegaram-me

Todo meu insucesso nesse último curso me jogou num oceano de questionamentos que carrego até hoje. Não sei qual profissão quero seguir. Não sei em que eu daria certo como profissional. Não encontro nada que vá de encontro as minhas habilidades e gostos. Eu não esperava quando entrasse em um curso superior eu mergulharia em um oceano de incertezas profissionais, onde eu duvidaria constantemente das minhas capacidades intelectuais. Acho que faltou paixão.

Amo estudar, tenho um gosto apurado por química, me excita quase na mesma proporção que tenho pelas humanidades (Geografia, história e filosofia), essa dicotomia me pira. Alimenta a insegurança, que me faz temer as decisões que tomarei daqui a pouco meses, onde terei que escolher que carreira superior seguir. Temo não ser acertar na decisão que tomarei. Química, Eng. Ambiental, Geografia... 

Certeza nunca terei e não vou me ater aos conselhos que dizem sou novo e isso é natural, mas eu não terei 22 anos eternamente. Espero sobrevier a isso, parece aquela fase do jogo que você demorar a passar, tenho medo desistir e nunca conseguir. Enquanto não encontro respostas, vou tentando. 






            Queen - The Show Must go On

          
Morar em república é uma das alternativas mais baratas, senão a mais barata quando se escolhe estudar em outra cidade. 
No meu caso escolhi Frozen City (Foz do Iguaçu), uma linda e adorável cidade de fronteira, cheia de peculiaridades, vantagens e desvantagens. Em 30 minutos você pode estar tomando um café no fim da noite, 30 minutos mais tarde você pode estar na Argentina ou no Paraguay em uma festa e voltar para casa quase 24 horas depois. Nos últimos quatro anos passei por duas residências universitárias e três república s(mistas e masculinas) e no próximo ano talvez outras complementarão esta lista. A vida em república é rodeada de vários acontecimentos, nenhum dia é igual ao outro. Monotonia não existe, no lapso de uma hora você pode estar no se quarto jogado estudando, 30 minutos depois você pode estar numa festa. Tudo depende do seu ânimo e principalmente dos seus companheiros de casa. Nesse tempo, conheci amigos para a vida toda, “amigos” se tornaram inimigos mortais, me apaixonei por um dos meus companheiros de quarto, lidei com as mais variadas personalidades, convivi com hábitos estranhos e logicamente os meus foram estranhos para muitos. Adquiri aprendizados que só a vida em república poderia me proporcionar. Qualquer relação humana é rodeada de conflitos, com familiares não é fácil, imagina com cinco ou seis “desconhecidos” compartilhando uma casa. O dialogo é a melhor a melhor ferramenta para sobreviver em uma república. Tive pais e na maioria das vezes fui pai. Cada um vem como uma história de vida, que em alguns momentos se cruzam Aprendi que a minha noção de limpeza não a mesma noção dos meus companheiro de república, por isso foi necessário muitas vezes criar um padrão. Aprimorei minhas habilidades culinárias. Descobri o quão prazeroso é fazer a feira. É uma terapia escolher batatas e pensar nos problemas que você teve durante o dia. E o que não faltou nesse tempo foram situações estranhas, pra não dizer que algumas foram bizarras. Listei cinco situações fora do comum para mim.




Situação estranha Número I - Porno Lunch. 


Na primeira república que morei tinha um casal de namorados que transformaram a vida dos outros moradores num inferno. Viviam uma simbiose, um verdadeiro cosplay de Bananas de Pijamas. E o mais estranho eram os ruídos que os dois faziam durante a madrugada. Sempre tive curiosidade de saber o que “Mutante” fazia para a "Selvagem"rir tanto durante a madrugada. Quando não era risos eram gemidos. E isso foi o inferno para os moradores que estudavam no turno da manhã. Certo dia me preparando para almoçar, quando o casal "Mutante" e "Selvagem" entram no banho, até ai nada de estranho a não ser o fato do meu almoço ser embalado por gemidos, respiração ofegante e estalo de beijos. Só faltou tapas!


                                                                   
                        
  Qual a necessidade disso?







As casas no sul, geralmente não têm um isolamento acústico muito bom. "Mutantate" e "Selvagem" são fofos apelidos depois de um experimento com moscas feitos por uma das biologistas da república.


Situação estranha II - Pornot (Porno+Notebook)

Morei com um Boliviano por uns 8 meses. Nesse tempo, tentei a todo custo ajudá-lo aprender português, a ter um pouco de habilidade com os afazeres domésticos, a não ser tão irresponsável e achar que tudo é festa. Ele foi um filho que tive sem querer, me ensinou muitas coisas. Acho que levo jeito para ser pai. Um certo dia o notebook dele estragou e aproveitando que eu estava saindo de casa pediu o meu emprestado. Quando voltei, fui pegar meu no de volta, até ai nada demais, a não ser a surpresinha que ele deixou para mim. Quando abro o note, noto um respingo porra na tela e o teclado sujo. 



