Universo Paralelo



Deitado, olhando para o teto, embalado pela voz suave e lúdica de Natalia  Lafoucarde tomo coragem para ir buscar e abrir  o resultado de uma tomografia. Um mês, sem o órgão que mais gosto funcionando perfeitamente. Um mês, de crises sucessivas de enxaqueca. Não poder ler, escrever, pensar a todo vapor é uma tortura. Sempre acreditei que em toda situação ruim é possível extrair algo positivo. Nesse um mês de molho repensei hábitos, situações, me motivei. Resolvi dar um basta nessa crise depressiva, que pouco a pouco toma conta de mim, desde que voltei para casa dos meus pais. Nesse tempo, descobri que as oito, dez horas que eu  passava na frente uma tela de computador  só fizeram piorar meu quadro. Esse desequilíbrio químico, chamado enxaqueca me mostrou isso. Solo me queda mantener la calma y seguir adelante.
               

Spotify é vida!






Este mês de Setembro é muito mais que o mês do meu aniversário, será lembrando por um acontecimento marcante para mim. 
Consegui após três anos e meio chegar ao fim de um livro. Li o romance O quinze, de Raquel de Queiroz. (Amo o romance regionalista) 
Desde que comecei minha vida acadêmica até agora nunca consegui terminar a leitura de um livro escolhido por gosto, em meio as leituras obrigatórias, trabalhos, provas e noites sem dormir, a leitura por prazer sempre ficou em último plano, quando sobrava último plano. Perdi a conta da quantidade de livros que peguei na biblioteca e não passei do segundo capítulo. Este é um drama enfrentando por muito universitários, sempre escutei esse descontentamento de amigos e conhecidos. 
Ler sempre foi meu passatempo preferido. Lembro que aprendi a ler após dois meses em que entrei na escola, desde então a leitura se fez presente na minha vida. Agradeço a minha mãe por ter incentivado esse hábito em mim. Sempre, desde pequeno a vi lendo algo. Lembro, que aos cinco anos eu já chorava querendo ir para escola. 
Viver esse hiato de quase quatro anos foi uma das maiores torturas. Espero muito, que isso não se repita na próxima graduação que eu começar. Sim, eu sou desses que precisa passar por alguns cursos até encontrar o que considera a escolha certa. 





                                   
                                               
"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar consciente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

Hoje, considero que cumpro 22 e 3 anos de vida. Dois nascimentos, um quando eu viera ao mundo e outro quando lancei um olhar consciente sobre mim, quando tomei conhecimento da minha existência no espaço-tempo.

Às vezes sinto falta da ingenuidade da infância. Perdê-la foi uma das maiores dores que já experimentei, foi capaz de abalar todas as estruturas do meu ser. Ver como o mundo me enxergava foi doloroso. A primeira decepção com o bicho homem. Sinto falta da leveza de uma vida sem responsabilidades na adolescência – minhas únicas preocupações eram estudar e pensar, e ao mesmo tempo, tenho pânico quando lembro do um milhão de dúvidas que pairavam na minha mente.
Lembro do primeiro êxtase, aos 3 anos - dependurado pela camisa numa cerca sobre um barranco de 10m, eu fitava o horizonte, e ao fundo ouvia os gritos desesperados da minha mãe.


Lembro de um presente aos 4 anos - ganhei uma cesta cheia de pão de queijos da minha avó. Até hoje posso sentir o sabor e encanto daquele presente.


Lembro da primeira aula aos 6 - eu observava tremulo o ambiente desconhecido, e tracejava timidamente algumas letras no papel.


Lembro da primeira leitura também aos 6 - queria ler o mundo... Até hoje quero.


Lembro do primeiro beijo triplo aos 7, com duas gêmeas que me agarraram a força. Atordoado, não entendi o que era aquilo.


Lembro da minha primeira excitação aos 11 - eu observava um homem, que se destacava na multidão da avenida. Eu me excitei e não quis entender o que passara.


