Universo Paralelo: Eu sendo Eu
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2016 foi um ano marcado por uma sucessão de fatos negativos, principalmente em relação aos desastres humanos.  Em relação a minha vida foi um dos piores, mas o terminei muito bem. 

Cheguei ao fundo do poço inúmeras vezes devido à depressão e ao pânico, ambos decorrentes da ansiedade fora do normal. Algumas vezes tive de escolher entre viver ou morrer. Suicídio foi um pensamento que me fez companhia nos momentos mais obscuros, onde os sintomas agudos da depressão se fizeram tão presentes que o primeiro pensamento que me ocorria era suicídio diante de um sofrimento que não se iguala a nenhum outro já sentido por mim.

Por uma questão de sobrevivência fui de encontro às causas da ansiedade generalizada, por meio de terapia. Colocar-me em uma posição confortável, proporcionada pelo uso de remédios nunca me chamou a atenção. A busca por solução provocou muito desconforto; me fez lidar com inúmeros conflitos internos, esmiúça-los a fundo a ponto de torná-los elementares, que em muitos momentos me fez sentir numa realidade paralela e perder a noção do tempo, noutros um ET flutuando na Terra sem referencial algum; bem como me fez questionar a realidade e meus referenciais; eu perdi completamente a noção de quem era, eu sabia quem eu fui e muitos aspectos desse alguém não correspondia às minhas necessidades do agora. Precisei me resignificar enquanto ser humano e continuo neste processo.

Os resultados disto tudo até agora são: me sinto menos ansioso¹, menos indiferente à vida em geral, menos engessado frente aos dilemas e situações que se apresentam a mim, e livre de alguns pesos do passado que meu faziam mal. Estou longe do “ideal”, se é que o mesmo exista, mas muito feliz com todas  mudanças e ganhos que tive. Devo muito às pessoas que se dispuseram a me escutar inúmeras vezes ao longo do ano e à terapia.²

Para 2017 apenas desejo continuar progredindo e retomar minha graduação.  
No mais, fica um  bom ano novo a quem por aqui passar!


¹ O foda-se e o deixe estar são muito terapêuticos. 
² O processo de se escutar é extremamente valioso com todas as inquietações que produz.




— Fugir, fugir, fugir. Essa ideia assalta minha mente a toda hora. A solução pratica diante dos dramas e problemas que descortinam a minha volta. A vontade de fugir é imensa, quando às 4 da tarde me vejo chorando no ônibus a caminho da dentista  sem motivo aparente. 
Eu quero fugir outra vez. Eu quero voltar pra onde eu estava, mas onde estava não é solução para os meus problemas. 
— Você aponta o outro sempre. Você consegue perceber isso em suas falas?
—  Sim. Eu percebo, eu sei que transferir a culpa dos meu problemas para os outros e pensar que estar longe deles(os outros)  é a melhor solução, quando na verdade deveria ficar e encará-los, dizer tudo que está preso na garganta. Mas só de pensar no desconforto e na dor que tais ações acarretariam o medo me faz recuar. A ideia de fugir volta à mente. 

— Fugir de quem? Quem você não deseja perto de você? 
— Eu quero uma vida independente, só eu. A minha mãe e irmãos continuariam,  mas ele não.  Eu não o  quero na minha vida, ele não sabe quem sou sou,  ele negou sua paternidade, sempre fez questão de expressar que eu era um fardo para ele, embora estivesse presente diariamente nos últimos 20 anos. Tenho a impressão que não tenho um pai, tenho um pai financeiro. A figura paterna não existe.

— O que seria a figura paterna? 

— Não é nenhuma idealização de ficções, mas alguém presente na minha vida não apenas financeiramente, mas emocionalmente. Eu o odeio! Eu não o quero na minha vida, quanto mais distante melhor. Ele disse que não vai mudar sua forma de agir, sendo assim eu prefiro recuar, mas tenho medo de deixar alguma ponta solta. Algo inacabado. 

—  Mas  o medo de deixar uma ponta solta não é vontade   de solucionar o problema?

— Não sei, talvez... No tempo em que estive distante quis resolver o nosso problema de relacionamento ou melhor dito, a inexistência de relacionamento, no entanto declinei, fugi, quis evitar. Manter a distância era confortável. Eu não contava com a volta, ele não contava com a volta.Com o tempo vieram os ataques, as indiretas.  Ele não é capaz de ser maduro e direcionar seu dialogo a mim. Sempre por meio de indiretas que para quem sabe ler um pingo é letra. Assume o papel de vítima, mas de é incapaz de ver-me como vítima também. 

