Universo Paralelo




O gif fala por si, não preciso dizer nada.






             








Foram dois sonhos, em noites alternadas, nos quais sonhei com minha morte. Não, não foi com aquela figura de uma silhueta envolta por uma capa preta e sem rosto aparente com uma foice na mão. Sonhei que estava morrendo. Senti pouco a apouco a paralisia do meu corpo, acompanhado do desespero de não querer que aquilo estivesse acontecendo. Em um dos sonhos lembro-me de alguém me dizer para eu ficar calmo, pois não havia mais volta, aceitar e acalmar-me era coisa certa a fazer no momento.

Fiquei calmo e não lutei mais, aos poucos o medo se foi e aceitei. Deixei a morte tomar conta do meu corpo. Em ambas as vezes quando aceitei a situação, acordei logo em seguida.

Penso, que quando as pessoas estão morrendo provavelmente se sintam assim. Por mais que eu tente buscar um significado dentre as coisas que estou vivendo e já vivi, não encontro nada que se encaixe nessas figuras e que possam explicar estes sonhos. Não acredito em significados genéricos para os sonhos como aqueles vendidos em revista de astrologia barata, que de astrologia não tem nada. Mas sei que são uma manifestação da minha mente.

Não sou de sonhar muito, mas em alguns momentos diante de algumas situações, os sonhos foram fundamentais para eu entender e aceitar situações que de modo consciente eu me recusava a aceitar. Talvez um dia eu encontre o(s) significado(s).









Tunel Asiatique por Nicolas Malinowsky 


[...] Ai, meu Deus! Como tudo está esquisito hoje! E pensar que ontem tudo estava normal . Será que eu mudei durante a noite? Vamos ver: eu era a mesma quando levantei essa manhã? Estou quase me recordando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, seu eu não sou mais a mesma, a pergunta é: 'Quem afinal sou eu?' Ah, ai é que está o problema!".



             



Em seguimento ao meu primeiro <post> sobre o Saci, publicado ano passado, no qual falo do meu gosto por este mito, trago à continuação um pouco mais da origem e o documentário "Somos todos Sacy", produzido a partir de narrativas sobre o mito no interior do Brasil. Segundo a Wikipédia*, o gorro vermelho e a personalidade traquina é uma herança de um ser mitológico do norte de Portugal, o Trasgo, cujo mito assemelha-se em muitos pontos como o do Saci e remonta à narrativas romanas. 


 *(perdoem-me pela fonte, mas não tive tempo de confirmar isso em outra fonte mais fidedigna)

     
      

"A Confraria Produções apresenta o documentário que mostra a vida, paixão e morte do mito na tradição oral e suas re-significações nos dias atuais. Sendo este mito a alegoria de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil. Você já viu um Sacy? Acredita em Sacy? Como é o Sacy?
Por dois anos, os diretores desse documentário percorreram o interior de São Paulo formulando essas perguntas aos paulistas. Desse passeio encantado originou-se um filme lúdico e poético, tipicamente brasileiro.
Direção e roteiro: Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha". (Via: <Link> )




Há situações, pelas quais eu nunca esperaria que ocorressem comigo. 


Voltei a estudar esse semestre e no ponto em que pego ônibus para casa tem um ponto de prostituição de travestis, onde uma quantidade enorme de meninas ganha a vida à custa de escárnio, deboche e violência de quem ali passa em seus carros, ou dos covardes, que vez ou outra aparecem e resolvem lhes insultar cara a cara, ou lhes atirar pedras. Mas no cara a cara não fica barato, elas revidam, e em grupo. Ensinam a esses pais da família tradicional brasileira a respeitá-las com uma leve dose de violência, que em minha opinião é merecida, por mais pacifista que eu seja. Não se meche com que tá queto.
Sempre as pessoas me recomendam a tomar cuidado, a temê-las, pois são perigosas e agressivas. Eu entendo a agressividade delas como defesa diante de uma sociedade que as tratam como lixo e bobos da corte. São a diversão do final da noite de alguns, que se sentem os seres mais potentes do mundo, quando berram pelas janelas de seus carros todos os tipos possíveis de insultos, principalmente os que as destitui de sua feminilidade. 
Ontem à noite, enquanto esperava pelo ônibus uma delas  caminhou em minha direção, no princípio fiquei temoroso, afinal o imaginário querendo ou não poluiu a minha mente de alguma forma. Será que vou apanhar? Será que pensou em algum momento que ri dela. Pensei. Mas não, ela se aproximou e fez um carinho na minha bochecha e me disse: "coisa linda" e seguiu em frente. Fiquei bobo por alguns segundos, e mais ou menos um minutos depois lhe agradeci o gesto quando ela já se encontrava um pouco distante. 