Lembro do primeiro orgasmo aos 12 - descobrindo o meu corpo.


Lembro do primeiro beijo aos 14 - seu nome era Rosa - envergonhado, tentei esconder minha excitação.


Lembro do primeiro suicídio aos 15 - foram 8 comprimidos, acordei 8 horas depois numa manhã ensolarada.


Lembro da primeira vez que sai de casa aos 18 -  durante uma semana estive nas entranhas da vida. Uma semana depois eu soube que havia nascido pela segunda vez.


Lembro do primeiro beijo  aos 19 - Tremulo, eu me entreguei.


Lembra da primeira paixão aos 20 - Eu não entendia porque ele não saia do meu pensamento.


Lembro do segundo êxtase aos 20 - Conversas com macacos falantes, habitantes de universos paralelos.


Lembro da primeira dor de amor aos 20 - Ele não sentia o mesmo - nesse momento eu pairei no ar... Ali não existia chão.


Lembro do segundo bolo de aniversário aos 20 - No meu aniversário de um ano ele quis fazer uma surpresa, mas minha falta de feeling atrapalhou tudo. Fiquei muito feliz.


Lembro de compreender filos aos 21 - O sublime amor por amigos - em despedidas eu descobri o quanto eu os amo.

Lembro....
Lembro do primeiro amor, aos 21 - A paixão se foi, mas resta carinho, ternura... Até hoje não entendo o porquê.


Aos 22 eu descobri que nem tudo precisa ser compreendido, viver satisfaz qualquer necessidade de compreensão. Esse é o sentido da vida, VIVER.

Pode parece saudosismo, mas gosto dessas lembranças, me fazem esboçar um sorriso bobo, um sorriso por saber, que muito já foi vivido, e que este muito, não é quase-nada.
Lançar um olhar sobre as memórias que chamamos de passado, me faz enxergar todas as etapas que passei, que resultaram no ser que sou hoje.
Há três anos eu comecei a formar as bases da minha personalidade da vida adulta e a construir um ser autônomo. Dizer isso, não é desconsiderar o que foi vivido antes, mas reconhecer como um período de gestação, do ser que cresce hoje.
Conquistei muitos sonhos, outros ainda estão por vir, mas nada se desenrola como planejamos em nossa mente; ir parar numa cidade do extremo oeste, me fez entender muito bem essa máxima, eu nunca imaginei até então que iria tão longe, viver uma experiência tão diferente da que eu havia planejado. A vida é sinuosa, como uma estrada cheia de curvas, nunca sabemos o que nos espera na próxima curva, ou quanto tempo permaneceremos na mesma direção.
Duas graduações interrompidas, embora sem nenhum diploma, me sinto realizado. Aprendi muito. Todavia sigo na busca da minha “vocação” para sobreviver a fera capitalista. Passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, quero passar todos esse tempo fazendo algo prazeroso.
Hoje, a vida me parece mais fácil, aprendi a duras penas, que o quanto mais fizermos o uso do diálogo, mais simples a vida se torna. 



Aos 22 anos caminho livre, liberto de muitas amarras, outros nós ainda esperam para serem desatados. Caminho com poucos pesos sobre mim, confiante, mas temoroso.





Um tempo atrás cai em um desafio no Facebook, no qual você tinha de dizer 17 coisas sobre você. Nunca fui muito fã de desafios, porém esse me chamou atenção, pois é um ótimo exercício de auto-analise e autoconhecimento. Já dizia Sócrates: "Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achar primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum".

Ai vai!


Marujo. - Me livrei do mal chamado Hornet.
Dominus -  Sério?
Marujo - Sim. Não Suporto!
Dominus - Estou há um mês sem isso.
Marujo - Eu acho que ativa ainda mais minha depressão intrínseca. Gostava no início.
Dominus - Eu queria muito frequentar lugares que rolassem um cara a cara, um jogo de olhares igual aqueles de filmes....