— Você percebe em suas falas  que você sempre  fala do outro?

 Onde ele quer chegar?  Repetir a mesma fala é uma provocação? Se for, consegui. ' Pensei.'
Naquele momento já não suportava mais encará-lo. Queria sair dali. O incomodo era reciproco. 



Eu em face aos  meus demônios e um dia de sábado.


I, I am a new day rising
I'm a brand new sky
To hang the stars upon tonight
I, I'm a little divided
Do I stay or run away
And leave it all behind?

It's times like these you learn to live again
It's times like these you give and give again
It's times like these you learn to love again
It's times like these time and time again

            


Stress Anxiety Depression - by John Ashton Golden-  May 24th, 2011.  



Hoje mais cedo rolando o feed do Facebook me deparo com um texto, cujo título é : "O verdadeiro lado da vida de um ansioso". O texto descreve com precisão cirúrgica muitas das coisas que passo desde que desenvolvi um quadro de T.A.G. Outra observação que faço é sobre algo que me incomoda bastante: o tratamento que muitas pessoas dispensam à ansiedade, nesse grupo inclui médicos, muitos deles descapacitados para identificar o problema e conduzir pacientes ao tratamento adequado. Tratam como algo simples e superficial, o que está longe de ser. Tenho batalhado muito para chegar aos porquês de ter chegado a este quadro. Espero me curar, ou saber dialogar com ansiedade, tê-la como companheira e dizer-lhe a hora certa de tomar seu devido lugar.

"Não há como entender a ansiedade sem mostrar o que se passa na cabeça de uma pessoa ansiosa. Este texto será uma viagem dentro da cabeça de um ansioso. E só para constar: ansiedade não é esperar por um telefonema, como dizem outros textos. É uma patologia, que se não trabalhada, evolui para pânico, depressão e até suicídio. 

