Universo Paralelo








Morar em república é uma das alternativas mais baratas, senão a mais barata quando se escolhe estudar em outra cidade. 
No meu caso escolhi Frozen City (Foz do Iguaçu), uma linda e adorável cidade de fronteira, cheia de peculiaridades, vantagens e desvantagens. Em 30 minutos você pode estar tomando um café no fim da noite, 30 minutos mais tarde você pode estar na Argentina ou no Paraguay em uma festa e voltar para casa quase 24 horas depois. Nos últimos quatro anos passei por duas residências universitárias e três república s(mistas e masculinas) e no próximo ano talvez outras complementarão esta lista. A vida em república é rodeada de vários acontecimentos, nenhum dia é igual ao outro. Monotonia não existe, no lapso de uma hora você pode estar no se quarto jogado estudando, 30 minutos depois você pode estar numa festa. Tudo depende do seu ânimo e principalmente dos seus companheiros de casa. Nesse tempo, conheci amigos para a vida toda, “amigos” se tornaram inimigos mortais, me apaixonei por um dos meus companheiros de quarto, lidei com as mais variadas personalidades, convivi com hábitos estranhos e logicamente os meus foram estranhos para muitos. Adquiri aprendizados que só a vida em república poderia me proporcionar. Qualquer relação humana é rodeada de conflitos, com familiares não é fácil, imagina com cinco ou seis “desconhecidos” compartilhando uma casa. O dialogo é a melhor a melhor ferramenta para sobreviver em uma república. Tive pais e na maioria das vezes fui pai. Cada um vem como uma história de vida, que em alguns momentos se cruzam Aprendi que a minha noção de limpeza não a mesma noção dos meus companheiro de república, por isso foi necessário muitas vezes criar um padrão. Aprimorei minhas habilidades culinárias. Descobri o quão prazeroso é fazer a feira. É uma terapia escolher batatas e pensar nos problemas que você teve durante o dia. E o que não faltou nesse tempo foram situações estranhas, pra não dizer que algumas foram bizarras. Listei cinco situações fora do comum para mim.




Situação estranha Número I - Porno Lunch. 


Na primeira república que morei tinha um casal de namorados que transformaram a vida dos outros moradores num inferno. Viviam uma simbiose, um verdadeiro cosplay de Bananas de Pijamas. E o mais estranho eram os ruídos que os dois faziam durante a madrugada. Sempre tive curiosidade de saber o que “Mutante” fazia para a "Selvagem"rir tanto durante a madrugada. Quando não era risos eram gemidos. E isso foi o inferno para os moradores que estudavam no turno da manhã. Certo dia me preparando para almoçar, quando o casal "Mutante" e "Selvagem" entram no banho, até ai nada de estranho a não ser o fato do meu almoço ser embalado por gemidos, respiração ofegante e estalo de beijos. Só faltou tapas!


                                                                   
                        
  Qual a necessidade disso?







As casas no sul, geralmente não têm um isolamento acústico muito bom. "Mutantate" e "Selvagem" são fofos apelidos depois de um experimento com moscas feitos por uma das biologistas da república.


Situação estranha II - Pornot (Porno+Notebook)

Morei com um Boliviano por uns 8 meses. Nesse tempo, tentei a todo custo ajudá-lo aprender português, a ter um pouco de habilidade com os afazeres domésticos, a não ser tão irresponsável e achar que tudo é festa. Ele foi um filho que tive sem querer, me ensinou muitas coisas. Acho que levo jeito para ser pai. Um certo dia o notebook dele estragou e aproveitando que eu estava saindo de casa pediu o meu emprestado. Quando voltei, fui pegar meu no de volta, até ai nada demais, a não ser a surpresinha que ele deixou para mim. Quando abro o note, noto um respingo porra na tela e o teclado sujo. 



Ele não teve tempo de limpar, ou melhor teve sim, porque quando bati na porta quarto, ele demorou a abrir. Se demorou tanto, custava limpar? Era alguma mensagem subliminar que ele queria me deixar?