Aos 19 Dominus foi apresentado as salas de bate-papo. Achou o máximo! Agora podia driblar seu medo e se relacionar com caras que seguramente eram gays. Entrar em salas de bate-papo virou um hábito diário, praticado religiosamente no mesmo horário. O tempo passou, Dominus conheceu muitos caras, tinha uma lista enorme de amigos no msn, mas foi com poucos que a relação virtual se materializou. Dominus cansou-se dos bits, já não suportava mais as conversas vazias que nunca saiam do virtual; das buscas constantes em chats; da sensação de vazio após passar horas naquilo, que no começo foi sua redenção e que se tornara com o passar do tempo um de seus pesadelos. Aos 20, Dominus cansou-se das salas de bate-papo, aposentou o velho e conhecido chat. Comprou um smartphone e instalou todas as aplicações de relacionamento gay. Ficou maravilhado com o leque de possibilidades que a tecnologia lhe trazia. " -Viva a tecnologia!" Bradava admirado.Não demorou muito para que Dominus notasse que na essência, o novo se tratava do velho com uma nova roupagem.  E não tardou para que os velhos sintomas, frutos da vida virtual, aparecessem novamente.










12 de junho. 90 contatos na agenda do celular. 
18 de junho. 60 contatos na agenda do celular. ***  - 30
01 de julho. 80 contatos na agenda do celular.  + 20
15 de julho. 68 contatos na agenda do celular. -12
01 de Agosto. 78 contatos na agenda do celular.  + 10
20 de Agosto. 60 contatos na agenda do celular.  - 18


Cansei desse apagar e gravar contatos na agenda do meu celular.Cansei do mundo virtual!
Leia-se: Grindr,Hornet,Scruff,Manhunt,Badoo, etc. Apps de pregação e sites de relacionamento já me renderam ótimas transas, paixonites de uma noite ou uma semana, momentos doces e sublimes, amigos, péssimas transas, situações embaraçosas, engraçadas, propostas bizarras e por aí vai. No entanto, os sentimentos que reinaram nesse tempo que os utilizei foi o de vazio atrelado à ansiedade por uma nova mensagem, frustração, quando o cara parava de teclar comigo depois de trocarmos fotos (eu já fiz isso rsrs), decepção por conversas vazias que nunca saíram do virtual. Sem falar na indignação pela enxurrada de homofobia vomitada na descrição em muitos perfis. Por força das circunstâncias, passei os últimos 4 anos escravo do virtual. Me aceitei como gay aos 19, enquanto vivia em uma cidade do meio oeste paranaense, onde o meio mais fácil e quase único de conhecer gays, seja pra uma fast-foda ou um possível "namoro” - é a internet, nas suas mais variadas formas que citei acima (alguns preferem o zoológico municipal rsrs). Eu diria que 99% das “relações” que tive se deram por intermédio do virtual, num primeiro plano - só tenho dois episódios que se começaram fora do virtual, um é o M e o outro é foi um paraguaio, este último pode ser assunto para um possível post no futuro.

Poxa! Tenho 21 anos e não sei o que é um flerte.


















Raras são as músicas capazes de provocarem sensações profundas, quase indescritíveis em mim. Que me tirem das sensações comuns e me faça sentir as extraordinárias. Que mostrem que estou vivo. Até hoje apenas dois cantores com suas músicas foram capazes de provocar sensações profundas e indescritíveis em mim:  Florence and the Machine e Asaf Avidan.  Asaf Avidan é um cantor israelense, bonitinho, embora não tenha os traços semitas que me fazem suspirar, (detalhe sórdido esse último). O conheci escutando músicas aleatoriamente no youtube, o timbre da voz dele me remete ao timbre da voz da Janis Joplin. A primeira música que escute foi: "One day”. Até aí, nada espetacular. A segunda Música foi "Your Anchor". Essa sim, considero espetacular. Foi a segunda música na minha vida capaz de me lançar num frenesi - um êxtase indescritível e profundo, capaz de arrepiar e fazer emergir um pranto de alegria involuntário. Me apaixonei! Baixei a discografia completa.