Dormia e me remexia na cama, o coração apertado, a respiração ofegante. Pensava:
— Eu deveria estar dormindo melhor, por quê não me acalmo?
Estou com sono, quero dormir em paz.
Me reviro, me reviro e começo a despertar aos poucos.
Olhei para o relógio. Eram 07:30.
Mas como se fui dormir às quatro?
Lembrei que cheguei um pouco alegre, derrubei algumas coisas, mas estava bem.
Passei a lembrar daquele pub, muito Rock n`Roll, muitas pessoas bonitas, mas o clima era pesado.
Voltei a tentar dormir, não conseguia.
Fui ficando com frio, mais frio e os pensamentos de culpa não saíam de minha cabeça.
Pensava que logo teria que me arrumar para viajar, mas não me sentia bem.
Como sairia daquela cama sem me sentir bem?
Coração acelerado, frio, enjoo e dor de barriga.
Decidi me levantar e tomar um banho.
Durante o banho, sentia aquela ducha quente tentar me acalmar.
Tentava me convencer de que aquela ducha me acalmaria.
Coração apertado, ofegante e cabeça a mil.
Começava então a me culpar.
Você não conseguiu nada de útil em sua vida até hoje. Quem é você? Quando terá uma vida melhor? Por quê não consegue levantar cedo e ir caminhar como as pessoas sãs conseguem?
Você está sozinho, está longe de tudo e de todos.
Quem é o seu grupo? O que faz neste mundo?
Quantos anos você tem? Como esperava que sua vida estivesse quando atingisse esta idade?
Onde mora? O que te pertence?
Quem te pertence?
O que você fez até hoje?
Para onde quer ir?
Por quê não está estudando mais?
(...)
Por quê todos conseguem rir menos você?
Como queria que sua vida fosse?
Por quê não existe naturalidade em nada que faz?
Por quê você não pertence? Por quê sonha com coisas tão inalcançáveis?
E se tivesse escolhido outro caminho?
Como será o futuro?
Esta tortura psicológica irá passar um dia?
Quando serei feliz de verdade?
Quando poderei ver meus valores e seguir com segurança?
Segurança?
O que isto significa?
Não estou seguro.
Esta cidade está um caos.
Demorarei séculos para chegar a algum lugar.
Tudo caro.
Quando terei um lar próprio?
(...)
O que eu gosto?
Poucas coisas eu gostei em minha vida. Dança, filmes, momentos raros, abraços raros, praias raras, sensações de pertencimento raras.
Por quê todos conseguem se divertir com coisas banais e eu não?
Por quê não pertenço?
A onde pertenço?
Quero viver, sonhar, voar, mas para onde?
Teria coragem de voar?
Tenho medo, muito medo.
Quero conquistar o mundo.
Que mundo?
Teria eu habilidade para dominar este mundo?
Será que fiz escolhas que me trouxessem sanidade?
Ou será que escolhi o caminho que será mais tortuoso?
Mas se tivesse escolhido o caminho mais fácil, seria eu feliz, sem me intrigar?
Oh, quantas indagações…
Ignorância realmente é uma benção…
Será que todos são assim como eu?
Estou com medo de sair de casa.
Que lugar é esse?
Pertenço a aqui?
Meu estômago ainda recusa o pensamento de comida, meu coração não desacelera.
Deveria eu tomar um calmante?
Mas e se eu tomar calmante e não relaxar?
E se eu só relaxar com calmantes no futuro?
Como lidarei com problemas maiores em minha vida se não consigo lidar com as pequenas pressões de hoje?
Pequenas pressões?
Seriam pequenas as pressões de tentar se criar uma identidade neste mundo cheio de pessoas tão melhores do que eu?
Auto estima…
Por quê penso eu que estas pessoas são melhores?
Você deveria trabalhar melhor esta auto estima ai…
Cansado.
Cansado de pensar tanto.
Só queria relaxar e ser ignorante.
Queria não querer saber de tudo.
Queria ter o mesmo sorriso leve das pessoas na rua.
Como são suas vidas?
São completas?
Ou seriam todos fúteis querendo comprar a felicidade num shopping?
Ignorantes, felizes todos os ignorantes…
Estou eu ficando doente?
Por que não me sinto bem?
Preciso de terapia…
Terapia é caro! ó meu Deus, nada tem solução!
Onde estará a felicidade em mim mesmo?
Seria eu feliz quando estiver velho?
Quando já tiver vivido tudo o que tinha para viver e já saberia como foi minha vida? Sem medo do que será o futuro que já teria passado?
(...)
Oh vida feliz de Disney, onde estará?
Oh Príncipe encantando, existes?
(...)
Quando virei uma pessoa tão realista? Para onde foram os sonhos? A vida teria graça em si? Ou nós faríamos esta graça? O que será do amanhã? E o agora? Deveria estar vivendo o agora. Ainda estou neste banho e estou cansado, cansado de pensar, cansado de sofrer. Quero ser leve. Quero ser livre. Quero morrer. Haveria liberdade nos céus? Mas a igreja criou o céu? O que há depois daqui? Não, não quero mais morrer, quero encontrar a felicidade aqui. Aqui. E aqui. Estou cansado de pensar. Vou ligar uma música. E assim os pensamentos se esvaem no modo automático de se viver, onde todos aqueles ignorantes vivem. Oh dom incoerente o de pensar e questionar. Oh dom causador de toda esta necessidade de ser ter o controle sobre tudo. Oh maldita necessidade de acelerar as coisas e controlar aquilo que não posso. Oh vida…
Sai do banho, tentava ver o mundo como algo a que pertenço e começava a arrumar minhas coisas para viajar. Aos poucos o coração foi desacelerando. A crise de ansiedade ia passando… O corpo se aquietando. E a busca por um dia de paz se iniciava… Os prantos e as orações para alguém que talvez estivesse me olhando invadiam o peito e a paz ia entrando. Como fazer para manter esta paz? Já não se sabia mais, afinal, de que adiantava pensar tanto? Ligava o botão do desligamento e do modo automático e sonhava com uma vida tranquila numa varanda, numa rede e um copo de café. Ah não, desta vez, chá, porque café incita a ansiedade.

Caros, esta foi uma viagem dentro da cabeça de um ansioso. Chamo suas atenções para um problema que está dominando a sociedade atual. Estamos vivendo em um mundo competitivo e vivemos sob muitas pressões. Muitos de nós já acordamos com taquicardia, respiração ofegante e medos. Medos de como será o futuro. Medos de, se a pessoa que está conosco, está de fato conosco, medo de viver. Esse medo de viver, nos coloca dentro de uma caixa de pensamentos auto destrutivos que precisam ser buscados em sua origens e tratados.(..)  Ansiedade é normal, mas passando de certo ponto, há de se investigar sua causa e tratamento. Pensar demais pode levar à um quadro de loucura e perda de controle de seus pensamentos, que podem levar à síndrome do pânico, a ataques violentos e até ao suicídio. (..)  Ansiedade não é bobeirinha de querer que alguém responda rápido a uma mensagem. Não é só roer as unhas. É tremer, perder o controle e se questionar se ainda somos sãos. Se ainda somos donos de nossas escolhas. Não banalizem um problema sério da sociedade atual!"


