Universo Paralelo: Universo Paralelo
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Há alguns meses, quando escutava um podcast sobre depressão ouvi a seguinte definição: “Depressão é perda de si mesmo”. Eu me senti confortado de algum modo, por ter me revelado o óbvio sobre os últimos quatro anos  - Eu tenho estado perdido.

O eu  sempre foi um objeto de questionamento e busca para mim, não em um sentido egocêntrico, mas unicamente de saber quem se é além do nome no RG e os gostos primários. Trilhar esse caminho em busca do autoconhecimento é uma consequência para qualquer pessoa questionadora, que acaba por sofrer mais do aquelas que não o são. Por um tempo, este espaço foi reflexo de algum modo dessa busca, mas me perdi de mim durante esse intento. Aquilo que era uma depressão leve, logo ficou profunda e junto vieram todos os meus medos, que invadiram a minha mente, golpearam-me a ponto de destruir qualquer estrutura sobre qualquer coisa.

Durante os últimos 3 anos eu tentei de todos os modos possíveis alcançar o “Eu” antes da depressão. O Antes significa a ausência de todos os sintomas da doença, principalmente a tristeza que não é a tristeza, mas uma dor profunda que brota das entranhas do ser sem razão aparente. Foi como tentar sair da Ilha de Lost e sempre voltar ao mesmo lugar, porque não há passado, não há futuro, só o agora.

Um mês atrás depois de ler o seguinte trecho: ¹ “As pessoas que vivem bem apesar da depressão fazem três coisas. Primeiro, procuram compreender o que está acontecendo. Depois, aceitam que é uma situação permanente. E, em seguida, têm que superar sua experiência de algum modo, aprender com ela a se colocar no mundo das pessoas reais” [...]. Depois disso, finalmente resolvi aceitar a situação, desisti de buscar esse estado sem a doença. Resolvi aceitá-la, porque foram em vão todas as tentativas de se chegar ao antes, porque essa pessoa não existe mais.

O que sou agora é uma pessoa com depressão, e por ter a química do (cérebro) alterada vive e reage às circunstâncias do dia-a-dia de modo particular. Conviver com esta nova realidade tem sido estranho depois desse choque de realidade, porque eu não sei como lidar com este “Eu”. Eu me sinto como uma sala vazia ou uma criança que tivesse que aprender coisas básicas. É uma realidade árida, impessoal e mecânica demais, mas é o que há.

¹. O demônio do meio-dia



                     


Maturidade?


Nunca antes a palavra maturidade me pôs a pensar sobre seu significado e como esse significado se relaciona comigo. Em uma única circunstância fui em busca da maturidade que eu julgava ter em período anterior em que me julguei maduro, entretanto, ao olhar a tal maturidade, percebo que este domínio que buscava em nada se relacionava como conceito de maturidade difundido na sociedade. Quando me pus como maduro, na verdade eu estava consciente dos processos de transformação e tomada de consciência que meu ser vivenciou à época. Na ocasião em que busquei pelo ser que eu pensava ser maduro eu estava a procura de maneiras de estancar o sofrimento que carregava e de algum modo ainda carrego. Hoje, maturidade me remete à escalar uma montanha, onde o topo fosse o máximo a ser atingido e não me envolve de nenhum modo. É um conceito relativo, categoriza seres humanos em patamares distintos. Essa classificação me deixa desconfortável. De todas as transformações que tenho vivenciado nos últimos meses, já mais me senti maduro por consegui encarar meus demônios, lutar contra eles e seguir lutando em busca de ajudá-los a encontrar a luz. A consciência que vem sendo adquirida nesse processo a nomeio por transformação. Eu me transformei e continuo a me transformar.



          
Icecream Kaleidoscope by Brian Moss 

Não Saber (Resignação diante do desconhecido)


Não sei. Sim, não sei. Não sei. Nada além de não sei. O não saber me perturba; perturba ao ponto de me conformar com o não saber, aceitá-lo, absorvê-lo em toda sua abstração; seguir em frente sem saber, deixá-lo aqui, observá-lo, mas incapaz de nomeá-lo ou descrevê-lo, além do não saber. Conformar-me, é o que há. Se não termino e não ponho fim à necessidade latente de saber, vou me enveredar num ciclo de voltas que terminam num mesmo ponto: O não saber. Agora o admiro, convivo, mas não deixo de olhá-lo como uma fera, um oponente que a todo momento pode me atacar. Tenho de estar pronto, em alerta, beber e comer ao lado do inimigo, a espera da melhor oportunidade de aniquilá-lo ou ser aniquilado. O não saber, sou Eu. Por que o não saber, é permanência de estado, sem prazo, sem futuro, sem passado - não termina.



