Universo Paralelo - Um ano: post #1 | Universo Paralelo

Universo Paralelo - Um ano: post #1

Por 04:14 8 comments
                              



Em razão do aniversário de um ano do Universo Paralelo ocorrido em Julho passado, decidi escrever três posts para explicar  o porquê da sua existência, suas origens e significados e modificar o leiaute do blogue. A ideia original era publicar estes posts quando o blogue fizesse aniversário de um ano, no dia 3 de Julho, mas nesta altura não estava muito bem e resolvi adiar. 

Origens 


Era final da infância. 

Por volta dos 13 anos, a perda da inocência me arremessou no universo de maldades do ser humano. Enxerguei as raízes do bullying da infância, das surras injustificadas do meninos da rua, dos lembretes dos parente para reagir diante das surras e para engrossar a voz, 'porque homem bate, não chora', mesmo cientes que os garotos da família quando criança tinham a voz aguda. Nunca gostei de violência e também era magro e pequeno, eles eram grandes e alguns. Eu não tornava a minha voz aguda por querer. Era assim e pronto.

Não tive uma infância infeliz porque à época não tinha maldade suficiente para enxergar o viés por detrás das agressões que sofria. Fui sim, um adolescente infeliz quando entendi como as pessoas me enxergavam. Eu não aceitava o que diziam. Eu não era o que falavam. Eu era uma criança, sem nenhum desejo sexual, incompatível com o teor de seus insultos. Enxergar o preto no branco me fez entrar em uma depressão expressa, por um transtorno obsessivo compulsivo que durou três anos. Neste período me tornei mais introspectivo do que já era, me fechei ao mundo como uma ostra, me reprimi e tornei-me o máximo inexpressivo que pude.

Passei a odiar todas as pessoas que me insultaram, desejava mais que tudo ter poderes especiais, como os "X-Mens ou os heróis da liga da justiça. O desejo de vingança era grande. Os meus refúgios eram os livros e os blogues, este último foi fundamental quando eu comecei a me questionar, se o que eu ouvi durante toda a infância poderia ser verdade, mas eu não me enxergava nas referências de homens gays que eu conhecia. Eu era diferente.

A existência de pessoas com as mesmas dúvidas que as minhas, e pessoas que compartilhavam suas experiências através de blogues, me ajudaram a iniciar os processos de descobrimento da minha orientação sexual. A aceitação veio alguns anos mais tarde, em outro contexto, quando já não frequentava a blogosfera. 

Dos 18 aos 21 anos, com ajuda de de sessões de terapia realizadas anos antes, durante a adolescência para tratamento da depressão, me senti livre dos comportamentos introspectivos e retraídos adquiridos com a depressão. O fato de ter mudado de cidade aos 18 também contribuiu para esse sentimento e progresso.

Continua....



             

Dominus

Autor

Poeira cósmica expressa no espaço-tempo.O que sou hoje, serei amanhã.

8 comentários:

  1. nunca sofri de bulying e no entanto sempre fui tímido e introspectivo. Seria um alvo fácil.
    Aguardo a continuação.

    ps: que grande lifting, a aparência do blog. Gostei!

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    1. Sorte sua, mas sorte não é a palavra certa porque as condições para que uma pessoa sofra bulllying depende de alguns fatores como: ter características que destoem dos demais e que para a sociedade sejam marcadores de algo negativo e ambiente que a pessoa se encontra.
      (Leia ambiente como a soma de pessoas à sua volta com a formação que elas trazem de casa, somado a característica de que crianças são naturalmente más e quando o contexto familiar não as moldam para respeitem as diferenças, mais os comportamentos de grupo).
      Ser tímido não era o único motivo, mas o principal era ter a voz aguda, somado ao fato de não saber jogar futebol, já concluíam que eu era a bichinha da rua e da sala de aula.

      Obrigado, GbBd. Deu um pouquinho de trabalho, fico feliz que tenha gostado.



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  2. Dominus...adorei a nova imagem do teu blogue. Queria fazes algo do género mas não me atrevo lol nem tenho paciência.

    Estava a ler o seu post e em algumas coisas me revi, e senti aquela vontade de te dar um abraço, pois há coisas da vida que nos aproximam e senti isso. Deixo aqui um abraço virtual :-)



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    1. Obrigado, Limite fiquei tocado pelas pelo gesto expresso nas suas palavras.

      Quanto ao leiaute, é preciso ter paciência porque dá trabalho.
      Mas tive ajuda de um bom amigo designer para desenvolver o logo a partir dos conceitos que eu desenvolvi.

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  3. A novo visual do Blogue ficou estupendo. Parabéns.
    Parabéns tb a vc e a este espaço.
    Todos nós temos nossas histórias. Eu tb vivi algo do tipo e tb fiz 6 anos de terapia. Renasci ... #fato

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    1. Obrigado Paulo.
      Ainda preciso de mais alguns anos, mas preciso me estabelecer em uma cidade porque é um processo demorado e dever ser desenvolvido com o mesmo profissional, acredito eu.

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  4. Anônimo8/11/15

    Também fui vítima de bullying por diversos motivos e creio que ainda hoje, a povoação fala de mim nas costas. Pelo menos divirto-me a passar por eles a sorrir, porque não tenho problemas em ser o que sou, embora tenha dias em que estando mais fragilizado, a coisa mude de figura. Curioso com a continuação do desabafo! ^^

    Grande abraço :3

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  5. Eu ainda não aceitei totalmente quem sou.
    Realmente, nos dias em que estou mais frágil as coisas ficam mais fortes e não consigo ter muita autoconfiança. Estou tentando entendê-los. Um amigo sempre me diz que tenho a vantagem ou dádiva de saber o que há/havia por trás das atitudes deles quando me atacavam, por isso tenho de ser indulgente para me libertar. São coisas que me esforço diariamente para trabalhar.

    Abraços, Mikel

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