Não faz parte dos cânones das canções populares que as pessoas solitárias e em estado mais ou menos grave de carência emocional se sentem em frente aos seus computadores domésticos, em vez de se deitarem a ouvir na escuridão a chuva a bater na janela, enfiem um CD qualquer no leitor de CDs, e se liguem às salas de chat, na esperança um pouco patética e desesperada de encontrar alguém, que goste igualmente de cinema, de jazz, de romances norte-americanos e poetas portugueses, com quem passar um bom bocado de conversa, que pode vir a culminar num café para se conhecerem, ou mesmo num cinema, de quem se tornem ‘amigos ou algo mais’, ou mesmo na esperança, ainda mais patética e desesperada, de duas horas de urgência e calor que acabem em manchas no lençol (...) Miguel Botelho. Elvis sobre a Baía da Guanabara e Outras Histórias. Conto: Quatro Canções. (p. 484-486). 2013. INDEX ebooks.
Ler este trecho deste conto rapidamente me remeteu ao filme argentino Medianeras, em Português:'Buenos Aires na era do Amor digital'. É um retrato da vida e lógica dos relacionamentos na era digital nas grandes metrópoles. O sentir-se só rodeado por milhões. O contexto pode ser transferido a qualquer metrópole do mundo ocidental. O filme marca pela simplicidade e crueza dos diálogos, algo característico da robotização das relações contemporâneas.
Medianeras em livre tradução é o mesmo que paredes sem janelas, divisões. O filme está disponível no catalogo da Netflix.




Dominus eu reconheço que se tivesses mais tempo em chats que mais depressa conheceria mais pessoas do que aquelas que já conheci sem ser pelo caminho "virtual" mas há sempre um receio pois as pessoas escondem-se atrás de um teclado...a era digital tem coisas fantásticas, outras nem por isso.
ResponderExcluirÉ um meio interessante de se conhecer pessoas, tenho muitos conhecido e alguns amigos que vieram assim. A questão é quando isso torna-se o único meio, caímos em um ritmo automático e deixamos de ser - Humanos.
ExcluirDominus, Gracias por la peli, mañana la veré. Ahora ya es tarde en España y me voy a la cama. Beso
ResponderExcluirLa película muy buena... te dejo un comentario del periódico que leí hoy sobre la actriz protagonista que es española...Con acento porteño y marcada por el desencuentro del amor, la española Pilar López de Ayala protagoniza la cinta argentina Medianeras , de Gustavo Taretto
ResponderExcluir"Había que hacer creíble una porteña. Los españoles tendemos a exagerar, a hacerlo muy cantarín. Pero nos pusimos a trabajar en ello y ha colado", asegura López de Ayala, que fue descubierta por Gustavo Taretto en la cinta de José Luis Guerín, "En la ciudad de Sylvia". "Me dijo que si podía hablar francés en esa película, también podría hablar argentino", bromea.
¿Me pregunto yo sí un actor portugués podría pasar por un brasileiro.... ?
Un saludo
No podría imaginar que la chica es española. Su acento porteño es muy convincente. Sí, hay actores portugueses haciendo novelas en Brasil y para que logren papeles de destaques que no sean siempre "O portuga", hablan sin acento y suenan convincentes como Pilar, sin embargo, lo que hablan no es acento de ninguna parte de Brasil, sino un acento artificial, hablado en las teles solamente, como los otros actores brasileños.
Excluir¡Qué bien que te ha gustado la peli! Me quedo feliz.
¡Saludos Luiz!