         




— Fugir, fugir, fugir. Essa ideia assalta minha mente a toda hora. A solução pratica diante dos dramas e problemas que descortinam a minha volta. A vontade de fugir é imensa, quando às 4 da tarde me vejo chorando no ônibus a caminho da dentista  sem motivo aparente. 
Eu quero fugir outra vez. Eu quero voltar pra onde eu estava, mas onde estava não é solução para os meus problemas. 
— Você aponta o outro sempre. Você consegue perceber isso em suas falas?
—  Sim. Eu percebo, eu sei que transferir a culpa dos meu problemas para os outros e pensar que estar longe deles(os outros)  é a melhor solução, quando na verdade deveria ficar e encará-los, dizer tudo que está preso na garganta. Mas só de pensar no desconforto e na dor que tais ações acarretariam o medo me faz recuar. A ideia de fugir volta à mente. 

— Fugir de quem? Quem você não deseja perto de você? 
— Eu quero uma vida independente, só eu. A minha mãe e irmãos continuariam,  mas ele não.  Eu não o  quero na minha vida, ele não sabe quem sou sou,  ele negou sua paternidade, sempre fez questão de expressar que eu era um fardo para ele, embora estivesse presente diariamente nos últimos 20 anos. Tenho a impressão que não tenho um pai, tenho um pai financeiro. A figura paterna não existe.

— O que seria a figura paterna? 

— Não é nenhuma idealização de ficções, mas alguém presente na minha vida não apenas financeiramente, mas emocionalmente. Eu o odeio! Eu não o quero na minha vida, quanto mais distante melhor. Ele disse que não vai mudar sua forma de agir, sendo assim eu prefiro recuar, mas tenho medo de deixar alguma ponta solta. Algo inacabado. 

—  Mas  o medo de deixar uma ponta solta não é vontade   de solucionar o problema?

— Não sei, talvez... No tempo em que estive distante quis resolver o nosso problema de relacionamento ou melhor dito, a inexistência de relacionamento, no entanto declinei, fugi, quis evitar. Manter a distância era confortável. Eu não contava com a volta, ele não contava com a volta.Com o tempo vieram os ataques, as indiretas.  Ele não é capaz de ser maduro e direcionar seu dialogo a mim. Sempre por meio de indiretas que para quem sabe ler um pingo é letra. Assume o papel de vítima, mas de é incapaz de ver-me como vítima também. 

— Você percebe em suas falas  que você sempre  fala do outro?

 Onde ele quer chegar?  Repetir a mesma fala é uma provocação? Se for, consegui. ' Pensei.'
Naquele momento já não suportava mais encará-lo. Queria sair dali. O incomodo era reciproco. 



Eu em face aos  meus demônios e um dia de sábado.


I, I am a new day rising
I'm a brand new sky
To hang the stars upon tonight
I, I'm a little divided
Do I stay or run away
And leave it all behind?

It's times like these you learn to live again
It's times like these you give and give again
It's times like these you learn to love again
It's times like these time and time again

            


Stress Anxiety Depression - by John Ashton Golden-  May 24th, 2011.  



Hoje mais cedo rolando o feed do Facebook me deparo com um texto, cujo título é : "O verdadeiro lado da vida de um ansioso". O texto descreve com precisão cirúrgica muitas das coisas que passo desde que desenvolvi um quadro de T.A.G. Outra observação que faço é sobre algo que me incomoda bastante: o tratamento que muitas pessoas dispensam à ansiedade, nesse grupo inclui médicos, muitos deles descapacitados para identificar o problema e conduzir pacientes ao tratamento adequado. Tratam como algo simples e superficial, o que está longe de ser. Tenho batalhado muito para chegar aos porquês de ter chegado a este quadro. Espero me curar, ou saber dialogar com ansiedade, tê-la como companheira e dizer-lhe a hora certa de tomar seu devido lugar.

"Não há como entender a ansiedade sem mostrar o que se passa na cabeça de uma pessoa ansiosa. Este texto será uma viagem dentro da cabeça de um ansioso. E só para constar: ansiedade não é esperar por um telefonema, como dizem outros textos. É uma patologia, que se não trabalhada, evolui para pânico, depressão e até suicídio. 