via: MagObvius









Nunca pensei que me fosse acontecer, mas aconteceu: Um crush por um menino que não sei em qual time ele joga. Bonito, introvertido, nenhuma demonstração de "heterossexualidade" aparente, adora ler, ar misterioso...Um boy magia! Mas como quase todos os boys com quem sai conheci por internet, e os outros poucos eu sabia de antemão que eram gays, agora não sei como lidar com a situação. O meu gaydar não funciona com ele. Já mandei a foto para "azamigas CSI" que sabem reconhecer por foto e me disseram que ele provavelmente é do grupo, no entanto, não muda muita coisa. Se eu tentar qualquer aproximação e ele não for gay/bi eu não saberia lidar com a situação depois, já que conviverei com ele até o dezembro. Hoje numa conversa com o crush ele disse que já namorou uma única vez, mas não fez menção nenhuma ao gênero do namorado(a). Se eu perguntasse ficaria muito na cara. Não quero queimar minha língua e transformar "a queda/crush" em algo platônico. (Queimar a língua porque nunca consegui entender a razão das pessoas terem paixões platônicas). Ao mesmo tempo não sei se é carência da minha parte, porque os sentimentos pelo ex, continuam os mesmos há quase quatro anos, ou não...


           



Estava eu aqui quieto no meu canto, quando ontem pela manhã recebi uma chamada de uma empresa de seleção de pessoal de São Paulo. Estranhei! Por quê uma empresa de lá me ligaria?! A moça me falou de uma proposta de emprego para uma indústria na minha cidade. Aceitei porque há um tempo venho buscando estágio/trabalho e, empresas baterem à porta de alguém não é algo comum, ainda mais nos tempos da famigerada "Crise", a qual me recuso acreditar que exista por razões que não cabem aqui dizer. Depois de preencher um currículo no site da empresa, um pouco mais tarde a moça me retorna e marca a entrevista para o dia seguinte. Lá hoje fui eu. Tomei um susto pelo tamanho da empresa e por ser uma subsidiária de uma empresa mundialmente conhecida do ramo de maquinário pesado. Tive que assistir a um vídeo de apresentação da empresa e suas normas de segurança antes de entrar de fato na fábrica e dirigir-me à entrevista.

Aguardei vinte minutos na recepção até que fui convidado a dirigir-me a uma sala onde fui entrevistado por um senhor, que após ler meu currículo me disse: "Seu perfil é de uma pessoa intelectual, administrativo, que não vai de encontro com perfil necessário para ocupar a vaga. É uma pessoa que estuda, que corre atrás. Este é trabalho onde você terá de carregar peças, onde toda sua capacidade intelectual será desaproveitada. Você se frustrara facilmente. Por que você quer esse trabalho?"  Eu não poderia dizer o óbvio $$$$. Disse que tinha experiência para o cargo, embora esta experiência foi adquirida numa empresa, cujo ramo é completamente diferente e mais toda a ladainha que me foi ensinada a dizer em tais ocasiões nos diversos cursos de formação que tive. 

O recrutador me fez uma propaganda negativa absurda do cargo em questão, que por fim desisti. Diante de tal cenário não me restava outra. A empresa precisava de uma pessoa com baixa instrução, pois se ao me contratar correria o risco que eu não ficasse no posto nem por um mês, segundo o senhor recrutador. Duvido muito disso. Aprecio a sinceridade do moço em questão, que muito gentilmente me passou contatos de pessoas da empresa para que eu tentasse algo relacionado a minha área de estudo, porque a empresa possui laboratórios. Elogiou-me o máximo que pode. Não precisava porque eu não me debulharia em lágrimas diante de uma negativa.

 Resumindo a missa: Eu  realmente não entendo essa lógica perversa do capitalismo. Instrução de menos, não tem emprego,  instrução um pouco a mais, também não, instrução completa tem, mas não é fácil conseguir. Eu não consigo emprego nem em supermercado, empresas que sempre têm vagas. Não posso omitir meu superior incompleto porque vem sempre a pergunta? O que você fez de 2011 até hoje? Não tenho como inventar e tentar mentir para um psicólogo. Este é só um dos episódios que compõe a saga pela busca de estágio/emprego. Tenho passado por situações absurdas de outubro para cá. Às vezes tenho vontade de chutar o pau-da-barraca e virar hippie, ir vender minha arte em praças e praias da vida. De quê me serve  estudar fora o gosto pelo estudo?