Eu nunca esperaria este gesto vindo de uma pessoa agredida diuturnamente pela sociedade em que nasceu.




P'ra  não passar em branco.
Acho que fui um bebê até bonitinho.



Voltar ou não voltar a usar apps de pegação? Estou num celibato a um ano, por opção, por falta de libido (remédios) e por ter me cansado de usar esses apps. Essa semana fiz um teste, instalei um app e comecei a receber mensagens, teclei com alguns, rejeitei outros, me surpreendi com a quantidade de agentes da CIA e KGB. As bichas mineiras adoram a palavra sigilo, nada contra, cada um sabe de si, né non?


Ao final eu queria tentar encontrar "amigos", alguém da comunidade para conversar sem segundas intenções. Meus amigos gays estão todos no Paraná, e não ter alguém para falar em bichês às vezes faz falta. Acredito que possa ser possível encontrar amigos por essas vias, porque tenho um grande amigo que veio por meio de apps. Por outro lado, observei o tempo em que gastei, por volta de 3 horas. Teclei com quatro caras, e não deu em nada, só pessoas interessadas em sexo puro e duro. Três horas é tempo demais para se perder diariamente, e eu deveria tê-lo aplicado a minha pesquisa. Por outro lado, ainda tenho mais de um ano aqui em Minas, e a dúvida é: insistir na busca, ou esperar que esses amigos surjam dos círculos sociais que tenho participando? Ainda não sei, mas as bixas destes círculos são muito ressabiadas e eu sou introspectivo. Acho que não rola. 


Engatar outra série ou não? American Horror Story não conta, já é hábito. Acabei Breaking bad há uma semana, comecei, assisti-la em 2010 e entrou para a lista das melhores, senão a melhor das séries que já vi até hoje. Fez-me pensar nos limites do ser humano do primeiro ao último episódio. A apesar de toda educação moral e conduta que a sociedade nos impões, quando nos encontramos em um beco sem saída esse valores podem cair por terra. Ninguém é revestido de toda moralidade e ética que não possa ser corrompido. Sem dúvidas, é uma série que gera muitas reflexões, é preciso digeri-la. Gosto de assistir e ler coisas que me forcem a isto.

¿Qué leer? Leer aventuras de Alicia en el País de las Maravillas, Memorias póstumas de Blas Cubas o tratar de terminar "Yo y el inconsciente de Jung? Lee Jung es muy difícil, especialmente cuando se trata de un libro hecho de los trabajos presentados en las conferencias. Creo que he leído 10 libros para todas las idas y vueltas que hice para entender los conceptos y el pensamiento de Jung. Todavía estoy en el medio. Al final, este libro se ha convertido en un reto, leerlo hasta el final.


Ainda existe MPB como gênero musical? Não acredito, talvez tenha morrido nos 90 e ter dado alguns suspiros no inicio dos 2000. Vejo mais do mesmo, cantoras com vozes parecidas, quase sempre acompanhadas de um violão. Gosto do cenário indie independente que tenho descoberto nos últimos anos. Há musica de qualidade sendo produzida, dificilmente seriam tocadas em rádios, se não fosse a internet ninguém as conheceria, já que os meios de comunicação no Brasil voltam seu aparato para o gosto musical massivo, homogêneo, efêmero e por vezes cíclicos. Tenho garimpado muitas coisas na cena indie, tenho gostado do resultado. Esta crítica não é por não gostar do sertanejo universitário, mas é tanta gente ouvindo a mesma coisa, que me causa um certo incomodo por tantas vezes ter meu ouvido bombardeado por isso.