Dormia e me remexia na cama, o coração apertado, a respiração ofegante. Pensava:
— Eu deveria estar dormindo melhor, por quê não me acalmo?
Estou com sono, quero dormir em paz.
Me reviro, me reviro e começo a despertar aos poucos.
Olhei para o relógio. Eram 07:30.
Mas como se fui dormir às quatro?
Lembrei que cheguei um pouco alegre, derrubei algumas coisas, mas estava bem.
Passei a lembrar daquele pub, muito Rock n`Roll, muitas pessoas bonitas, mas o clima era pesado.
Voltei a tentar dormir, não conseguia.
Fui ficando com frio, mais frio e os pensamentos de culpa não saíam de minha cabeça.
Pensava que logo teria que me arrumar para viajar, mas não me sentia bem.
Como sairia daquela cama sem me sentir bem?
Coração acelerado, frio, enjoo e dor de barriga.
Decidi me levantar e tomar um banho.
Durante o banho, sentia aquela ducha quente tentar me acalmar.
Tentava me convencer de que aquela ducha me acalmaria.
Coração apertado, ofegante e cabeça a mil.
Começava então a me culpar.
Você não conseguiu nada de útil em sua vida até hoje. Quem é você? Quando terá uma vida melhor? Por quê não consegue levantar cedo e ir caminhar como as pessoas sãs conseguem?
Você está sozinho, está longe de tudo e de todos.
Quem é o seu grupo? O que faz neste mundo?
Quantos anos você tem? Como esperava que sua vida estivesse quando atingisse esta idade?
Onde mora? O que te pertence?
Quem te pertence?
O que você fez até hoje?
Para onde quer ir?
Por quê não está estudando mais?
(...)
Por quê todos conseguem rir menos você?
Como queria que sua vida fosse?
Por quê não existe naturalidade em nada que faz?
Por quê você não pertence? Por quê sonha com coisas tão inalcançáveis?
E se tivesse escolhido outro caminho?
Como será o futuro?
Esta tortura psicológica irá passar um dia?
Quando serei feliz de verdade?
Quando poderei ver meus valores e seguir com segurança?
Segurança?
O que isto significa?
Não estou seguro.
Esta cidade está um caos.
Demorarei séculos para chegar a algum lugar.
Tudo caro.
Quando terei um lar próprio?
(...)
O que eu gosto?
Poucas coisas eu gostei em minha vida. Dança, filmes, momentos raros, abraços raros, praias raras, sensações de pertencimento raras.
Por quê todos conseguem se divertir com coisas banais e eu não?
Por quê não pertenço?
A onde pertenço?
Quero viver, sonhar, voar, mas para onde?
Teria coragem de voar?
Tenho medo, muito medo.
Quero conquistar o mundo.
Que mundo?
Teria eu habilidade para dominar este mundo?
Será que fiz escolhas que me trouxessem sanidade?
Ou será que escolhi o caminho que será mais tortuoso?
Mas se tivesse escolhido o caminho mais fácil, seria eu feliz, sem me intrigar?
Oh, quantas indagações…
Ignorância realmente é uma benção…
Será que todos são assim como eu?
Estou com medo de sair de casa.
Que lugar é esse?
Pertenço a aqui?
Meu estômago ainda recusa o pensamento de comida, meu coração não desacelera.
Deveria eu tomar um calmante?
Mas e se eu tomar calmante e não relaxar?
E se eu só relaxar com calmantes no futuro?
Como lidarei com problemas maiores em minha vida se não consigo lidar com as pequenas pressões de hoje?
Pequenas pressões?
Seriam pequenas as pressões de tentar se criar uma identidade neste mundo cheio de pessoas tão melhores do que eu?
Auto estima…
Por quê penso eu que estas pessoas são melhores?
Você deveria trabalhar melhor esta auto estima ai…
Cansado.
Cansado de pensar tanto.
Só queria relaxar e ser ignorante.
Queria não querer saber de tudo.
Queria ter o mesmo sorriso leve das pessoas na rua.
Como são suas vidas?
São completas?
Ou seriam todos fúteis querendo comprar a felicidade num shopping?
Ignorantes, felizes todos os ignorantes…
Estou eu ficando doente?
Por que não me sinto bem?
Preciso de terapia…
Terapia é caro! ó meu Deus, nada tem solução!
Onde estará a felicidade em mim mesmo?
Seria eu feliz quando estiver velho?
Quando já tiver vivido tudo o que tinha para viver e já saberia como foi minha vida? Sem medo do que será o futuro que já teria passado?
(...)
Oh vida feliz de Disney, onde estará?
Oh Príncipe encantando, existes?
(...)
Quando virei uma pessoa tão realista? Para onde foram os sonhos? A vida teria graça em si? Ou nós faríamos esta graça? O que será do amanhã? E o agora? Deveria estar vivendo o agora. Ainda estou neste banho e estou cansado, cansado de pensar, cansado de sofrer. Quero ser leve. Quero ser livre. Quero morrer. Haveria liberdade nos céus? Mas a igreja criou o céu? O que há depois daqui? Não, não quero mais morrer, quero encontrar a felicidade aqui. Aqui. E aqui. Estou cansado de pensar. Vou ligar uma música. E assim os pensamentos se esvaem no modo automático de se viver, onde todos aqueles ignorantes vivem. Oh dom incoerente o de pensar e questionar. Oh dom causador de toda esta necessidade de ser ter o controle sobre tudo. Oh maldita necessidade de acelerar as coisas e controlar aquilo que não posso. Oh vida…
Sai do banho, tentava ver o mundo como algo a que pertenço e começava a arrumar minhas coisas para viajar. Aos poucos o coração foi desacelerando. A crise de ansiedade ia passando… O corpo se aquietando. E a busca por um dia de paz se iniciava… Os prantos e as orações para alguém que talvez estivesse me olhando invadiam o peito e a paz ia entrando. Como fazer para manter esta paz? Já não se sabia mais, afinal, de que adiantava pensar tanto? Ligava o botão do desligamento e do modo automático e sonhava com uma vida tranquila numa varanda, numa rede e um copo de café. Ah não, desta vez, chá, porque café incita a ansiedade.