                       



Inside P's head: doubts & suspicious truth por  Mathieu Bernard-Martin


Ontem lendo um poste antigo e ao responder um comentário em um poste recente me deparei diante de uma situação que dentro da lógica linear não faria sentido, entretanto esqueci-me de um porém, sou humano e a última coisa que vai existir na vida de humano, é linearidade de sentimentos e pensamentos. Posso hoje estar dotado de clareza sobre a vida, demonstrando grande maturidade, mas ao reler este poste, concluo que amanhã posso não estar.

Qual a razão por me encontrar em dúvidas, incertezas e questionamentos, os quais já os respondi com total convicção e clareza tempos atrás? Porque ao observar aquilo que fora escrito, não teria razão para tê-los novamente. Nada fora escrito da boca para fora. Onde está aquele Gustavo? Não sei se a depressão que se instalou há pouco mais de um ano me fez estar no mar de dúvidas em que me encontro. Não consigo viver com leveza, porque os questionamentos se fazem presente mais do que tudo. 

Onde fica a maturidade de um ano atrás? A maturidade se esconde em alguns momentos? Parece que tenho 15 anos novamente. A vida será sempre assim? Sempre estarei no abismo cíclico de provações e dúvidas todas as vezes que em que sofrerei perdas e problemas maiores se instalarem? A onde está a leveza do viver experimentada e palpável que tive em minhas mãos? A terei novamente? Não sei! Não sei! E não sei!

Os adultos mentem, quando dizem que depois dos dezoito as dúvidas acabam. Mentira! Não acabam, estarão ai durante toda a vida. É o que parece...

Volta Gustavo dos 22, eu preciso de você.


 Aos 22 eu descobri que nem tudo precisa ser compreendido, viver satisfaz qualquer necessidade de compreensão. Esse é o sentido da vida, VIVER. 
Aos 22 anos caminho livre, liberto de muitas amarras, outros nós ainda esperam para serem desatados. Caminho com poucos pesos sobre mim, confiante, mas temoroso.


Já posso considerar, que toda quinta sexta-feira do mês de Novembro passa a fazer parte do calendário brasileiro, assim me programo mentalmente para o transito infernal com excesso de carros, para o excesso de gente nas ruas. Hoje me senti como numa véspera de Natal. Demorei 20 minutos para conseguir pagar uma garrafa de água em uma farmácia por causa da fila extensa, com pessoas comprado de medicamentos a absorventes com desconto.

                                


Os únicos lugares  cheios de pessoas, onde me sinto bem são as  discos. 

Por falar em disco, há tempos não desejava tanto que uma sexta-feira chegasse logo. Bateu uma saudade das discos que eu frequentava em Foz, até da única gay que existe na cidade e que sempre,  às sextas-feiras ficava às moscas, mas mesmo assim eu gostava de ir para espairecer,  escutar o  tuch-tuch e liberar as tensões acumuladas. 

Hoje foi um dia cheio, após uma semana intensa de trabalho, fora os meses anteriores de pesquisa, que culminaram em um teste de análise sensorial para avaliar a aceitabilidade e viabilidade comercial de pães produzidos por fermentação natural. 

Lidar com pessoas não é uma tarefa fácil, mas é bacana a interação que este tipo de atividade proporciona. Ouvir "que coisa horrível!" de um alimento que eu preparei não é muito agradável, mesmo sabendo que de antemão que ouviria comentários do tipo, pois o paladar humano é variado e é exatamente essa característica que precisava e que proporcionou um universo variado de opiniões. Agora é tabular tudo isso e concluir uma parte do meu trabalho. Entendo as opiniões deste tipo, as pessoas da zona onde moro não estão acostumadas a comer pães produzidos por fermentação natural . O sabor azedo devido a presença de ácidos resultantes do processo de fermentação natural não lhes é familiar. Mas houve pessoas que disseram ter adorado, que preferiram o pão sourdough ao produzido com fermento comercial. Pode parecer que estudo gastronomia, mas é química. 