Situação estranha III - Sex Phone

No primeiro dia que cheguei na universidade fui direto para a moradia estudantil, por ser uma universidade nova quase não tinha alunos, o primeiro processo de seleção tinha acontecido seis meses antes, qualquer pessoa que chegasse tinha vaga "garantida" na moradia estudantil. Devidamente alojado, fui dormir a primeira noite longe de casa. Durante a madrugada acordo e tenho a infelicidade de escutar meu companheiro de quarto no final de uma sessão de sexphone. "Eu já gozei, você também, agora eu vou dormir". 



Eu não podia ter acordado 10 minutos depois? Não, se eu acordasse 10 minutos depois não seria eu.









Situação estranha IV: Live Porno


No tempo que morei nos alojamentos da universidade eu tive que compartilhar quarto com pessoas que nunca vi na vida. Ao começo isso foi estranho para minha mente paranóica, que imagina coisas do tipo: "E se ele me matar?" E se ele me estuprar? Com o passar do tempo me acostumei e adorei a ideia. Meus companheiros de quarto sempre tiveram suas namoradinhas e volta e meia elas apareciam para "dormir", ou apareciam quando eu já tinha dormido. Eu só dava conta quando eu acordava no outro dia ou quando cruzava com eles pelos corredores da universidade e ambos olhavam para mim com a cara: Será que ele ouviu algo?

Graças aos céus eu sempre tive um sono de pedra, depois que apago nada me acorda, a não ser as vezes que acordei com o forte cheiro de maconha entrando pela janela do quarto. Imaginar que alguém transou uno quarto, enquanto eu dormia me dá um certo nojinho. Custava me pedir para eu dar uma volta? 






Maridelo (Marijuana+ Pesadelo)
Na segunda residência universitária que morei meu vizinho de quarto cursavam antropologia, consumidores assíduos da "Mari", foram rara as vezes que passei em frente ao quartos deles e não senti cheiro de maconha. Como as janelas dos quartos eram muito próximas, as vezes a fumaça dos cigarros entrava no meu quarto. Numa noite me esqueci de fechar a janela. Acordei na madrugada em meio a uma névoa e cheiro muito forte de maconha, me sentindo um pouco estranho. 
Não sei se o fumo passivo de maconha é capaz de fazer alguém viajar, mas foi capaz de me despertar do meu sono de pedra.

Situação estranha VI :Porno Audio

Como já disse acima, a acústica das casas em Frozen city não é muito boa, geralmente são telhados ao estilo colonial, e os forros não são suficientes para isolar por completo os barulhos produzidos em cadac ômodo. Por esse detalhe arquitetônico, muitas vezes tive a infelicidade de escutar meus companheiros de república fazendo sexo. Essa situação não é nada excitante. Pelo menos para mim é muito desagradável, me dá um embrulho no estômago.

Na penúltima república que morei, teve um episódio que foi além do normal, a menina gritava tanto, que me perguntei várias vezes se ela não estava passando mal, morrendo ou sendo muito bem fodida. Foi algo similar a .Dark Fode.



E você, já vivei alguma situação semelhante?

                          

                 
                   Moby - Why does my heart feel so bad?

                               


Quem goza a vida não inferniza ninguém.


      
       Lana Del Rey- West Coast 

      


      Jane Birking e Serge Gaindbourg - Je T'aime Moi Non Plus


      


       Justin Timberlake - Sexy Back 

      















Acadêmia de Drags ou a "versão brasileira de Rupaul's Drag Race
Seguindo o formato do reality estadunidense oito candidatas disputam o título de Drag mais completa, uma peruca de cabelo natural Lully Hair, uma vigem internacional e um show produzido na boate paulistana Blue Space. Apresentado por Silvetty Montila e tendo como jurado fixo o estilista Alexandre Herchotovitch, o reality vai ao ar todas as segundas-feiras em um canal no Youtube. As comparações como com Rupaul's são invitáveis, mas devem ater-se ao escopo do programa. Ru'pauls estreou a sexta temporada em Maio pelo canal canal gay LOGO , tendo como premiação o título de “America’s Next Drag Superstar” e um prêmio de U$ 100 mil dólares. Ao contrário da mega produção do programa americano, Acadêmia de Drags conta com um baixo orçamento e a edição de vídeo deixa a desejar, visto que inúmeros programas no youtube contam com edições de vídeo dignas de programas de TV, mas nada disso descaracteriza o programa brasileiro. A iniciativa desse gênero não é a primeira no Brasil, em 2012 estreou pela TV Diário, Gliter em Busca de um Sonho, com direito a muita fechação de tempo e glamour - Nove drag's disputaram o prêmio de 3 mil reais ou um salão de beleza. O programa foi um sucesso na internet, consagrou os bordões, "Besha a senhora é destruidora mesmo, viu viado?" (Sangalo Schneider) e Shock de monstro (Rochelly Santrelly). Atualmente as duas viajam pelo Brasil apresentando seu show. Em maio Gliterestreou a segunda temporada, Olimpiadas, com 12 participantes, tem até drag anã. Pra quem curte essa faceta do universo Queer, vale a pena conferir os três programas.