Caros, esta foi uma viagem dentro da cabeça de um ansioso. Chamo suas atenções para um problema que está dominando a sociedade atual. Estamos vivendo em um mundo competitivo e vivemos sob muitas pressões. Muitos de nós já acordamos com taquicardia, respiração ofegante e medos. Medos de como será o futuro. Medos de, se a pessoa que está conosco, está de fato conosco, medo de viver. Esse medo de viver, nos coloca dentro de uma caixa de pensamentos auto destrutivos que precisam ser buscados em sua origens e tratados.(..)  Ansiedade é normal, mas passando de certo ponto, há de se investigar sua causa e tratamento. Pensar demais pode levar à um quadro de loucura e perda de controle de seus pensamentos, que podem levar à síndrome do pânico, a ataques violentos e até ao suicídio. (..)  Ansiedade não é bobeirinha de querer que alguém responda rápido a uma mensagem. Não é só roer as unhas. É tremer, perder o controle e se questionar se ainda somos sãos. Se ainda somos donos de nossas escolhas. Não banalizem um problema sério da sociedade atual!"


via: MagObvius









Nos últimos dias me sinto bloqueado emocionalmente, não completamente bloqueado. Um estado indefinido. Nenhum substantivo o nomeia.
 Músicas me acompanham. Algumas acalmam,  algumas golpeiam insistentemente a mente com seus refrões.  
Entre Carrow, Jung e Campbell uma pergunta renitente açoita minha mente: Quem é você?  Eu não sei!  Eu tento olhar para dentro, mas o medo do que verei é maior e vacilo covardemente ou instintivamente porque talvez não seja o momento certo.  Existe momento certo?
Não é sobre nome, gostos, idade, RG. É sobre tudo e sobre nada. Sim, Nada! Nada e puro nada. Talvez eu não seja nada, contrariando qualquer tratado cartesiano. É sobre ser, que não sei  quem é, como é , que talvez exista ou  não exista  ou precise ser re-des-construído. 


Alices's quotes I, II e III "significados". 'Quem é você?' é uma pergunta enigmática capaz de retirar de órbitas corpos ina/animados. Pode parecer ser simples a um olhar desapercebido, mas  que cedo ou tarde toma nossa atenção, de simples passa a intricada, descortiná-la pode levar uma vida ou várias. Vale a pena? 

 
             






Perdi a liberdade de escrever sobre certas situações da minha vida após compartilhar o endereço do blogue com uma pessoa, o qual, foi citado inúmeras vezes neste espaço. Se foi um erro, não sei. Não há absolutamente nada do que foi escrito sobre ele que ele não saiba ou tenha sido dito por mim a ele. A mudança de endereço não é subterfúgio para falar mal dele, mas para garantir a expressão dos meus sentimentos livremente e sem nenhuma censura a partir deste momento na minha vida. 
No embalo disso optei por um endereço que refletisse o nome do blogue, embora em outra língua, o Latim.  
   


                                       


2015 não foi o melhor de meus anos em grandes aspectos (saúde principalmente), mas posso dizer que muitos passos adiante foram trilhados, algumas situações que me agoniavam se encaminharam outras ainda falta muito a percorrer, outras necessitaram de grandes quantidades de energia para começarem a  ser resolvidas.

Desde de 2014 me encontrava perdido em relação ao futuro da minha vida profissional, em especifico sobre qual carreira seguir. Este ano acho que encontrei a ponta do fio da meada. Acho, simplesmente porque é um terreno incerto todavia, não posso afirmar com total certeza se encontrei a profissão que quero seguir e que ocupara grande parte de tempo da minha vida, porquê estou construindo os alicerces do que pode vir a ser várias carreiras. 

Em julho me matriculei em curso técnico em química, precisava fazer algo e tinha uma necessidade latente de voltar estudar. Não quis arriscar nenhuma graduação com tanta dúvidas pairando em minha cabeça, o resultado não poderia ser positivo como relatei em posts passados. Escolhi um curso técnico em química, me baseie nos melhores resultados das disciplinas que tive enquanto cursava Eng. no momento em que o escolhi.Posso dizer que gostei, continuo gostando e arrisco a dizer que foi uma escolha acertada e talvez será um forte indicativo sobre qual graduação seguirei após o término do curso. Também agradeço a uma pessoa que deixou um comentário neste sugerindo que fizesse este curso. Obrigado! 