                

















Foram dois sonhos, em noites alternadas, nos quais sonhei com minha morte. Não, não foi com aquela figura de uma silhueta envolta por uma capa preta e sem rosto aparente com uma foice na mão. Sonhei que estava morrendo. Senti pouco a apouco a paralisia do meu corpo, acompanhado do desespero de não querer que aquilo estivesse acontecendo. Em um dos sonhos lembro-me de alguém me dizer para eu ficar calmo, pois não havia mais volta, aceitar e acalmar-me era coisa certa a fazer no momento.

Fiquei calmo e não lutei mais, aos poucos o medo se foi e aceitei. Deixei a morte tomar conta do meu corpo. Em ambas as vezes quando aceitei a situação, acordei logo em seguida.

Penso, que quando as pessoas estão morrendo provavelmente se sintam assim. Por mais que eu tente buscar um significado dentre as coisas que estou vivendo e já vivi, não encontro nada que se encaixe nessas figuras e que possam explicar estes sonhos. Não acredito em significados genéricos para os sonhos como aqueles vendidos em revista de astrologia barata, que de astrologia não tem nada. Mas sei que são uma manifestação da minha mente.

Não sou de sonhar muito, mas em alguns momentos diante de algumas situações, os sonhos foram fundamentais para eu entender e aceitar situações que de modo consciente eu me recusava a aceitar. Talvez um dia eu encontre o(s) significado(s).













Há situações, pelas quais eu nunca esperaria que ocorressem comigo. 


Voltei a estudar esse semestre e no ponto em que pego ônibus para casa tem um ponto de prostituição de travestis, onde uma quantidade enorme de meninas ganha a vida à custa de escárnio, deboche e violência de quem ali passa em seus carros, ou dos covardes, que vez ou outra aparecem e resolvem lhes insultar cara a cara, ou lhes atirar pedras. Mas no cara a cara não fica barato, elas revidam, e em grupo. Ensinam a esses pais da família tradicional brasileira a respeitá-las com uma leve dose de violência, que em minha opinião é merecida, por mais pacifista que eu seja. Não se meche com que tá queto.
Sempre as pessoas me recomendam a tomar cuidado, a temê-las, pois são perigosas e agressivas. Eu entendo a agressividade delas como defesa diante de uma sociedade que as tratam como lixo e bobos da corte. São a diversão do final da noite de alguns, que se sentem os seres mais potentes do mundo, quando berram pelas janelas de seus carros todos os tipos possíveis de insultos, principalmente os que as destitui de sua feminilidade. 
Ontem à noite, enquanto esperava pelo ônibus uma delas  caminhou em minha direção, no princípio fiquei temoroso, afinal o imaginário querendo ou não poluiu a minha mente de alguma forma. Será que vou apanhar? Será que pensou em algum momento que ri dela. Pensei. Mas não, ela se aproximou e fez um carinho na minha bochecha e me disse: "coisa linda" e seguiu em frente. Fiquei bobo por alguns segundos, e mais ou menos um minutos depois lhe agradeci o gesto quando ela já se encontrava um pouco distante. 

Eu nunca esperaria este gesto vindo de uma pessoa agredida diuturnamente pela sociedade em que nasceu.




P'ra  não passar em branco.
Acho que fui um bebê até bonitinho.



Voltar ou não voltar a usar apps de pegação? Estou num celibato a um ano, por opção, por falta de libido (remédios) e por ter me cansado de usar esses apps. Essa semana fiz um teste, instalei um app e comecei a receber mensagens, teclei com alguns, rejeitei outros, me surpreendi com a quantidade de agentes da CIA e KGB. As bichas mineiras adoram a palavra sigilo, nada contra, cada um sabe de si, né non?


Ao final eu queria tentar encontrar "amigos", alguém da comunidade para conversar sem segundas intenções. Meus amigos gays estão todos no Paraná, e não ter alguém para falar em bichês às vezes faz falta. Acredito que possa ser possível encontrar amigos por essas vias, porque tenho um grande amigo que veio por meio de apps. Por outro lado, observei o tempo em que gastei, por volta de 3 horas. Teclei com quatro caras, e não deu em nada, só pessoas interessadas em sexo puro e duro. Três horas é tempo demais para se perder diariamente, e eu deveria tê-lo aplicado a minha pesquisa. Por outro lado, ainda tenho mais de um ano aqui em Minas, e a dúvida é: insistir na busca, ou esperar que esses amigos surjam dos círculos sociais que tenho participando? Ainda não sei, mas as bixas destes círculos são muito ressabiadas e eu sou introspectivo. Acho que não rola. 