Teaser promocional de Acadêmia de Drags.



Adorei  o Ahazaa besha da Silvetty na abertura do programa.

Episódio 1.
Episódio 2.

Teaser  promocional da 6ª temporada de RuPal's Drag Race




(No Brasil Rupaul's  está disponivel no Netflix.  Pra quem não tem Netflix os episódios podem ser baixados por torrent no The Pirate Bay, na minhão opinião a melhor opção para downloads depois da extinção do antigo Mega Upload).


Glitter em busca de um sonho - Episódio 01




Glitter Olimpíadas - Episodio 01 






América latina, expressão política para designar os países americanos de línguas latinas - Hispano-América,  Luso-América e Franco-América. Mais que uma expressão, somos um povo uno e diverso. Possuímos passado e presentes semelhantes, senão, igual. Um continente de contrastes, de múltiplas cores. Ao contrário do que muitos pensam e do que nos é ensinado, a América não foi descoberta, mas conquistada num processo de expansãoeconômica e territorial por países europeus. Não temos 500 anos, temos milênios de histórias e civilizações. Cincos séculos de historiografia sob a óptica dos conquistadores. Cinco séculos sob o jugo das potências. Cinco séculos sem dar vozes aos vencidos. Cinco séculos ressoando as vozes dos vencedores. É preciso conhecer nossas Raízes, é preciso conhecer nossa história. É preciso dar vozes aos vencidos. Todas nossas tentativas de emancipação foram duramente soterradas;inconfidências,conjurações, revoluções, governos progressistas. É preciso seguir lutando por nossa autonomia, é preciso buscar modelos de desenvolvimentos próprios, baseados na nossa realidade, modelos que refletem nossa sociedade heterogênea. É uma pena que o Brasil siga de costas para seus irmãos. É uma pena que por aqui não se conheça muito sobre eles. É uma pena que muitos brasileiros não se sintam latinos-americanos, que não saibam que são latinos-americanos. 
Calle 13 grupo porto-riquenho de rap/pop, conhecidos pela música de protesto que evoca a soberania latino-americana. Lhes deixo Latinoamaerica, um hino latino-americano na poesia e voz de Calle 13,Toto la Momposina (Cantora Colombiana), Susana Bacca(Cantora peruana), e Maria Rita.


       

Latinoamerica  ( Minha livre tradução, não sou expert no español)

