Todo dia 20 Novembro nos últimos anos observo pessoas questionarem a necessidade e validade do feriado da consciência negra, já que o Brasil é um país miscigenado e o que mais importante é evocar a consciência humana. Todos os questionamentos que ouvi e li vieram de pessoas brancas. A pouca melanina em suas peles as impossibilita de perceberem o país racista em que vivemos. Questionamentos como esses reforçam ainda mais a necessidade do dia da consciência negra. O mito da democracia racial que vendemos ao mundo é uma grande mentira.
Durante 350 anos as bases econômicas do Brasil foram construídas à custa do suor e sangue de pessoas arrancadas de seus lugares e trazidas à América para serem escravizadas. 127 anos após a abolição, o racismo de outrora pouco ou nada se alterou. Um feriado dedicado a esses homens e mulheres é pouco diante da liberdade que lhes foi tolida. Assistimos frequentemente templos de religiões de matriz africana serem atacados por cristãos protestantes, o que no passado era feito pelo catolicismo agora é feito por essas pessoas cheias de "amor cristão", que também incendeiam capelas tricentenários no interior de Minas Gerais e chutam imagens católicas e caçam os diretos das pessoas LGBT.
O cristianismo protestante em nada se diferencia de um religião abraâmica, que os ditos não radicais não se pronunciam sobre os comportamentos ridicais de seus pares. Cresci ouvindo que religiões de matriz africana eram coisa do demônio, mas sempre quis entender o porquê. São religiões de pessoas negras, por isso a demonização e perseguição. Um tempo atrás, motivado pela curiosidade fui a terreiro de Umbanda com alguns amigos. Durante as duas horas que lá estive não vi nada do que as pessoas cristãs diziam sobre. Apenas um culto com seus ritos, como uma missa ou uma reunião kardecista.
Não tenho religião, mas sempre procurei ter uma visão de outras religiões isenta do proselitismo cristão. O Candomblé, a Umbanda, a Quimbanda, a Santeria e outras religiões existente no Caribe tem como origem a religião Iorubá, oriunda da região que hoje é corresponde à Nigéria. A cosmogonia e mitologia Iorubá é uma das mais linda que já vi. Outro dia encontrei uma série fotográfica de James C. Lewis , Yòrubá African Orishas que representa as divindades Iorubá. Só há um pequeno erro no título a meu ver, Orixás Iorubá seria suficiente porque African dá a entender que corresponde a todo continente africano. Conhecer o significado dos nomes de divindade que o senso comum revestido de preconceito religioso atribui outros significados foi algo muito positivo para mim.
Olorum: Deus e criador do Universo
Obaluaiyê: Deus das doenças e enfermidades
Xangô - Deus do fogo, raio e trovão. Representa o poder e sexualidades masculinas.
Iemanjá: Deusa-mãe da humanidade, divindade do mar.
Aganju:Deus dos vulcões e desertos.
Erinlè: Deus da saúde física e bem-estar, médico dos deuses.
Exú: Deus das encruzilhadas, mensageiro entre humanos e divindades.
Ìbejì: Deuses da juventude e vitalidade, também conhecidos como os Gêmeos Sagrados.
Obá: Deusa do casamento e domesticidade.
Oxumarê: Deus da mobilidade, cobra-arco-íris, guardião das crianças, senhor das coisas prolongadas e controlador do cordão umbilical.
Ogum: Deus guerreiro do ferro, trabalho, política, sacrifício e tecnologia.
Okô: Deus da agricultura e colheita
Olokun: Deus do oceano abissal, e significa "sabedoria imensurável".
Ori: Deus da intuição espiritual e destino
Oxóssi: Deus da caça e patrulha, protetor dos acusados e de quem busca justiça
Oyá: Deusa guerreira do vento, mudanças bruscas e redemoinhos.
Ossanha ou Ossaim: Deus da floresta. Curador natural, guardião das ervas.
Xangô: Deus do fogo, raio e trovão.
Oxum: Deusa da beleza, amor, fertilidade e divindade dos rios.
Orunmilá: Deus da sabedoria, adivinhação e vidência.
























































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