No ônibus | Universo Paralelo

No ônibus

Por 18:23 8 comments
Dias atrás, presos no trânsito observo pela janela do ônibus passar pela calçada um casal de um menino e uma menina abraçados. Dois minutos mais tarde passa outro, dessa vez, eram dois meninos de mãos dadas.
Na  fileira de cadeiras atrás da que eu estava  iam duas gueis sentadas,  que observaram também as duas cenas  e disseram   algo sobre a  segunda:

  — Bicha I: 'Cê viu essa  pouca vergonha?!
 Bicha II: Vi!
— Bicha I: Depois apanham e é com razão!




Impressiona-me a quantidade de gays que perpetuam a homofobia imposta pela sociedade inconscientemente. Se fosse apenas um caso isolado pouca ou nada me espantava, mas esse discurso está presente na cabeça de muitos gays.
Eu fico feliz em todas as vezes em que vejo cenas como essa. Seja de gurias e gurias, seja de guris e guris, pois não são tão comuns. Sinto também uma pontinha de inveja. Queria ter aos 14,15 minha sexualidade resolvida, com essa idade eu apenas me anulava tentado esconder quem  sou.

Visibilidade querendo ou não provoca aceitação. Se não a faz, não há razão para reprimir quem a faça. O que venho observado também,  é que gays têm grande facilidade de oprimir, genderfluids e pessoas não-binarias que o digam, já que são o novo cachorro morto que gays chutam por ai, definindo como moda e comportamento oriundo do Tumblr.  Sou muito inocente ao pensar que ser parte de uma minoria é  condição sine qua non para se ter empatia?
"Quando a educação é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", já dizia Paulo Freire.
Empoderar-se enquanto indivíduo de uma minoria social é preciso, pois ser parte de uma minoria  é um ato político que deve ser levado a cabo. Isso não quer dizer levantar a bandeira do arco-íris em praça pública,  o que muitos confundem, contestam,  e não fazem ideia do que falam em contra sobre levantar bandeiras, o que é  estar consciente do papel que representa enquanto membro de uma minoria social.


MC Linn  faz parte "dos cachorros-mortos chutados por gays".

        Mc Linn da Quebrada Mulher ( Uma lacre de música)
        

Dominus

Autor

Poeira cósmica expressa no espaço-tempo.O que sou hoje, serei amanhã.

8 comentários:

  1. Anônimo13/11/16

    É uma situação muito triste e lamentável. Devíamos ser os primeiros a defender os direitos para todos os gays, mas não, existem muitos que são maus, são horríveis, tão ou ainda mais homofóbicos que os que não são. E isso porquê? Em qê que falarem mal, rebaixarem, humilharem pessoas que estão bem resolvidas lhes afeta a vida deles? Não entendo, sinceramente.

    Abreijos :3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode ser resultado de um criação conservadora, mas não creio ser justificativa para tal postura com seus semelhantes.

      Excluir
  2. As mentalidades precisam de uma lavagem de dentro para fora, e nem sei se assim as coisas ficariam melhores.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Em relação as mentalidade sou descrente como você.

      Excluir
  3. Enviamos um convite para o teu email :)

    ResponderExcluir
  4. Anônimo25/11/16

    É triste assistir a situações dessas... :/
    Será que daqui a 50 anos as coisas vão estar melhores? Sinceramente duvido...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não nutro esperanças quanto a comunidade gay em si, foi onde vi e continuo a ver preconceito em doses cavalares.

      Excluir
  5. Deveríamos começar a pensar que agredir verbalmente e/ou fisicamente é errado. Aceitar que somos diferentes e mesmo assim devemos lutar pela igualdade de direitos, ainda não está nos nossos discursos e práticas.
    Bela reflexão a sua.
    ps.: adoro as músicas da Mc Linn da Quebrada.

    ResponderExcluir