Soy... soy lo que dejaron
Sou... Sou o que deixaram 
Soy toda la sobra de lo que se robaron
Sou toda a sobra do que roubaram
Un pueblo escondido en la cima
Um povo escondido no topo
Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima
Minha pele é de couro, por isso aguenta qualquer clima
Soy una fábrica de humo
Sou uma fábrica de fumo
Mano de obra campesina para tu consumo
Mão de obra campesina para seu consumo
frente de frío en el medio del verano
Frente fria em pleno verão
El amor en los tiempos del cólera, mi hermano!
O amor nos tempos de cólera, meu irmão!
Soy el sol que nace y el día que muere
Sou o sol que nasce e o dia que morre
Con los mejores atardeceres
Com os melhores entardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Sou o desenvolvimento em carne viva
Un discurso político sin saliva
Um discurso político sem saliva
Las caras más bonitas que he conocido
Os rostos mais bonitos que conheci
Soy la fotografía de un desaparecido
Sou a fotografia de um desaparecido
La sangre dentro de tus venas
O sangue dentro de suas veias
Soy un pedazo de tierra que vale la pena
Sou um pedação de terra que vale a pena
Una canasta con frijoles, soy Maradona contra Inglaterra
Um cesto com feijão, sou Maradona contra Inglaterra
Anotándote dos goles
Marcando dois gols
Soy lo que sostiene mi bandera
Sou o que levanta minha bandeira
La espina dorsal del planeta, es mi cordillera
A espinha dorsal do planeta, minha cordilhera
Soy lo que me enseñó mi padre
Sou o que meu pai me ensinou
El que no quiere a su patría, no quiere a su madre
Ele que não gosta de sua pátria, que não gosta de sua mãe
Soy américa Latina, un pueblo sin piernas, pero que camina
Sou América Latina, um povo sem pernas, mas que caminha
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrio
Tenho meus dentes para quando sorrio
La nieve que maquilla mis montañas
A neve maquia minhas montanhas
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña
Tenho o sol que me seca e a chuva que me banha
Un desierto embriagado con peyote
Um deserto embriagado com cactos
Un trago de pulque para cantar con los coyotes
Um  gole de pulque para cantar com os coiotes
Todo lo que necesito, tengo a mis pulmones respirando azul clarito
Tudo que necessito, tenho meus pulmões respirando azul clarinho
la altura que sofoca,
A altura que sufoca
Soy las muelas de mi boca, mascando coca
Sou  as rodas da minha boca, mascando coca
El otoño con sus hojas desmayadas
O outono com suas folhas desmaiadas
Los versos escritos bajo la noches estrellada
Os versos escritos sob a noite estrelada
Una viña repleta de uvas
Uma parrera repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba
Um canavial sob o sol em Cuba
Soy el mar Caribe que vigila las casitas
Sou  o mar do Caribe que guarda as casinhas
Haciendo rituales de agua bendita
Fazendo rituais com água benta
El viento que peina mi cabellos
O vento que penteia meus cabelos
Soy, todos los santos que cuelgan de mi cuello
Sou todos os santos pendurados em meu pescoço
El jugo de mi lucha no es artificial
O jogo da minha luta não é artificial
Porque el abono de mi tierra es natural
Porque o adubo da minha terra é natural
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tu não pode comprar o vento
Tú no puedes comprar el sol
Tu não pode comprar o sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tu no podes comprar a chuva
Tú no puedes comprar el calor
Tu não pode comprar o calor
Susana Bacca:
Tú no puedes comprar las nubes
Tu não pode comprar as nuvens
Tú no puedes comprar los colores
Tu não pode comprar as cores
Tú no puedes comprar minha alegria
Tu não pode comprar minha alegria
Tú no puedes comprar mis dolores
Tu não pode comprar minhas dores
Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor
Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha'legria
Não se pode comprar minhas dores
No puedes comprar el sol
Não se pode comprar o sol
No puedes comprar la lluvia
Não se pode comprar a chuva
(Vamos caminando)
(Vamos caminhando)
No riso e no amor
(Vamos caminando)
(Vamos Caminhando)
No pranto e na dor
(Vamos dibujando el camino)
(Vamos semeando o caminho)
No puedes comprar mi vida
Não se pode comprar minha vida
(Vamos caminando)
(Vamos caminhando)
La tierra no se vende
A terra não se vende
Trabajo bruto, pero con orgullo
Trabalho bruto, mas com orgulho
Aquí se comparte, lo mío es tuyo
Aqui se compartilha, o meu também é seu
Este pueblo no se ahoga con marullo
Este povo não se afoga com as marés
Y se derrumba yo lo reconstruyo
E se desmorona, eu o reconstruo
tampoco pestañeo cuando te miro
Não pisco quando te observo
para que te recuerde de mi apellido
Para que se lembre do meu sobrenome
La operación Condor invadiendo mi nido
A operação Condor invadindo meu ninho
Perdono pero nunca olvido
Perdoo, mas nunca esqueço
Oye!
Vamos caminando
Vamos caminhando
Aquí se respira lucha
Aqui respiramos luta
Vamos caminando
Vamos caminhando
Yo canto porque se escucha
Eu canto porque me escutam
Vamos caminando
Vamos caminhando
Aquí estamos de pie
Aqui estamos de pé
Que viva la américa!
Viva a América!
Caráter


                  