Outro elemento que contribuiu para que me sentisse mais seguro quanto a minha escolha foi ter escutado em uma aula de psicologia organizacional neste semestre que nossas escolhas profissionais não surgem no momento em que nos matriculamos em um curso de graduação, mas são resultados de um processo compostos por experiências que podem começar na infância. Estar atento a esse aspecto é importante. Olhando para o passado, vejo que meu interesse pela química surgiu quando quando escutei a primeira vez a palavras elétron em um curso de de manutenção de computadores quando tinha 13. Desde então nutro grande interesse  por esta ciência. 

Agora enxergo clararamente como uma sucessão de experiências neste campo me levaram a onde estou hoje. Afirmo com total certeza que esta foi a melhor coisa que me ocorreu este ano. Estar em bancada de laboratório é algo super prazeroso.


Resoluções de Ano Novo


Como disse neste posto, há um bom tempo que não faço resoluções de ano novo, porque ao final não resulta em nada e raramente realizei aquilo que planejara. Mas este ano contrariando esse pensamento resolvi fazer porquê sim e não sei o porquê, simplesmente porquê sim e porque meu deu vontade. Não será nada surreal e aparentemente irrealizável dentro da rotina de um ocidental, (acredito eu),mas apenas necessidades urgentes em minha vida, as quais independem de uma ano novo para serem planejadas e implementadas e surgiram a partir de uma consulta médica algumas semanas e que há muito tempo as protelava. Não tive clima para implementá-las em 2015. Estou de férias e esse último mês me dei ao luxo de viver preguiçosamente. Quero aproveitar do espírito coletivo das pessoas que acreditam que mudanças ocorreram após os 10 segundos finais do dia 31. 

I. Voltar ao patamar de dois minutos de mente limpa, alcançados com meditação em 2012 e que o ritmo de vida corrida que iniciou-se com aquele ano fez com isso fosse perdido completamente.

II. Atividade física. Não quero depender de remédios para o resto da vinha vida para corrigir minhas deficiência de serotonina e dopamina. Segundo minha médica, atividade física regular auxilia na produção desses neurotransmissores e conseguem em algumas pessoas manter níveis regulares sem que necessitem recorrer a medicamentos. Espero ser uma dessas pessoas. 

Feliz 2016!!!


                                  







[..] Alicia casi se había olvidado de la Duquesa, y tuvo un pequeño sobresalto  cuando oyó su voz muy cerca de su oído.
«Estás pensando en algo, querida, y eso hace que te olvides de hablar. No puedo decirte en este instante la moraleja de esto, pero la recordaré en seguida».
«Quizá no tenga moraleja». -- se atrevió a observar Alicia.
«¡Calla, calla, criatura»! -dijo la Duquesa

« Todo tiene una moraleja, sólo falta saber encontrarla».
[...] «y la moraleja de esto es... «Oh, el amor, el amor. El amor hace girar el mundo».
«Cierta persona dijo  que el mundo giraría mejor si cada uno se ocupara
de sus propios asuntos».  -- rezongó Alicia.
«Bueno, bueno. En el fondo viene a ser lo mismo». 
«Y la moraleja de esto es...: Cuídate del sentido que las rimas cuidarán de sí mísmas». -- dijo la Duquesa.



A esta altura tinha-se esquecido totalmente da Duquesa, e teve um leve sobressalto quando ouviu a voz dela em seu ouvido:
“Você está pensando em algo, minha querida, e isso faz você se esquecer de falar. Não posso lhe dizer agora qual a moral disso, mas daqui a pouco me lembrarei.”
“Talvez não tenha nenhuma”,Alice arriscou-se a observar.
“Ora, ora, minha criança!” disse a Duquesa. “Tudo tem uma moral, basta saber encontrá-la.”
[...] a moral disso é... ‘O amor, o amor que faz girar o mundo!’”
“Ouvi alguém dizer”, murmurou Alice, “que isso ocorre quando cada um cuida de seus próprios interesses!”
“Exatamente! Quer dizer a mesma coisa” [..] “e a moral disso é... ‘Cuide dos sentidos, que os sons cuidarão de si mesmos.’”




                         









"Eu não sabia que gatos de Cheshire  sempre sorriem; para dizer a verdade, eu não sabia que gatos podiam sorrir." 
"Todos podem", disse a Duquesa, " a maior parte o faz."  
"Não conheço nenhum que o faça", disse Alice muito polidamente. 
"Você não sabe de muita coisa", disse a Duquesa, "esta é a verdade."