One day - Asaf Avidan





Your anchor-Asaf Avidan




Diferent Pulses - Asaf Avidan




As únicas posições que tenho praticado nos últimos meses.









                                        Fim do dia

                                                A engrenagem anuncia.
                                                   O Fim do dia.
                                                            O Quarto escuro.
                                                                   O Teto mudo.
                                                                         O pensamento insistente.
                                                   O sentimento latente.
                                                         A resiliência se esvai.
                                                                O peito contrai.
                                                                      O corpo treme.
                                                                A alma geme.
                                                      A lágrima cai.






Choro convulsivamente feito uma criança. Choro convulsivamente por estar desfazendo-me de coisas que me fariam lembrá-lo. Choro por saber que tenho que me conformar em não tê-lo junto a mim. Choro por não ter sido amado como desejei. Choro por minha história encantada não ter tido um final feliz. 

Trouxe comigo para Minas algumas coisas do Negro Gato que não foram possíveis enviar quando ele foi embora, as quais prometi enviar muitas vezes, mas por falta de $ sempre adiei o envio. Hoje postarei nos correios as últimas coisas dele que ainda estão comigo, uma bíblia e um quadro dos Beatles em carvão - a bíblia ele quis que ficasse comigo, como um presente, mas não posso aceitar, não iria ter nenhuma utilidade e seria mais um motivo para lembrá-lo todas às vezes quando eu for tirar a poeira dos meus livros. Já tenho lembranças suficientes gravadas no peito e na alma. O que farei hoje nos correios pode parecer um ato simples às vistas de outros, mas estará carregado de emoções e sentimentos latentes e por mais que eu os queira mortos, insistem em permanecerem vivos.

 Passei toda a semana planejando este envio. Não esta sendo fácil, assim como não foi quando tive que enviar suas roupas, sapatos, cadernos e livros deixados pelo N.G na casa em que morávamos no sul há pouco mais de um ano atrás, quando seu pai faleceu e ele não pode voltar para buscar. À época foi um ritual semelhante à separação dos pertences de um familiar que morreu para doação após o enterro - demorei quase um mês para separar tudo e colocar em uma caixa e levar até os correios. Um mês chorando convulsivamente todas às vezes que tive de colocar algo dele dentro da caixa. Era como se eu estivesse colocando um pedaço de mim ali dentro. Quanto mais tempo demorava, mais tempo manter-me-ia próximo a qualquer objeto que recordava-o. Foi um autoflagelo necessário e importante para que eu seguisse em frente e superasse a ausência dele no meu quotidiano. Eu não o veria mais, ou não saberia quando o veria, e junto com ele estava indo todos as minhas idealizações do meu conto de fadas pessoal. Eu estava vivendo um momento de "certa plenitude com o N.G, a cisão foi muito dolorosa. Hoje sei que não o verei. Isto é fato decretado por ele, e estou tentando também decretar. Os últimos meses antes da morte do pai do N.G estávamos nos "dando bem", parecia que todo o pesadelo e sofrimento dos meses anteriores após me apaixonar por ele haviam passado. Morávamos sós naquela casa que foi a república e onde tudo começou.

Hoje faz exatos 17 dias que não falo com o Negro Gato, tenho sido forte e persistente na promessa de nunca mais lhe falar. Nunca é uma palavra muito forte pelo caráter imprevisível desta relação. Como mencionei em outro post, todas as tentativas de colocarmos um ponto final até agora não deram resultado, os pontos finais não foram pontos finais, mas cisões, as quais insistiam em se ramificar e integrar-se novamente. Não posso permitir que ele me trate como um brinquedo que esteja sempre ao alcance em uma prateleira, que brinque o quanto queira e quando "enjoe" devolva ao seu lugar. 
Não posso permitir que minha vida seja manipulada dessa forma por alguém que incapaz é de se posicionar como um ser humano autônomo, que tenha bases imutáveis na sua personalidade, que não flutue ao léu das vontades de quem o cerca. Eu escolhi não querer mais essa relação unilateral. Em dias frios e cinzentos como hoje cumprir essa promessa é algo sobre-humano, a saudade de coisas que eu não vivi rondam meu pensamento insistentemente. Nessa madrugada tive um surto, uma vontade incontrolável de fazer contato e rastejar pela atenção dele, como fiz costumeiramente por muito tempo, mas serei forte. I can do it!