Eu tenho um irmão de 14 ano, quando criança eu gostava muito dele e acreditava que o hábito de mentir permaneceria na infância. Depois de quatro meses convivendo com ele após retornar a casa dos meus pais me deparei com uma pessoa desconhecida. As pessoas mudam, mas as mudanças que encontrei nele fizeram-fazem me distanciar. Não convivi com ele nos últimos quatros anos, mas pelo que os meus pais me disseram, que durante esse tempo - passaram e passam maus bocados.
Hoje posso dizer que não tenho saco, tempo e energia para suportar a total falta de respeito para com meus pais, a falta de hombridade, o desinteresse total pelos estudos, chantagens, mentiras (este último acredito seriamente que seja patológico, ele monta verdadeiros melodramas para tornar críveis suas mentiras), os roubos a meus pais. A ele não falta nada, muito pelo contrário tem até demais, e não dá nenhum retorno pelo que têm, e cada vez quer mais e mais. Roubar os meus pais é como dar soco no meu estômago, imagina no deles?! Para os meus pais isso não é o pior, mas as reprovações na escola que começaram a se acumular. Eu desisti do meu irmão, assim como meus pais já desistiram.
Adolescência é uma fase difícil, compreendo-a. No entanto, creio que nunca passei por ela, ou se passei não foi dentro dos moldes mais descritos que todo mundo conhece. Porém essa fase "conturbada" a meu ver não justifica "desvios de caráter". Eu e minha irmã tivemos a mesma criação que ele recebe dos meus pais, e nunca tivemos esse comportamento. Como a "mesma criação" pode conceber carateres tão distintos? Aqui faço uma coisa que geralmente não gosto de fazer, julgar as pessoas baseando em preceitos morais, mas honestidade é algo que não dá para abrir mão.) Diante deste cenário, eu me pergunto, caráter é transmitido durante a criação pelos pais, ou a pessoa nasce com ele escrito em seu ADN. Esse cenário e outros que já observei me fazem crer que a pessoa nasce com ele.
Pra você, caráter a pessoa nasce com ele, ou é transmitido pelos pais durante a criação?
  
                       



Morar próximo a parente pode ser bom, mas também pode ser um pesadelo. no meu caso morar na mesma rua que uma avó-tia e seis primos-tios sendo primo do meu pai, primo da minha mãe e tendo a mesma família por ambos os lados na maioria das vezes é um pesadelo.
Não entendeu? Eu também demorei um tempo para poder entender essa mistura, qualquer dia posto a árvore genealógica da minha grande "família". Sou de uma família onde a mediocridade de tomar conta da vida dos outros é praxe. Desconfio que seja genético. Embora eu os chame de família, eu os considero apenas como parentes. Para mim, família é quem eu convivo todos os dias embaixo do mesmo teto, ou seja, no meu caso: mãe, pai e irmãos. Dos meus parentes procuro manter uma certa distância, eu cá e eles lá. As coisas funcionam melhor dessa maneira. não gosto de pessoas dando pitacona minha vida. Não dou na deles, mas essa lógica só funciona para mim, porque eles infelizmente não têm essa percepção. Nessa Minha odisseia com a enxaqueca, resultado de uma insônia de mais de seis meses e ansiedade que já é carne na minha vida, fiquei incapacitado de fazer muitas coisas por mais de um mês, com um mau humor do cão que não dava trégua.
Qualquer coisa me irritava a ponto de me tornar um cão raivoso. Agora é fazer o uso de um antidepressivo por 40 dias e recuperar o equilíbrio químico do cérebro. Eis que no último fim-de-semana, recebo a visita de uma tia e da minha avó paterna, vieram saber como eu estava. Como minha mãe não estava em casa, tive que fazer sala (coisa que detesto fazer para pessoas que não tenho muita intimidade). Até ai nada demais, por mais que eu seja anti-social com parentes fiz a lição de casa muito bem, os recebi como toda hospitalidade mineira, como manda o figurino. E, como não era de se estranhar, ei que surge o conselho que sempre fizeram: “Você deve procurar Deus, sair de casa, participar dos grupos da igreja”.
O mesmo discurso que fizeram quando desenvolvi uma depressão com TOC aos 14 anos, disseram que eu não deveria tomar remédios e frequentar psicólogos e psiquiatras, mas sim procurar Deus, como se minha doença fosse um castigo divino por não viver vida espiritual que eles vivem.