[..] Alice tomou um susto ao ver o gato de Cheshire sentado num galho de árvore poucos metros adiante. O gato apenas sorriu ao ver Alice. 
"Gatinho de Cheshire, você poderia me dizer por favor qual o caminho para sair daqui?"
"Depende muito de onde você quer chegar." disse o gato. 
"Não me importa muito onde", foi dizendo Alice. 
"Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá", disse o gato.
"Desde que aqui chegue a algum lugar". Acrescentou Alice, explicando.
"Oh, esteja certa de que isso ocorrerá, desde que você caminhe bastante." 

"Mas eu não quero me encontrar com gente louca." Observou Alice.

"Oh, não se pode evitar" [...] "Todos são loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca." 

"E como sabe que eu sou louca?"

"Você deve ser ou então não teria vindo aqui".




              



O porquê do nome

Os elementos que compõem o Universo assemelham-se em seus respectivos funcionamentos, seja sob o aspecto macro ou micro - o átomo com suas partículas constituintes, os grupos de galáxias, os sistemas solares, os buracos negros e os seres humanos. Pode ser que seja apenas um Universo, mas há que diga que são vários e paralelos entre si e poder-nos-íamos existir em todos ao mesmo tempo.

Acredito que nós nos assemelhamos com o funcionamento de um Universo, seja ele macro ou micro. Compostos por elementos que orbitam nosso interior e exterior: sentimentos, pessoas à nossa volta, pessoas que nos influenciam, algumas por nossa vontade, outros por forças alheias a nós. Poderia enumerar uma infinidade de coisas. Cada qual sabe os elementos que compõe seu universo.

Neste planeta como somos muitos, existem vários, todos paralelos entre si. Eu sou um deles. Este blogue é uma fração do que o compõe, expresso no espaço-tempo, este último, influenciado pela gravidade dos corpos que orbitam-no, sejam virtuais, pessoais, imateriais, artísticos e científicos. Pode parecer confuso, metafórico, uma apropriação inapropriada de teorias científicas postuladas no último século. No entanto, descreve-me, em sua totalidade dá origem ao nome deste blogue


Blogosfera 

Passados mais de um ano desde que por aqui me aventurei, posso dizer que foi e é uma experiência positiva. Escrever essa série de posts me fez relembrar e retornar ao propósito original do blogue, o qual em alguns momentos eu perdi, diante de fase ruim que vivi alguns meses atrás e que me fez questionar a validade deste espaço e sua razão de existir. Pensei em excluí-lo algumas vezes, acredito que seja um pensamento recorrente na cabeça de muitos blogues. 

Por essas bandas tem gente interessante, encantadoras, divertidas, ácidas, solidárias, que através das palavras me encantam. É um ambiente um milhão de vezes menos tóxico que outras redes sociais, embora já tenha lido coisas que altamente tóxicas. Faz parte. 

O blogue pode ser meu, posso escrever o que que vier na telha. Mas escrevo baseado em meus princípios e tento ser livre de qualquer senso comum que contribua para a segregação de qualquer minoria quando opino sobre algum assunto. Minha orientação política é de esquerda e sou fortemente influenciado por pensadores marxistas, resultado de minha formação escolar. Não me arrependo nenhum pouco disso, nem teria como. 

Segundo as estatísticas do blogue que não são nada fiáveis, recebo visitas de vários países do mundo, mas creio que leitores sejam apenas pessoas de países de língua portuguesa ou de regiões onde a língua é minoritária, as demais visitas acredito serem em razão das imagens postadas no blogue. Em suma, portugueses e brasileiros. Recebi o pedido de uma editora romena, pedindo autorização para usarem uma imagem de um post em um livro, Os kama ssutras modernos". A imagem não era minha e a encontrei no Facebook, não podia dar autorização alguma.

Quanto ao anonimato, prefiro mantê-lo. Ainda não tenho culhão para para pôr minha foto no perfil. Tive de fazer alguns ajustes em contas de e-mail para que o que blogue não corresse o risco de ser encontrado por alguém que não fosse da minha vontade em partilhá-lo (Familiares, recrutadores de emprego, colegas de turma...). Não há nada de mais, mas um ou dois posts que há exposição de algumas coisas que considero too much information para as pessoas listadas acima, como o da barbie que traz pessoas até aqui através de buscas no Google pelos termos: "Barbie e Ken". Provavelmente inocentes garotinha ou garotinhos que espero que não leiam uma linha do que está escrito. Posso dizer que virginianos sofrem preconceito. Não entendo por que um aplicativo russo parecido com o Tinder traz a pessoas um blogue escrito por uma gay? Estou sendo preconceituoso com os russos. O post mais acessado chama-se Itália e me deixa um bocadinho envergonhado. Pelo visto quem não goza gostoso inferniza a vida dos outros, é isso que o Google me diz.




