Nunca antes a palavra maturidade me pôs a pensar sobre seu significado e como esse significado se relaciona comigo. Em uma única circunstância fui em busca da maturidade que eu julgava ter em período anterior em que me julguei maduro, entretanto, ao olhar a tal maturidade, percebo que este domínio que buscava em nada se relacionava como conceito de maturidade difundido na sociedade. Quando me pus como maduro, na verdade eu estava consciente dos processos de transformação e tomada de consciência que meu ser vivenciou à época. Na ocasião em que busquei pelo ser que eu pensava ser maduro eu estava a procura de maneiras de estancar o sofrimento que carregava e de algum modo ainda carrego. Hoje, maturidade me remete à escalar uma montanha, onde o topo fosse o máximo a ser atingido e não me envolve de nenhum modo. É um conceito relativo, categoriza seres humanos em patamares distintos. Essa classificação me deixa desconfortável. De todas as transformações que tenho vivenciado nos últimos meses, já mais me senti maduro por consegui encarar meus demônios, lutar contra eles e seguir lutando em busca de ajudá-los a encontrar a luz. A consciência que vem sendo adquirida nesse processo a nomeio por transformação. Eu me transformei e continuo a me transformar.
Não sei. Sim, não sei. Não sei. Nada além de não sei. O não saber me perturba; perturba ao ponto de me conformar com o não saber, aceitá-lo, absorvê-lo em toda sua abstração; seguir em frente sem saber, deixá-lo aqui, observá-lo, mas incapaz de nomeá-lo ou descrevê-lo, além do não saber. Conformar-me, é o que há. Se não termino e não ponho fim à necessidade latente de saber, vou me enveredar num ciclo de voltas que terminam num mesmo ponto: O não saber. Agora o admiro, convivo, mas não deixo de olhá-lo como uma fera, um oponente que a todo momento pode me atacar. Tenho de estar pronto, em alerta, beber e comer ao lado do inimigo, a espera da melhor oportunidade de aniquilá-lo ou ser aniquilado. O não saber, sou Eu. Por que o não saber, é permanência de estado, sem prazo, sem futuro, sem passado - não termina.
— Fugir, fugir, fugir. Essa ideia assalta minha mente a toda hora. A solução pratica diante dos dramas e problemas que descortinam a minha volta. A vontade de fugir é imensa, quando às 4 da tarde me vejo chorando no ônibus a caminho da dentista sem motivo aparente.
Eu quero fugir outra vez. Eu quero voltar pra onde eu estava, mas onde estava não é solução para os meus problemas.
— Você aponta o outro sempre. Você consegue perceber isso em suas falas?
— Sim. Eu percebo, eu sei que transferir a culpa dos meu problemas para os outros e pensar que estar longe deles(os outros) é a melhor solução, quando na verdade deveria ficar e encará-los, dizer tudo que está preso na garganta. Mas só de pensar no desconforto e na dor que tais ações acarretariam o medo me faz recuar. A ideia de fugir volta à mente.
— Fugir de quem? Quem você não deseja perto de você?
— Eu quero uma vida independente, só eu. A minha mãe e irmãos continuariam, mas ele não. Eu não o quero na minha vida, ele não sabe quem sou sou, ele negou sua paternidade, sempre fez questão de expressar que eu era um fardo para ele, embora estivesse presente diariamente nos últimos 20 anos. Tenho a impressão que não tenho um pai, tenho um pai financeiro. A figura paterna não existe.
— O que seria a figura paterna?
— Não é nenhuma idealização de ficções, mas alguém presente na minha vida não apenas financeiramente, mas emocionalmente. Eu o odeio! Eu não o quero na minha vida, quanto mais distante melhor. Ele disse que não vai mudar sua forma de agir, sendo assim eu prefiro recuar, mas tenho medo de deixar alguma ponta solta. Algo inacabado.
— Mas o medo de deixar uma ponta solta não é vontade de solucionar o problema?
— Não sei, talvez... No tempo em que estive distante quis resolver o nosso problema de relacionamento ou melhor dito, a inexistência de relacionamento, no entanto declinei, fugi, quis evitar. Manter a distância era confortável. Eu não contava com a volta, ele não contava com a volta.Com o tempo vieram os ataques, as indiretas. Ele não é capaz de ser maduro e direcionar seu dialogo a mim. Sempre por meio de indiretas que para quem sabe ler um pingo é letra. Assume o papel de vítima, mas de é incapaz de ver-me como vítima também.
— Você percebe em suas falas que você sempre fala do outro?
Onde ele quer chegar? Repetir a mesma fala é uma provocação? Se for, consegui. ' Pensei.' Naquele momento já não suportava mais encará-lo. Queria sair dali. O incomodo era reciproco.