Engatar outra série ou não? American Horror Story não conta, já é hábito. Acabei Breaking bad há uma semana, comecei, assisti-la em 2010 e entrou para a lista das melhores, senão a melhor das séries que já vi até hoje. Fez-me pensar nos limites do ser humano do primeiro ao último episódio. A apesar de toda educação moral e conduta que a sociedade nos impões, quando nos encontramos em um beco sem saída esse valores podem cair por terra. Ninguém é revestido de toda moralidade e ética que não possa ser corrompido. Sem dúvidas, é uma série que gera muitas reflexões, é preciso digeri-la. Gosto de assistir e ler coisas que me forcem a isto.

¿Qué leer? Leer aventuras de Alicia en el País de las Maravillas, Memorias póstumas de Blas Cubas o tratar de terminar "Yo y el inconsciente de Jung? Lee Jung es muy difícil, especialmente cuando se trata de un libro hecho de los trabajos presentados en las conferencias. Creo que he leído 10 libros para todas las idas y vueltas que hice para entender los conceptos y el pensamiento de Jung. Todavía estoy en el medio. Al final, este libro se ha convertido en un reto, leerlo hasta el final.


Ainda existe MPB como gênero musical? Não acredito, talvez tenha morrido nos 90 e ter dado alguns suspiros no inicio dos 2000. Vejo mais do mesmo, cantoras com vozes parecidas, quase sempre acompanhadas de um violão. Gosto do cenário indie independente que tenho descoberto nos últimos anos. Há musica de qualidade sendo produzida, dificilmente seriam tocadas em rádios, se não fosse a internet ninguém as conheceria, já que os meios de comunicação no Brasil voltam seu aparato para o gosto musical massivo, homogêneo, efêmero e por vezes cíclicos. Tenho garimpado muitas coisas na cena indie, tenho gostado do resultado. Esta crítica não é por não gostar do sertanejo universitário, mas é tanta gente ouvindo a mesma coisa, que me causa um certo incomodo por tantas vezes ter meu ouvido bombardeado por isso.


       God Knows I Tried - Lana Del Rey

          



Este blogue anda jogado às traças. Obviamente este estado é reflexo da minha vida cinza, desinteressante e sem estímulo regada à  boas doses de antidepressivos e ansiolíticos. Tenho comentários para responder, visitas a fazer em outros blogues, rascunhos para finalizar que se amontoam; alguns na verdade estão prontos, mas a vontade de publicá-los, é mínima e o
who cares "insiste" e me desestimula a publicá-los. 
Já se passou um ano desde que comecei isso aqui e ainda não tive tempo, na verdade me pesa escrever e analisar minha vida, seja sobre o presente momento, seja sobre o passado. Talvez até o fim do mês eu faça um post decente sobre este tempo com as devidas reflexões, explicações sobre a razão da sua existência e significados que foram construindo-se ao longo de um ano.




Minhas descobertas musicais

SILVA- A Visita

Natalia Lafourcade - Nunca es Suficiente

Calogero - J'ai le droit aussi








Percebo que  estou na seca quando vou escolher pepinos no mercado e acabo pensando em pica. 


 Não, eu não  pratico masturbação orgânica.

               Lana del Rey - Hit and Run
           


Uma das coisas que mais sinto falta do Paraná, é não ser incomodado por ninguém no ponto de ônibus ou dentro do ônibus. Em Minas é quase regra, algumas(muitas) pessoas não conseguem entrar em um ônibus sem puxar assunto com quem está do lado - nem um fone de ouvido é impedimento para não  me cutucarem e contar suas vidas, ou para entregar um panfleto e me olharem com uma cara dócil e confortante e dizer: "Jesus te ama!", ou para me perguntar as horas sem eu eu ter um relógio de pulso e desandarem a falar. 
Sim, eu sou anti-social e não tenho saco para ouvir problemas dos outros às sete, oito horas da manhã. Durante a manhã eu esqueço até dos meus.
Hoje sentou uma mulher do meu lado no ônibus,  nada de anormal até ela deixar a mão cair na minha coxa três vezes. Uma vez é normal, duas vezes é o movimento do ônibus, três vezes é intencional e estou começando a perceber a situação.











