Universo Paralelo
Caráter


                  


Eu tenho um irmão de 14 ano, quando criança eu gostava muito dele e acreditava que o hábito de mentir permaneceria na infância. Depois de quatro meses convivendo com ele após retornar a casa dos meus pais me deparei com uma pessoa desconhecida. As pessoas mudam, mas as mudanças que encontrei nele fizeram-fazem me distanciar. Não convivi com ele nos últimos quatros anos, mas pelo que os meus pais me disseram, que durante esse tempo - passaram e passam maus bocados.
Hoje posso dizer que não tenho saco, tempo e energia para suportar a total falta de respeito para com meus pais, a falta de hombridade, o desinteresse total pelos estudos, chantagens, mentiras (este último acredito seriamente que seja patológico, ele monta verdadeiros melodramas para tornar críveis suas mentiras), os roubos a meus pais. A ele não falta nada, muito pelo contrário tem até demais, e não dá nenhum retorno pelo que têm, e cada vez quer mais e mais. Roubar os meus pais é como dar soco no meu estômago, imagina no deles?! Para os meus pais isso não é o pior, mas as reprovações na escola que começaram a se acumular. Eu desisti do meu irmão, assim como meus pais já desistiram.
Adolescência é uma fase difícil, compreendo-a. No entanto, creio que nunca passei por ela, ou se passei não foi dentro dos moldes mais descritos que todo mundo conhece. Porém essa fase "conturbada" a meu ver não justifica "desvios de caráter". Eu e minha irmã tivemos a mesma criação que ele recebe dos meus pais, e nunca tivemos esse comportamento. Como a "mesma criação" pode conceber carateres tão distintos? Aqui faço uma coisa que geralmente não gosto de fazer, julgar as pessoas baseando em preceitos morais, mas honestidade é algo que não dá para abrir mão.) Diante deste cenário, eu me pergunto, caráter é transmitido durante a criação pelos pais, ou a pessoa nasce com ele escrito em seu ADN. Esse cenário e outros que já observei me fazem crer que a pessoa nasce com ele.
Pra você, caráter a pessoa nasce com ele, ou é transmitido pelos pais durante a criação?
  
                       



Morar próximo a parente pode ser bom, mas também pode ser um pesadelo. no meu caso morar na mesma rua que uma avó-tia e seis primos-tios sendo primo do meu pai, primo da minha mãe e tendo a mesma família por ambos os lados na maioria das vezes é um pesadelo.
Não entendeu? Eu também demorei um tempo para poder entender essa mistura, qualquer dia posto a árvore genealógica da minha grande "família". Sou de uma família onde a mediocridade de tomar conta da vida dos outros é praxe. Desconfio que seja genético. Embora eu os chame de família, eu os considero apenas como parentes. Para mim, família é quem eu convivo todos os dias embaixo do mesmo teto, ou seja, no meu caso: mãe, pai e irmãos. Dos meus parentes procuro manter uma certa distância, eu cá e eles lá. As coisas funcionam melhor dessa maneira. não gosto de pessoas dando pitacona minha vida. Não dou na deles, mas essa lógica só funciona para mim, porque eles infelizmente não têm essa percepção. Nessa Minha odisseia com a enxaqueca, resultado de uma insônia de mais de seis meses e ansiedade que já é carne na minha vida, fiquei incapacitado de fazer muitas coisas por mais de um mês, com um mau humor do cão que não dava trégua.
Qualquer coisa me irritava a ponto de me tornar um cão raivoso. Agora é fazer o uso de um antidepressivo por 40 dias e recuperar o equilíbrio químico do cérebro. Eis que no último fim-de-semana, recebo a visita de uma tia e da minha avó paterna, vieram saber como eu estava. Como minha mãe não estava em casa, tive que fazer sala (coisa que detesto fazer para pessoas que não tenho muita intimidade). Até ai nada demais, por mais que eu seja anti-social com parentes fiz a lição de casa muito bem, os recebi como toda hospitalidade mineira, como manda o figurino. E, como não era de se estranhar, ei que surge o conselho que sempre fizeram: “Você deve procurar Deus, sair de casa, participar dos grupos da igreja”.
O mesmo discurso que fizeram quando desenvolvi uma depressão com TOC aos 14 anos, disseram que eu não deveria tomar remédios e frequentar psicólogos e psiquiatras, mas sim procurar Deus, como se minha doença fosse um castigo divino por não viver vida espiritual que eles vivem.