Eu em face aos meus demônios e um dia de sábado.
I, I am a new day rising
I'm a brand new sky
To hang the stars upon tonight
I, I'm a little divided
Do I stay or run away
And leave it all behind?
It's times like these you learn to live again
It's times like these you give and give again
It's times like these you learn to love again
It's times like these time and time again
Continuo constantemente me sentindo insatisfeito, melancólico. Como se faltasse sempre algo, como se a felicidade estivesse sempre a um passo, mas um passo que eu nunca fosse capaz de dá-lo.
É uma sensação inimaginável e debilitante, que me faz sentir só, mesmo quando estou em companhia de outras pessoas. É desgastante; É um verme que come suas estranhas lentamente.
Cada manhã sinto esta estranha sensação de “vazio”, aos poucos parece atenuar-se, mas não desaparece por completo. Continua latente, como se fosse um stand by. Você sabe que está aí, mas não o incomoda tanto. É como se fosse um bip de alarme a soar distantemente. Algumas vezes o lembra que não é feliz, que não basta a si mesmo porque amor não é feito de si próprio, o lembra que o ser humano não nasceu só, mas que tem necessidade de uma vida social verdadeira.
Continuo acreditando que esta sensação é típica de quem não aceita a si mesmo. (...)
Quero compreender o que me faz sentir assim. Quero compreender o que provoca em mim e a quê compete. Quero derrotá-la! Quero vencê-la! É um tumor. Um câncer da alma. (...)
Compreendo agora, finalmente, que seria nada mais que um ato de vergonhosa resignação.
Decidi comportar-me como um homem, pelo menos uma na vida. Isto está transformando-me num guerreiro. Gosto de imaginar-me como um soldado da paz, pronto para lutar e destruir os sentimentos que me assaltam.
Agora, como já disse, estou estudando o inimigo. Devo compreender seus hábitos para aniquilá-lo. Não consigo imaginar que seja mais simples morrer. Quero viver, mas ao meu modo. Espero um dia, poder ser feliz de verdade. Fragmentos traduzindos do capítulo X do livro: "Io sono gay...Al meno cosi credo" de Salvatore Savasta, Palermo 2014.
Sinto uma epifania quando algo "traduz" ou descreve perfeitamente o que sinto, ao contrário do trecho a sensação de vazio me invade no fim do dia, no ônibus de volta à casa, às sextas à noite.
Versión en Español: Soy gay, al menos eso creo
Continúo, perennemente, sintiéndome insatisfecho, melancólico. Como si faltase siempre algo. Como si la felicidad fuera siempre a un paso, pero que yo fuera incapaz de darlo.
Es una sensación increíble y debilitante. Te hace sentir solo incluso si estás en compañía. Te desgasta. Es un extraño gusano que te carcome lentamente desde dentro.
Cada mañana siento esta extraña sensación de “vacío”. Luego, poco a poco, parece atenuarse, pero no desaparece en realidad. Se queda latente, como si fuera un stand by. Sabes que está ahí, pero no te fastidia. Solo de vez en cuando te recuerda, como una suerte de timbre de alarma, de que no eres feliz. Que no te bastas a ti mismo porque el amor no se hace a sí mismo. Que el ser humano nació solo, sino que tiene necesidad de una vida social verdadera. Yo continúo creyendo que esta sensación es típica de quien no se acepta a sí mismo. (…) Quiero comprender lo que me hace sentir así. Quiero comprender lo que provoca en mí y de qué dependa. ¡Quiero derrotarla! ¡Quiero vencerla! Es un tumor. Es un cáncer del alma. (…) Comprendo, ahora, finalmente, que sería nada más que un acto de vergonzosa resignación. He decidido comportarme como un hombre, por una vez en la vida. Esto me está transformando en un guerrero. Me gusta imaginarme como una suerte de paladín de la paz, listo a luchar para destruir las sensaciones que continúan asaltándome. Ahora, como ya dije, estoy estudiando al enemigo. Debo comprender sus hábitos para aniquilarlo. No logro imaginar que sea más simple morir. Quiero vivir, pero debo hacerlo a mi modo. Espero, un día, poder ser de verdad feliz.
Eu tenho 22 anos. Hoje eu descobri que eu não aceito a minha homossexualidade. Eu estive enganado por todo esse tempo. Não aceitar minha homossexualidade, talvez seja o "menor" dos problemas. O maior deles, é o "medo profundo" da rejeição dos outros.
Escrito há alguns meses. Não sei estimar a data, mas foi após uma sessão para iniciar uma terapia. Continuo não aceitando-a. Pode soar contraditório, para mim também o é.
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