             





Continuação


Era Abril de 2014. 

Deitado em minha cama olhando para o teto, eu refletia sobre os rumos que a minha vida estava tomando e as mudanças que se avizinhavam, como costumeiramente faço nos momentos em que sinto-me perdido. Lembrei-me dos tempos em que navegava pela blogosfera. Já faziam 4 ou 5 anos que não caminhava por esse Universo, me vieram à mente algumas histórias que lia, à época não as entendia muito bem, por nunca ter vivido nada parecido, naquele momento já me eram familiares e podia compreender a natureza daquelas palavras e sentimentos descritos. Movido pelas lembranças, decido buscar pelos blogues que eu seguia. Quando adolescente usava o computador de casa e os navegadores não tinha sincronização de contas, muitos menos navegação anônima, ao final de cada navegação tinha de apagar o histórico. Sendo assim, não tinha meios de me lembrar seus nomes, exceto um, talvez por ser o que mais lia,"A dama de Cinzas". Hoje não mais alimentado. A partir desse encontrei outros e mais outros e boa parte dos que sigo hoje. Readquiri um hábito antigo, passei novamente a frequentar blogosfera. 

Dois meses mais tarde, em Junho, depois de alguns anos navegando por essas paragens a descontar o hiato de alguns anos, sinto que era hora de criar meu blogue e passar a compor efetivamente parte deste Universo. Não tinha nome em mente, nenhuma ideia para o escopo, e muito pouco conhecimento de programação web, mas levei adiante a ideia. Chamar-se-ia "Dominus blog's. Nada muito criativo, mas à época foi o que me veio à cabeça. Era sua gestação. Eu passava por um momento conturbado, onde precisei usar de toda a maturidade que dispunha para contornar ou lidar com situações, as quais não contavam no roteiro que havia escrito. Uma graduação inacabada, um amor não correspondido que deixou meu coração aos pedaços e o retorno à casa de meus pais. A volta à casa foi e é efetivamente o ponto crítico, porque eu teria que lidar com os fantasmas do bullying na infância, o péssimo relacionamento com meu pai e relembrar o quão infeliz foi minha adolescência. Eu fugi deles. Eu precisava disso. A liberdade era o que mais ansiava, embora hoje, a reconheça limitada. 

Infelizmente e felizmente revestimos e carregamos os espaços de lembranças, ausentar-me deles fez com que não precisasse lembrar-me diariamente daqueles eventos. Não que eu vivesse a relembrá-los, mas há coisas que marcam com intensidade e fazemos associações com lugares e pessoas. Quando decidi retornar me pus apreensivo com medo que tudo voltasse a se repetir. Nesses três anos e meio em que passei fora  não esqueci nada disso. Tornaram-se diluídos. Embora soubesse que estavam lá, a espera para serem superados. O novo ambiente em que vivi me proporcionou viver ***"livremente", fazer boas associações, amadurecer e principalmente a encarar as situações de frente, por mais difíceis que sejam, e mesmo assim, a preocupação era evidente com a volta e com tudo que ela me traria. 

O blogue seria meu escape para lidar com tudo que estava por vir. Por mais ruim que seja, a escrita é minha melhor forma de expressão, a melhor maneira que tenho para entender e processar o que acontece em meu Universo. Poderia escrever em diários, mas três diários que eu havia escrito foram roubados quando tive uma mala levada em assalto um ano antes.

O primeiro post foi publicado dia 3 de julho de 2014. Em Agosto, se não me falha a memória tive uma epifania quando lia algo alguns textos sobre o comportamento do universo e percebi que pessoas se assemelham a Universos. Resolvi que o blogue chamar-se-ia Universo Paralelo. A partir de então iria percorrer no espaço-tempo descrito por mim. Sou produto não dissociado do passado. Passado e presente se funde em alguns pontos. Conhecer-me implica olhar o passado, percorrê-lo para entender o que sou hoje e o traçar os caminhos de um futuro sem sombras.  O exercício da escrita tem sido fundamental para esta construção. Escrever essa série de poste me fez ver o quão benéfico e necessário é o exercício de auto análise e da autodescoberta, me fez lembrar que há muitas coisas a serem encaradas, digeridas e postas para fora, são estas as principais razões da existência desse blogue. 

*** Eu pensava que vivia em completa liberdade, mas estava enganado. Era uma liberdade limitada pelos elementos  que descrevi no texto. É  possível perceber os quais me refiro.


Continua....

               
                              



Em razão do aniversário de um ano do Universo Paralelo ocorrido em Julho passado, decidi escrever três posts para explicar  o porquê da sua existência, suas origens e significados e modificar o leiaute do blogue. A ideia original era publicar estes posts quando o blogue fizesse aniversário de um ano, no dia 3 de Julho, mas nesta altura não estava muito bem e resolvi adiar. 