 Afastei minha perna. Ela não seu deu por satisfeita, jogou o cabelo no meu rosto fingindo ajeitá-lo. ¡Por diós! Jogar o cabelo no rosto da pessoa é algum tipo de flerte? Ainda não satisfeita, ela deu uma de joão-sem-braço e me perguntou se o ônibus que ela estava era o que realmente queria estar porque o trajeto era diferente. Really bitch? Vinte minutos depois que você se dá conta que o trajeto é diferente? Reparei bem e percebi que ela tinha idade para ser minha mãe. No way! Nem seu eu fosse hétero ou bissexual. Quem usa batom vermelho sangue às nove horas da manhã? E outra, não sei o que ele viu em mim, estou longe de ser bonito.  Sem falar das situações embaraçosas em que fico sem saber como fugir de algumas meninas em festas. Eu acho muito violento dizer que eu sou gay, já que não perceberam isso.  Homem que é bom quando eu quero, nada! Será  Castigo?










 Testemunhas de Jeová:  Eu sempre abro a porta  e nunca consigo dizer que não estou interessado, me custa ser rude com as senhoras que fazem isso. E lá se vão quinze minutos do meu dia!
Não poderia ser dois Elders mórmons? Eu não me importaria de ouvir nenhuma pregação.  
 
Será que o universo nos devolve em dobro todas aquelas situações que não queremos que se repitam? 

Estou a crer que sim.

*joão-sem-braço: desentendida(o).

       




Nos dias cinzentos o passado invade o peito.
Entra sem pedir licensa.
Faz lembrar daquilo que já não doia.


O clima está perfeito para eu colocar minhas séries em dia - chuva e um frio tímido. Preciso reduzir meu vício em séries - ser mais sociável. Os últimos meses tenho passado basicamente em casa. Mudar de cidade implica em criar novos círculos sociais, os poucos que eu tinha aqui já não existem mais. Fazer o esse movimento em busca de novas amizades não é uma tarefa das mais fáceis, em específico por eu ser tímido a primeira vista e anti-social, e principalmente pelo meu passado. Aquele do  qual eu fugi quatro anos atrás anos quando me mudei para Foz do Iguaçu. Voltar para Minas, é encarar  fantasmas que  me  assombram a espera   que eu os ajudem a   fazer  a passagem. É recordar daquilo que eu não quero tocar, mas sei que é preciso. A hora chegou.




Descobertas musicais dos últimos dias.




            [...]Qualquer coisa é motivo pra uma coisa levar a outra
                    Não é possível ser esperto, inteligente
                       E ao mesmo tempo amar[...]

                                [...] de fato as paixões são pra si mesmas
                                         Não são pra mais ninguém[...]


     Cícero- Tempo de Pipa
    




     Cícero - Vagalumes Cegos
    


       
     Cícero - Açucar ou adoçante
    

 


Nunca tinha escutado uma apresentação ao vivo da Lana, me apaixonei mais um pouquinho por ela.Estou estuprando o replay.





 


Esse vídeo me define e muito. Como ele diz, um simples arquétipo de um signo nao define a totalidade da personalidade de uma pessoa.




 

 



Sinto falta  de vagar pelas ruas da Fronteira nas madrugadas, sem correr muitos riscos, talvez o único risco, era encontrar outros como eu. E por muitas vezes os encontrei nas esquinas, ou caminhando em direção oposta à minha. Nossos olhares entrecruzavam-se por alguns instantes, tempo suficiente para reconhecer a mesma vazão de sentimentos, que fazia-nos estar ali, a procura de respostas.

          Florece and the Machine- Seven Devils
         



É por essas e por outras, que ainda permaneço no Facebook.

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Apatia, falta de criatividade(não que eu tenha isso), "sensação de não sei",  preguiça e procrastinação estão a full nesse corpo. 

Se existir um pós vida, como prega muitas religiões, neste pós vida, eu quererei esquecer que fiz parte da humanidade.

Nunca vi um dezembro e um janeiro tão secos, como esses últimos. Deu-me até saudades de escorregar no lodo, depois uns quinze dias ininterruptos de chuva. Minha Horta está capenga. Não há água que baste.






           





Por mais paciente que eu seja, ainda não dominei a arte de conviver sem me irritar com mulheres no período pré-menstrual. Quando minha mãe está nesse período tenho de redobrar meu estoque de paciência para dar conta do recado. É difícil, como é difícil! Será que na menopausa melhora? 
Todo esse know-how que adquiri com a minha mãe foi fundamental para sobreviver em uma república mista. Era apenas olhar para a cara das meninas quando acordavam para saber o quão cuidadoso teria de ser com as palavras e atos durante uns três dias ou mais. Um A fora da linha pode resultar numa explosão descomunal.




        Anwar - Don't worry Be happy
      

*Por favor, não interpretem uma linha do que eu disse,como misoginia.