Ainda bem que meus pais não têm esse pensamento radical como minha tia e minha avó.


Eu perdoo a ignorância, são pessoas que foram criadas dentro de uma moral religiosa no século passado, não tiveram acesso à informação que dispomos hoje. Mas o que eu não perdoo é ignorarem meu posicionamento espiritual, que deixei claro desde muito cedo, quando ir a missa já não fazia o mínimo sentido para mim. Não preciso e não vejo necessidade de frequentar igrejas. Os moldes das religiões cristãs nunca fizeram sentido para mim. Nunca gostei da possibilidade que alguém me dissesse como eu tenho que viver a minha vida se baseando num livro sagrado. Por ter essa visão sobre religiões desde cedo, esse nunca foi um elemento direto que impediu a minha aceitação como gay, mas sim, o preconceito social. Lembro que quando fui batizado aos quatro anos, mordi a mão do padre. Não era para menos, no frio do mês de Junho me acordam cedo pra jogarem água fria na minha cabeça, essa foi a única reação que aos três anos eu pude ter. Lembro-me de ser obrigado pela minha mãe a ir no catecismo. Como eu odiava! Tentaram que eu fosse aos 7, não deu certo, aos 8, não deu certo. A minha revolta por ser obrigado a ir resultou na liberação de todo meu maquiavelismo e deboche. Lembro que na época da páscoa a catequista pediu pra que desenhasse a ressurreição de cristo. Desenhei Jesus pulando de um telhado de uma casa, com direito a muito sangue como a cena de um suicídio assim tem.
 

Pode parecer desrespeito a religião alheia, mas é uma demonstração do que acontece quando se ignora as vontades de uma criança.¹ A última tentativa dos meus pais, por pressão da minha avó, que é uma beata, foi aos dez anos, depois de dois sábados eu bati o pé e disse: - Não me obriguem a fazer nada que eu não queira! 
Não gosto de uma religião que não permite a emancipação do meu ser. Não nasci para ser domado e controlado com medo de não ter salvação. Se você não crê em Deus não será salvo! (O mundo seria melhor se as pessoas vivessem sua fé em privado e a partilhassem apenas com seu pares.) Lembro-me dos olhares de pena e espanto que recebi todas as vezes que disse que não era cristão. Lembro-me das tentativas frustradas de muitos de me levarem para igreja. Eu não me lembro de tentar fazê-los desacreditar no Deus deles. É muito difícil viver em uma sociedade que a intolerância religiosa é tão grande tanto para religiões minoritárias, tanto quanto parar quem não tem religião. Acredito em Deus, mas não no Deus cristão, que pune, que castiga. A maioria dos problemas das pessoas são elas que os criam, e somente elas que podem resolver, não Deus. Não quero salvação, quero viver a única vida que sei que tenho, quero morrer e saber que fui feliz em todas as minhas decisões, quero saber que com a minha vida não prejudiquei meu semelhante. Esta é a minha "religião". Mas essa decisão nunca foi respeitada por completo pelos meus pais. Não me obrigaram a ir ao catecismo, mas volta e meia sempre escuto: “Você precisa de Deus”. Só me resta paciência, e conviver com situações que não posso mudar.




Uma das características do capitalismo é a sua versatilidade ao explorar os mais variados nichos de mercado que se possa imaginar. 
Isso vai desde os conceitos de sustentabilidade (a Natura é um bom exemplo disso), passando pelo aquecimento global(outra invenção capitalista) e o turismo LGBTQ. Este último explora uma proporção da população mundial historicamente marginalizada, e que geralmente goza de alto poder aquisitivo quando comparada a população heterossexual. 