Origens 


Era final da infância. 

Por volta dos 13 anos, a perda da inocência me arremessou no universo de maldades do ser humano. Enxerguei as raízes do bullying da infância, das surras injustificadas do meninos da rua, dos lembretes dos parente para reagir diante das surras e para engrossar a voz, 'porque homem bate, não chora', mesmo cientes que os garotos da família quando criança tinham a voz aguda. Nunca gostei de violência e também era magro e pequeno, eles eram grandes e alguns. Eu não tornava a minha voz aguda por querer. Era assim e pronto.

Não tive uma infância infeliz porque à época não tinha maldade suficiente para enxergar o viés por detrás das agressões que sofria. Fui sim, um adolescente infeliz quando entendi como as pessoas me enxergavam. Eu não aceitava o que diziam. Eu não era o que falavam. Eu era uma criança, sem nenhum desejo sexual, incompatível com o teor de seus insultos. Enxergar o preto no branco me fez entrar em uma depressão expressa, por um transtorno obsessivo compulsivo que durou três anos. Neste período me tornei mais introspectivo do que já era, me fechei ao mundo como uma ostra, me reprimi e tornei-me o máximo inexpressivo que pude.

Passei a odiar todas as pessoas que me insultaram, desejava mais que tudo ter poderes especiais, como os "X-Mens ou os heróis da liga da justiça. O desejo de vingança era grande. Os meus refúgios eram os livros e os blogues, este último foi fundamental quando eu comecei a me questionar, se o que eu ouvi durante toda a infância poderia ser verdade, mas eu não me enxergava nas referências de homens gays que eu conhecia. Eu era diferente.

A existência de pessoas com as mesmas dúvidas que as minhas, e pessoas que compartilhavam suas experiências através de blogues, me ajudaram a iniciar os processos de descobrimento da minha orientação sexual. A aceitação veio alguns anos mais tarde, em outro contexto, quando já não frequentava a blogosfera. 

Dos 18 aos 21 anos, com ajuda de de sessões de terapia realizadas anos antes, durante a adolescência para tratamento da depressão, me senti livre dos comportamentos introspectivos e retraídos adquiridos com a depressão. O fato de ter mudado de cidade aos 18 também contribuiu para esse sentimento e progresso.

Continua....



             

Tunel Asiatique por Nicolas Malinowsky 


[...] Ai, meu Deus! Como tudo está esquisito hoje! E pensar que ontem tudo estava normal . Será que eu mudei durante a noite? Vamos ver: eu era a mesma quando levantei essa manhã? Estou quase me recordando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, seu eu não sou mais a mesma, a pergunta é: 'Quem afinal sou eu?' Ah, ai é que está o problema!".



             


Bahía de Asunción

Há um bom tempo que  não faço as tradicionais resoluções  para o próximo  ano. Nunca resultaram em nada, prefiro viver um dia  após o outro sem grandes planos. Para um ansioso o dia a dia é uma necessidade inexorável, já que a dose de ansiedade que nos move é um tantinho além da conta.  E Nesses 22 anos de estada por esse mundo aprendi que a vida é inconstante,  por mais que planejamos, dificilmente o resultado será o que prevíamos.
Na nochevieja do ano passado em Asunción eu nunca imaginária que trancaria meu curso e voltaria para casa dos meus pais, meus planos eram continuar na fronteira e  terminar  minha carreira.  Aqui estou.   Isso não quer dizer que eu não tenha sonhos/objetivos. Tenho sim,como qualquer outro relés mortal, mas para atingi-los prefiro  ir pé-ante-pé. E muito menos quero dizer, que "deixo a vida me levar", comodismo não é uma característica que se faz presente na minha vida por muito tempo.(no máximo por uma semana). 
Músicas e cheiros são referenciais dos momentos que vivi,  deixarei registrado uma lista de músicas carregadas de significados relacionados as minha vivencias neste ano, as que descobri também.   No mais, desejo um ótimo 2015 para todos que  passaram por aqui.

Aha py'ahu!  - (Ano novo em Guarani- Homenagem ao Paraguay, país que gosto muito)
 Feliz año nuevo!
   Happy new year!
       
Heureuse Année Nouvelle!

Das discos:  Os momentos mais intensos deste anos passei nesses lugares,com amigos na tríplice fronteira. 




As favoritas de 2014, que embalaram meus momentos de reflexão deitado olhando para o teto.



As descobertas Musicais

A Naifa, uma grupo português que eu classifico como o melhor Indie em língua portuguesa que já escutei. Obrigado, Leonel S. por ter compartilhado isso.

As preferidas são: A  Música e Queixas de um utente.







George Ezra, mais um músico britânico que entra para listas dos meu favoritos.






Röyksopp e The Irrepressibles entram  para a lista de bandas Indie intimistas favoritas.