       God Knows I Tried - Lana Del Rey

          
Existe outro além daquele desencadeou vários acontecimentos atuais e os que ocorreram na última década. Vinte e oito anos antes, um atentando terrorista pôs fim a um governo eleito democraticamente, atentado esse financiado pelo país vítima do 11 de Setembro de 2001, no mínimo contraditório. Terroristas não são apenas radicais islâmicos, alguns são países, e também matam indiscriminadamente por ideias e convicções. 


    













A vida anda tão corrida, que só agora percebi que estou no mês de Setembro e hoje é meu aniversário. Vida de gente grande deve ter estes momentos. Não sei se muita coisa coisa mudou desde este post há exato um ano, ainda não tive tempo refletir sobre, ou é cedo demais para notar alguma mudança. Mas não vou reclamar, porque o hiato que vivi nos últimos 12 meses chegou ao fim e as coisas começaram a melhorar; também estou disposto a enfrentar e exorcizar meus demônios, espero ser exitoso nesta tentativa.



Assim que me sobrar algum tempo, respondo os comentários.


Para todos os efeitos continuo a ter 22, não gosto de números ímpares.


     




Quanto mais conheço o “mundo gay”- leia-se: homossexuais masculinos cisgêneros, o mais longe possível quero estar. É um concentrado de machismo e misoginia não encontrado em nenhum outro grupo social, como em estas proporções. 

Ser gay não é sinônimo de sentir nojo de vagina. - Para muitos, dizer isto é atestar para outrem que são gays. Eu nunca precisei dizer que tenho nojo do corpo de uma mulher para saber que sou gay. Mulheres são ensinadas desde muito cedo a ter nojo do seu corpo. Corroborar esse conceito é dizer  a mulheres que seus corpos são nojentos.
Ser gay não é sinônimo de culto ao pênis. -- A condição homossexual não está atrelada ao gosto por um órgão sexual. Há  homens gays por aí que não tem pênis.

Ser gay não é sinônimo de aversão ao feminino. -- Há milênios o feminino é subjugado nesta sociedade patriarcal em que vivemos. Aproximar-se ou remeter ao feminino é execrável. Segregar gays afeminados e mulheres não nos fará sermos mais ou menos aceitos. Gays afeminados não são palhaços, muito menos uma paleta de cores para trazer colorido à vida. Isso é uma questão de personalidade. Atribuir-lhes essa função, é objetificá-los e desumanizá-los, e comportamento expansivo não é exclusividade de gays.

Gay, bicha, desviado, transviado, viado, homossexual masculino são sinônimos. Não há diferença entre estes termos, embora, para muitos a alcunha de bicha é ultrajante, porque bicha é um nível máximo do ser gay. “Seja gay, mas não seja bicha ou viado.” Mas no fim das contas, para a sociedade héteronormativa  a diferença entre um gay que se enquadra no estereótipo de bicha e um que não se enquadra é inexistente. Pensar e agir desta forma em busca de uma possível aceitação, é dar um tiro no pé. É ajudar a manter o mantra do preconceito  que nos atinge, cuja raiz, está no modelo de sociedade em que vivemos. 

        

Este boçal conseguiu se superar em nível de boçalidade. Se possível é, ser mais ou menos boçal. Fazer vídeos falando sobre homofobia, perfeito! Vamos acabar com o preconceito que me atinge. Fazer um vídeo repleto de misoginia eu posso, porque estou em meu direito de fazer humor com o que quer que seja. Fodam-se os demais, porque essa noção de preconceito e opressão só se aplica ao que me atinge. Não estou perpetuando a misoginia, estou fazendo humor e entretenimento. Essa coisa de politicamente correto é chato e enche o saco.
Pimenta no cu dos outros é refresco! Existe limite para o humor, ao contrário do que muitos pensam. A maioria dos que criticam o politicamente correto não fazem noção do que seja o politicamente correto, porque querem manter o direito de exercer seu preconceito transvestido de humor livremente, e não importa se este "humor" oprime e fere a dignidade alheia. 

Este vídeo reflete o que 99% dos gays(exagero meu esses 99%) pensam sobre mulheres lésbicas, por esses e pelos ditos acima, eu desejaria não fazer parte deste coletivo.















