O Eu | Universo Paralelo

O Eu

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Há alguns meses, quando escutava um podcast sobre depressão ouvi a seguinte definição: “Depressão é perda de si mesmo”. Eu me senti confortado de algum modo, por ter me revelado o óbvio sobre os últimos quatro anos: Eu tenho estado perdido.

O eu, sempre foi um objeto de questionamento e busca para mim, não em um sentido egocêntrico, mas unicamente de saber quem se é além do nome no RG e os gostos primários. Trilhar esse caminho em busca do autoconhecimento é uma consequência para qualquer pessoa questionadora, que acaba por sofrer mais do aquelas que não o são. Por um tempo, este espaço foi reflexo de algum modo dessa busca, mas me perdi de mim durante esse intento. Aquilo que era uma depressão leve, logo ficou profunda e junto vieram todos os meus medos, que invadiram a minha mente, golpearam-me a ponto de destruir qualquer estrutura sobre qualquer coisa.

Durante os últimos 3 anos eu tentei de todos os modos possíveis alcançarem o “Eu” antes da depressão. O Antes significa a ausência de todos os sintomas da doença, principalmente a tristeza que não é a tristeza, mas uma dor profunda que brota das entranhas do ser sem razão aparente. Foi como tentar sair da Ilha de Lost e sempre voltar ao mesmo lugar, porque não há passado, não há futuro, só o agora.

Um mês atrás depois de ler o seguinte trecho: ¹ “As pessoas que vivem bem apesar da depressão fazem três coisas. Primeiro, procuram compreender o que está acontecendo. Depois, aceitam que é uma situação permanente. E, em seguida, têm que superar sua experiência de algum modo, aprender com ela a se colocar no mundo das pessoas reais” [...]. Depois disso, finalmente resolvi aceitar a situação, desisti de buscar esse estado sem a doença. Resolvi aceitá-la, porque foram em vão todas as tentativas de se chegar ao antes, porque essa pessoa não existe mais.

O que sou agora é uma pessoa com depressão, e por ter a química do (cérebro) alterada vive e reage às circunstâncias do dia-a-dia de modo particular. Conviver com esta nova realidade tem sido estranho depois desse choque de realidade, porque eu não sei como lidar com este “Eu”. Eu me sinto como uma sala vazia ou uma criança que tivesse que aprender coisas básicas. É uma realidade árida, impessoal e mecânica demais, mas é o que há.

¹. O demônio do meio-dia



                     

Gustavo

Autor

Poeira cósmica expressa no espaço-tempo.O que sou hoje, serei amanhã.

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