Ele não teve tempo de limpar, ou melhor teve sim, porque quando bati na porta quarto, ele demorou a abrir. Se demorou tanto, custava limpar? Era alguma mensagem subliminar que ele queria me deixar?




Situação estranha III - Sex Phone

No primeiro dia que cheguei na universidade fui direto para a moradia estudantil, por ser uma universidade nova quase não tinha alunos, o primeiro processo de seleção tinha acontecido seis meses antes, qualquer pessoa que chegasse tinha vaga "garantida" na moradia estudantil. Devidamente alojado, fui dormir a primeira noite longe de casa. Durante a madrugada acordo e tenho a infelicidade de escutar meu companheiro de quarto no final de uma sessão de sexphone. "Eu já gozei, você também, agora eu vou dormir". 



Eu não podia ter acordado 10 minutos depois? Não, se eu acordasse 10 minutos depois não seria eu.









Situação estranha IV: Live Porno


No tempo que morei nos alojamentos da universidade eu tive que compartilhar quarto com pessoas que nunca vi na vida. Ao começo isso foi estranho para minha mente paranóica, que imagina coisas do tipo: "E se ele me matar?" E se ele me estuprar? Com o passar do tempo me acostumei e adorei a ideia. Meus companheiros de quarto sempre tiveram suas namoradinhas e volta e meia elas apareciam para "dormir", ou apareciam quando eu já tinha dormido. Eu só dava conta quando eu acordava no outro dia ou quando cruzava com eles pelos corredores da universidade e ambos olhavam para mim com a cara: Será que ele ouviu algo?

Graças aos céus eu sempre tive um sono de pedra, depois que apago nada me acorda, a não ser as vezes que acordei com o forte cheiro de maconha entrando pela janela do quarto. Imaginar que alguém transou uno quarto, enquanto eu dormia me dá um certo nojinho. Custava me pedir para eu dar uma volta? 






Maridelo (Marijuana+ Pesadelo)
Na segunda residência universitária que morei meu vizinho de quarto cursavam antropologia, consumidores assíduos da "Mari", foram rara as vezes que passei em frente ao quartos deles e não senti cheiro de maconha. Como as janelas dos quartos eram muito próximas, as vezes a fumaça dos cigarros entrava no meu quarto. Numa noite me esqueci de fechar a janela. Acordei na madrugada em meio a uma névoa e cheiro muito forte de maconha, me sentindo um pouco estranho. 
Não sei se o fumo passivo de maconha é capaz de fazer alguém viajar, mas foi capaz de me despertar do meu sono de pedra.

Situação estranha VI :Porno Audio

Como já disse acima, a acústica das casas em Frozen city não é muito boa, geralmente são telhados ao estilo colonial, e os forros não são suficientes para isolar por completo os barulhos produzidos em cadac ômodo. Por esse detalhe arquitetônico, muitas vezes tive a infelicidade de escutar meus companheiros de república fazendo sexo. Essa situação não é nada excitante. Pelo menos para mim é muito desagradável, me dá um embrulho no estômago.

Na penúltima república que morei, teve um episódio que foi além do normal, a menina gritava tanto, que me perguntei várias vezes se ela não estava passando mal, morrendo ou sendo muito bem fodida. Foi algo similar a .Dark Fode.



E você, já vivei alguma situação semelhante?






Este mês de Setembro é muito mais que o mês do meu aniversário, será lembrando por um acontecimento marcante para mim. 
Consegui após três anos e meio chegar ao fim de um livro. Li o romance O quinze, de Raquel de Queiroz. (Amo o romance regionalista) 
Desde que comecei minha vida acadêmica até agora nunca consegui terminar a leitura de um livro escolhido por gosto, em meio as leituras obrigatórias, trabalhos, provas e noites sem dormir, a leitura por prazer sempre ficou em último plano, quando sobrava último plano. Perdi a conta da quantidade de livros que peguei na biblioteca e não passei do segundo capítulo. Este é um drama enfrentando por muito universitários, sempre escutei esse descontentamento de amigos e conhecidos. 
Ler sempre foi meu passatempo preferido. Lembro que aprendi a ler após dois meses em que entrei na escola, desde então a leitura se fez presente na minha vida. Agradeço a minha mãe por ter incentivado esse hábito em mim. Sempre, desde pequeno a vi lendo algo. Lembro, que aos cinco anos eu já chorava querendo ir para escola. 
Viver esse hiato de quase quatro anos foi uma das maiores torturas. Espero muito, que isso não se repita na próxima graduação que eu começar. Sim, eu sou desses que precisa passar por alguns cursos até encontrar o que considera a escolha certa.