Não sei se a conversa de agora a noite será a última que terei com o Negro Gato, se este será mesmo o FIM. Fim que já decretamos inúmeras vezes. 


Continuamos a conversa de ontem - continuação motivada pela frase de status que coloquei no meu perfil do Whatsapp, "aceita que dói menos"- segundo ele foi uma indireta para ele, mas não foi, era apenas uma frase motivacional carregada de significados porque eu precisava de um ponto de partida para começar o dia, uma forma de  "aliviar" o sofrimento do dia anterior. Já disse ao N.G inúmeras vezes que meu mundo não gira ao redor do mundo dele, embora sofra com sua força gravitacional. Considero que a frase cai como uma luva para ele, pois por motivos religiosos o N.G optou por não praticar sua homossexualidade, e aceitar sua condição homossexual doerá menos, evitará uma série de sofrimentos futuros.

A minha dificuldade para entender a renúncia do N.G à sua homossexualidade foi motivo para nosso último atrito, o saturei com inúmeras perguntas relacionadas à sua renúncia, e diante da sua negação em me dá respostas, misturado à minha carga de sentimentos reprimidos por ele, eu não pude manter diálogos que não levassem sempre a esse assunto. Agora, vejo essa minha insistência como uma busca frenética por elementos que me deem esperança para o meu "sentimento", o amor que sinto por ele. Esperança que poderia demonstrar um futuro sem o sofrimento do presente, onde meu conto de fadas pessoal se torne realidade. É uma atitude egoísta, mas sou humano, estou fadado a sentir sentimentos "mesquinhos" e confesso, que estou cansado de maquiar isso em mim, de fazer papel de bonzinho, de não me permitir senti-los. Fui ensinado quando criança que os humanos devem ter apenas sentimentos nobres, mas a vida me mostrou o contrário, mostrou o misto de nobreza e podridão que nos constitui.

Não sei lidar com essa situação. A renúncia dele à sua condição homossexual é o mesmo que soterrar qualquer esperança que eu posso ter de um futuro relacionamento, esperança que eu tento matar há muito tempo. Parafraseando um professor de filosofia do ensino médio, que sempre dizia em suas aulas que a esperança não é a última que tem que morrer, mas a primeira. Mas percebo que isso não se aplica quando se trata de questões sentimentais, porque é difícil matar a esperança e seguir adiante. Perdido no futuro incerto dessa "relação", a velha e conhecida incerteza mostra sua cara e não sei lidar com ela. O que me resta é seguir em frente e conviver com ela, na espera de de dias melhores providos pelo "tempo". Todo o sentimento de Bethânia é a síntese poética do "meu momento".
  
        




Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
Essa sensação de dormência invade meu corpo outra vez, mais uma vez sinto um aperto no peito, meu estômago revira. Não posso dormir, meu cérebro não para, tenta a todo custo processar o que escutei horas atrás. Palavras que tornam uma série de questionamentos anteriores claros. Um emaranhado de expectativas que criei desmorona novamente. Já estou acostumado a essa sensação, já a senti inúmeras outras vezes, durante esses três anos de relação conturbada e indefinida com o Negro Gato. Ele me disse que nunca seremos nada, que nunca iremos transpor a relação presencial que tivemos durante pouco mais de um ano quando dividíamos quarto em uma república. 'Não há motivos para um reencontro'. O questionei se esse nunca era motivado pela religião dele. Ele disse que sim. Retorno ao ponto inicial, se a máxima que o tempo cura tudo for verdade, espero que não tarde muito, já se vão dois anos que espero desesperadamente o tempo agir.