
Em razão do aniversário de um ano do Universo Paralelo ocorrido em Julho passado, decidi escrever três posts para explicar o porquê da sua existência, suas origens e significados e modificar o leiaute do blogue. A ideia original era publicar estes posts quando o blogue fizesse aniversário de um ano, no dia 3 de Julho, mas nesta altura não estava muito bem e resolvi adiar.
Origens
Era final da infância.
Por volta dos 13 anos, a perda da inocência me arremessou no universo de maldades do ser humano. Enxerguei as raízes do bullying da infância, das surras injustificadas do meninos da rua, dos lembretes dos parente para reagir diante das surras e para engrossar a voz, 'porque homem bate, não chora', mesmo cientes que os garotos da família quando criança tinham a voz aguda. Nunca gostei de violência e também era magro e pequeno, eles eram grandes e alguns. Eu não tornava a minha voz aguda por querer. Era assim e pronto.
Não tive uma infância infeliz porque à época não tinha maldade suficiente para enxergar o viés por detrás das agressões que sofria. Fui sim, um adolescente infeliz quando entendi como as pessoas me enxergavam. Eu não aceitava o que diziam. Eu não era o que falavam. Eu era uma criança, sem nenhum desejo sexual, incompatível com o teor de seus insultos. Enxergar o preto no branco me fez entrar em uma depressão expressa, por um transtorno obsessivo compulsivo que durou três anos. Neste período me tornei mais introspectivo do que já era, me fechei ao mundo como uma ostra, me reprimi e tornei-me o máximo inexpressivo que pude.
Passei a odiar todas as pessoas que me insultaram, desejava mais que tudo ter poderes especiais, como os "X-Mens ou os heróis da liga da justiça. O desejo de vingança era grande. Os meus refúgios eram os livros e os blogues, este último foi fundamental quando eu comecei a me questionar, se o que eu ouvi durante toda a infância poderia ser verdade, mas eu não me enxergava nas referências de homens gays que eu conhecia. Eu era diferente.
A existência de pessoas com as mesmas dúvidas que as minhas, e pessoas que compartilhavam suas experiências através de blogues, me ajudaram a iniciar os processos de descobrimento da minha orientação sexual. A aceitação veio alguns anos mais tarde, em outro contexto, quando já não frequentava a blogosfera.
Dos 18 aos 21 anos, com ajuda de de sessões de terapia realizadas anos antes, durante a adolescência para tratamento da depressão, me senti livre dos comportamentos introspectivos e retraídos adquiridos com a depressão. O fato de ter mudado de cidade aos 18 também contribuiu para esse sentimento e progresso.
Continua....