Ainda bem que meus pais não têm esse pensamento radical como minha tia e minha avó.


Eu perdoo a ignorância, são pessoas que foram criadas dentro de uma moral religiosa no século passado, não tiveram acesso à informação que dispomos hoje. Mas o que eu não perdoo é ignorarem meu posicionamento espiritual, que deixei claro desde muito cedo, quando ir a missa já não fazia o mínimo sentido para mim. Não preciso e não vejo necessidade de frequentar igrejas. Os moldes das religiões cristãs nunca fizeram sentido para mim. Nunca gostei da possibilidade que alguém me dissesse como eu tenho que viver a minha vida se baseando num livro sagrado. Por ter essa visão sobre religiões desde cedo, esse nunca foi um elemento direto que impediu a minha aceitação como gay, mas sim, o preconceito social. Lembro que quando fui batizado aos quatro anos, mordi a mão do padre. Não era para menos, no frio do mês de Junho me acordam cedo pra jogarem água fria na minha cabeça, essa foi a única reação que aos três anos eu pude ter. Lembro-me de ser obrigado pela minha mãe a ir no catecismo. Como eu odiava! Tentaram que eu fosse aos 7, não deu certo, aos 8, não deu certo. A minha revolta por ser obrigado a ir resultou na liberação de todo meu maquiavelismo e deboche. Lembro que na época da páscoa a catequista pediu pra que desenhasse a ressurreição de cristo. Desenhei Jesus pulando de um telhado de uma casa, com direito a muito sangue como a cena de um suicídio assim tem.
 

Pode parecer desrespeito a religião alheia, mas é uma demonstração do que acontece quando se ignora as vontades de uma criança.¹ A última tentativa dos meus pais, por pressão da minha avó, que é uma beata, foi aos dez anos, depois de dois sábados eu bati o pé e disse: - Não me obriguem a fazer nada que eu não queira! 
Não gosto de uma religião que não permite a emancipação do meu ser. Não nasci para ser domado e controlado com medo de não ter salvação. Se você não crê em Deus não será salvo! (O mundo seria melhor se as pessoas vivessem sua fé em privado e a partilhassem apenas com seu pares.) Lembro-me dos olhares de pena e espanto que recebi todas as vezes que disse que não era cristão. Lembro-me das tentativas frustradas de muitos de me levarem para igreja. Eu não me lembro de tentar fazê-los desacreditar no Deus deles. É muito difícil viver em uma sociedade que a intolerância religiosa é tão grande tanto para religiões minoritárias, tanto quanto parar quem não tem religião. Acredito em Deus, mas não no Deus cristão, que pune, que castiga. A maioria dos problemas das pessoas são elas que os criam, e somente elas que podem resolver, não Deus. Não quero salvação, quero viver a única vida que sei que tenho, quero morrer e saber que fui feliz em todas as minhas decisões, quero saber que com a minha vida não prejudiquei meu semelhante. Esta é a minha "religião". Mas essa decisão nunca foi respeitada por completo pelos meus pais. Não me obrigaram a ir ao catecismo, mas volta e meia sempre escuto: “Você precisa de Deus”. Só me resta paciência, e conviver com situações que não posso mudar.




Uma das características do capitalismo é a sua versatilidade ao explorar os mais variados nichos de mercado que se possa imaginar. 
Isso vai desde os conceitos de sustentabilidade (a Natura é um bom exemplo disso), passando pelo aquecimento global(outra invenção capitalista) e o turismo LGBTQ. Este último explora uma proporção da população mundial historicamente marginalizada, e que geralmente goza de alto poder aquisitivo quando comparada a população heterossexual. 

Pensando nessa fatia do mercado, a Gay Airlines surge com a missão de oferecer um serviço de turismo personalizado para a população LGBTQ, incluindo aeronaves, recepção e festas. A empresa iniciará suas atividades no dia 3 de outubro, ligando Londres à cidade de Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Outro objetivo da empresa é colocar a ilha no mapa mundial do turismo LBGTQ, oferecendo rotas ligando Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Irlanda a cidade espanhola. 