Este blogue anda jogado às traças. Obviamente este estado é reflexo da minha vida cinza, desinteressante e sem estímulo regada à  boas doses de antidepressivos e ansiolíticos. Tenho comentários para responder, visitas a fazer em outros blogues, rascunhos para finalizar que se amontoam; alguns na verdade estão prontos, mas a vontade de publicá-los, é mínima e o
who cares "insiste" e me desestimula a publicá-los. 
Já se passou um ano desde que comecei isso aqui e ainda não tive tempo, na verdade me pesa escrever e analisar minha vida, seja sobre o presente momento, seja sobre o passado. Talvez até o fim do mês eu faça um post decente sobre este tempo com as devidas reflexões, explicações sobre a razão da sua existência e significados que foram construindo-se ao longo de um ano.




Minhas descobertas musicais

SILVA- A Visita

Natalia Lafourcade - Nunca es Suficiente

Calogero - J'ai le droit aussi










         Boss In Drama - Toda Doida (Feat Karol Conká)



Não sei quem pintou esse quadro.


Uma das primeiras coisas que aprendi na escola depois de ter sido alfabetizado foi sobre o descobrimento da América em 1492 por Colombo e sobre o descobrimento acidental do Brasil, no dia 22 de Abril de 1500 por Pedro Alvares Cabral quando seguia em direção as Índias Orientais. Quinhentos anos depois, a história escrita sob a perspectiva dos conquistadores portugueses e espanhóis sobre esses acontecimentos permanece quase inalterada. Inverdades que tive a oportunidade de desconstruir pouco a pouco durante os quatro anos em que estudei numa universidade voltada para a integração do continente latino-americano. Reaprendi que a A.L não foi descoberta, mas conquistada e dominada num processo de expansão econômica e territorial dos reinos de Portugal e Espanha. Por mais que eu tente, eu não consigo encontrar elementos positivos do processo de colonização. Não foi a primeira vez que algo semelhante aconteceu na Terra, porem, é aterrador saber que piso sobre o sangue de 50 milhões de pessoas que foram mortas por serem consideradas seres inferiores. Eram outros tempos, outras mentalidades, mas essas justificativas não anulam mortes. As consequências dessa mentalidades são sentidas nos dias de hoje, manifestam-se em problemas latentes como o racismo, o apagamentos dos povos originários que ainda restam, o abismo social existente entre ricos e pobres, os latifúndios, as oligarquias. Acredito que uma das vias de superar os problemas históricos que advém da colonização, é a construção de narrativas históricas sob a perspectiva dos vencidos(índios e negros), para orientar o presente, já que sociedades não são 'elementos' anacrônicos. O passado é intrínseco ao presente. Um bom começo seria o ensino do Tupi no Brasil, temos inúmeras palavras do incorporadas pelo Português que não fazemos idéias do que significa.


Escolhi para ilustrar esse post um filme que eu gosto muito: Desmundo, uma adaptação do romance homônimo escrito por Ana Mirada. Muito mais que um filme, é um recorte histórico sobre os primeiros anos da colonização portuguesa no Brasil, uma recriação quase perfeita do dia-a-dia na costa brasileira no ano de 1570, observada através das vestimentas, a aparência dos homens, a condição social das mulheres; os engenhos de cana-de-açúcar; a catequese indígena;os Jesuítas, que de santos não tinham nada; os cristãos novos; as construções; a escravidão indígena; à língua-geral-do-sertão(tupi antigo); o etnocentrismo; os corsários; e o aspecto que mais me chamou atenção nesse filme foi a emulação do Português Arcaico, que ainda conserva muitos vocábulos no interior do Brasil, que muitas vezes são vistos com o uso incorreto da norma culta do Português contemporâneo.



       


Sinopse via Adoro Cinema: 
"Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D'Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), que a leva para seu engenho de açúcar. Oribela pede a Francisco que leh dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas "obrigações", mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta. Sentindo-se infeliz, ela tenta fugir, pois quer pegar um navio e voltar a Portugal, mas acaba sendo recapturada por Francisco. Como castigo, Oribela fica acorrentada em um pequeno galpão. Deprimida por estar sozinha e ferida, pois seus pés ficaram muito machucados, ela passa os dias chorando e só tem contato com uma índia, que lhe leva comida e a ajuda na recuperação, envolvendo seus pés com plantas medicinais. Quando ela sai do seu cativeiro continua determinada em fugir, até que numa noite ela se disfarça de homem e segue para a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias (Caco Ciocler), um português que também morava na região."