Esse posta não é uma propaganda sobre os serviços da Gay Airlines, mas uma reflexão sobre a validade da exploração comercial de um segmento marginalizado, com serviços que a meu ver contribuem para delinear a segregação da população Queer, já que pela gay airlines só voaria gays, lésbicas e transgêneros, indo na contramão da tão sonhada igualdade. Outro ponto que crítico é a cor escolhida para o avião, o rosa que corrobora para perpetuar preconceito clichê de que gay é sinônimo do rosa, e que rosa é uma cor feminina. Esse tipo de proposta não é nova, já ouve a remodelação pelo site suecoWebHallendo console do play Station 4, trazendo um console com as cores do arco-íris.


O hambúrguer do orgulho, lançado pelo Burger King na Cidade de São Francisco na semana do orgulho gay. 











Para você, a aceitação de propostas como estas pela comunidade gay é ir na contramão da busca de uma sociedade igualitária entre homos e héteros? A criação de produtos exclusivamente gays fomentam ainda mais a homofobia?

 



Deitado, olhando para o teto, embalado pela voz suave e lúdica de Natalia  Lafoucarde tomo coragem para ir buscar e abrir  o resultado de uma tomografia. Um mês, sem o órgão que mais gosto funcionando perfeitamente. Um mês, de crises sucessivas de enxaqueca. Não poder ler, escrever, pensar a todo vapor é uma tortura. Sempre acreditei que em toda situação ruim é possível extrair algo positivo. Nesse um mês de molho repensei hábitos, situações, me motivei. Resolvi dar um basta nessa crise depressiva, que pouco a pouco toma conta de mim, desde que voltei para casa dos meus pais. Nesse tempo, descobri que as oito, dez horas que eu  passava na frente uma tela de computador  só fizeram piorar meu quadro. Esse desequilíbrio químico, chamado enxaqueca me mostrou isso. Solo me queda mantener la calma y seguir adelante.
               

Spotify é vida!






Este mês de Setembro é muito mais que o mês do meu aniversário, será lembrando por um acontecimento marcante para mim. 
Consegui após três anos e meio chegar ao fim de um livro. Li o romance O quinze, de Raquel de Queiroz. (Amo o romance regionalista) 
Desde que comecei minha vida acadêmica até agora nunca consegui terminar a leitura de um livro escolhido por gosto, em meio as leituras obrigatórias, trabalhos, provas e noites sem dormir, a leitura por prazer sempre ficou em último plano, quando sobrava último plano. Perdi a conta da quantidade de livros que peguei na biblioteca e não passei do segundo capítulo. Este é um drama enfrentando por muito universitários, sempre escutei esse descontentamento de amigos e conhecidos. 
Ler sempre foi meu passatempo preferido. Lembro que aprendi a ler após dois meses em que entrei na escola, desde então a leitura se fez presente na minha vida. Agradeço a minha mãe por ter incentivado esse hábito em mim. Sempre, desde pequeno a vi lendo algo. Lembro, que aos cinco anos eu já chorava querendo ir para escola. 
Viver esse hiato de quase quatro anos foi uma das maiores torturas. Espero muito, que isso não se repita na próxima graduação que eu começar. Sim, eu sou desses que precisa passar por alguns cursos até encontrar o que considera a escolha certa. 





                                   
                                               
"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar consciente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

Hoje, considero que cumpro 22 e 3 anos de vida. Dois nascimentos, um quando eu viera ao mundo e outro quando lancei um olhar consciente sobre mim, quando tomei conhecimento da minha existência no espaço-tempo.

Às vezes sinto falta da ingenuidade da infância. Perdê-la foi uma das maiores dores que já experimentei, foi capaz de abalar todas as estruturas do meu ser. Ver como o mundo me enxergava foi doloroso. A primeira decepção com o bicho homem. Sinto falta da leveza de uma vida sem responsabilidades na adolescência – minhas únicas preocupações eram estudar e pensar, e ao mesmo tempo, tenho pânico quando lembro do um milhão de dúvidas que pairavam na minha mente.
Lembro do primeiro êxtase, aos 3 anos - dependurado pela camisa numa cerca sobre um barranco de 10m, eu fitava o horizonte, e ao fundo ouvia os gritos desesperados da minha mãe.


Lembro de um presente aos 4 anos - ganhei uma cesta cheia de pão de queijos da minha avó. Até hoje posso sentir o sabor e encanto daquele presente.


Lembro da primeira aula aos 6 - eu observava tremulo o ambiente desconhecido, e tracejava timidamente algumas letras no papel.


Lembro da primeira leitura também aos 6 - queria ler o mundo... Até hoje quero.


Lembro do primeiro beijo triplo aos 7, com duas gêmeas que me agarraram a força. Atordoado, não entendi o que era aquilo.


Lembro da minha primeira excitação aos 11 - eu observava um homem, que se destacava na multidão da avenida. Eu me excitei e não quis entender o que passara.


Lembro do primeiro orgasmo aos 12 - descobrindo o meu corpo.


Lembro do primeiro beijo aos 14 - seu nome era Rosa - envergonhado, tentei esconder minha excitação.


Lembro do primeiro suicídio aos 15 - foram 8 comprimidos, acordei 8 horas depois numa manhã ensolarada.


Lembro da primeira vez que sai de casa aos 18 -  durante uma semana estive nas entranhas da vida. Uma semana depois eu soube que havia nascido pela segunda vez.


Lembro do primeiro beijo  aos 19 - Tremulo, eu me entreguei.


Lembra da primeira paixão aos 20 - Eu não entendia porque ele não saia do meu pensamento.


Lembro do segundo êxtase aos 20 - Conversas com macacos falantes, habitantes de universos paralelos.


Lembro da primeira dor de amor aos 20 - Ele não sentia o mesmo - nesse momento eu pairei no ar... Ali não existia chão.


Lembro do segundo bolo de aniversário aos 20 - No meu aniversário de um ano ele quis fazer uma surpresa, mas minha falta de feeling atrapalhou tudo. Fiquei muito feliz.


Lembro de compreender filos aos 21 - O sublime amor por amigos - em despedidas eu descobri o quanto eu os amo.

Lembro....
Lembro do primeiro amor, aos 21 - A paixão se foi, mas resta carinho, ternura... Até hoje não entendo o porquê.


Aos 22 eu descobri que nem tudo precisa ser compreendido, viver satisfaz qualquer necessidade de compreensão. Esse é o sentido da vida, VIVER.

Pode parece saudosismo, mas gosto dessas lembranças, me fazem esboçar um sorriso bobo, um sorriso por saber, que muito já foi vivido, e que este muito, não é quase-nada.
Lançar um olhar sobre as memórias que chamamos de passado, me faz enxergar todas as etapas que passei, que resultaram no ser que sou hoje.
Há três anos eu comecei a formar as bases da minha personalidade da vida adulta e a construir um ser autônomo. Dizer isso, não é desconsiderar o que foi vivido antes, mas reconhecer como um período de gestação, do ser que cresce hoje.
Conquistei muitos sonhos, outros ainda estão por vir, mas nada se desenrola como planejamos em nossa mente; ir parar numa cidade do extremo oeste, me fez entender muito bem essa máxima, eu nunca imaginei até então que iria tão longe, viver uma experiência tão diferente da que eu havia planejado. A vida é sinuosa, como uma estrada cheia de curvas, nunca sabemos o que nos espera na próxima curva, ou quanto tempo permaneceremos na mesma direção.
Duas graduações interrompidas, embora sem nenhum diploma, me sinto realizado. Aprendi muito. Todavia sigo na busca da minha “vocação” para sobreviver a fera capitalista. Passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, quero passar todos esse tempo fazendo algo prazeroso.
Hoje, a vida me parece mais fácil, aprendi a duras penas, que o quanto mais fizermos o uso do diálogo, mais simples a vida se torna. 



Aos 22 anos caminho livre, liberto de muitas amarras, outros nós ainda esperam para serem desatados. Caminho com poucos pesos sobre mim, confiante, mas temoroso.





Um tempo atrás cai em um desafio no Facebook, no qual você tinha de dizer 17 coisas sobre você. Nunca fui muito fã de desafios, porém esse me chamou atenção, pois é um ótimo exercício de auto-analise e autoconhecimento. Já dizia Sócrates: "Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achar primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum".

Ai vai!