Pensando nessa fatia do mercado, a Gay Airlines surge com a missão de oferecer um serviço de turismo personalizado para a população LGBTQ, incluindo aeronaves, recepção e festas. A empresa iniciará suas atividades no dia 3 de outubro, ligando Londres à cidade de Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Outro objetivo da empresa é colocar a ilha no mapa mundial do turismo LBGTQ, oferecendo rotas ligando Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Irlanda a cidade espanhola. 

Esse posta não é uma propaganda sobre os serviços da Gay Airlines, mas uma reflexão sobre a validade da exploração comercial de um segmento marginalizado, com serviços que a meu ver contribuem para delinear a segregação da população Queer, já que pela gay airlines só voaria gays, lésbicas e transgêneros, indo na contramão da tão sonhada igualdade. Outro ponto que crítico é a cor escolhida para o avião, o rosa que corrobora para perpetuar preconceito clichê de que gay é sinônimo do rosa, e que rosa é uma cor feminina. Esse tipo de proposta não é nova, já ouve a remodelação pelo site suecoWebHallendo console do play Station 4, trazendo um console com as cores do arco-íris.


O hambúrguer do orgulho, lançado pelo Burger King na Cidade de São Francisco na semana do orgulho gay. 











Para você, a aceitação de propostas como estas pela comunidade gay é ir na contramão da busca de uma sociedade igualitária entre homos e héteros? A criação de produtos exclusivamente gays fomentam ainda mais a homofobia?

 



Deitado, olhando para o teto, embalado pela voz suave e lúdica de Natalia  Lafoucarde tomo coragem para ir buscar e abrir  o resultado de uma tomografia. Um mês, sem o órgão que mais gosto funcionando perfeitamente. Um mês, de crises sucessivas de enxaqueca. Não poder ler, escrever, pensar a todo vapor é uma tortura. Sempre acreditei que em toda situação ruim é possível extrair algo positivo. Nesse um mês de molho repensei hábitos, situações, me motivei. Resolvi dar um basta nessa crise depressiva, que pouco a pouco toma conta de mim, desde que voltei para casa dos meus pais. Nesse tempo, descobri que as oito, dez horas que eu  passava na frente uma tela de computador  só fizeram piorar meu quadro. Esse desequilíbrio químico, chamado enxaqueca me mostrou isso. Solo me queda mantener la calma y seguir adelante.
               

Spotify é vida!






Este mês de Setembro é muito mais que o mês do meu aniversário, será lembrando por um acontecimento marcante para mim. 
Consegui após três anos e meio chegar ao fim de um livro. Li o romance O quinze, de Raquel de Queiroz. (Amo o romance regionalista) 
Desde que comecei minha vida acadêmica até agora nunca consegui terminar a leitura de um livro escolhido por gosto, em meio as leituras obrigatórias, trabalhos, provas e noites sem dormir, a leitura por prazer sempre ficou em último plano, quando sobrava último plano. Perdi a conta da quantidade de livros que peguei na biblioteca e não passei do segundo capítulo. Este é um drama enfrentando por muito universitários, sempre escutei esse descontentamento de amigos e conhecidos. 
Ler sempre foi meu passatempo preferido. Lembro que aprendi a ler após dois meses em que entrei na escola, desde então a leitura se fez presente na minha vida. Agradeço a minha mãe por ter incentivado esse hábito em mim. Sempre, desde pequeno a vi lendo algo. Lembro, que aos cinco anos eu já chorava querendo ir para escola. 
Viver esse hiato de quase quatro anos foi uma das maiores torturas. Espero muito, que isso não se repita na próxima graduação que eu começar. Sim, eu sou desses que precisa passar por alguns cursos até encontrar o que considera a escolha certa. 





                                   
                                               
"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar consciente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

Hoje, considero que cumpro 22 e 3 anos de vida. Dois nascimentos, um quando eu viera ao mundo e outro quando lancei um olhar consciente sobre mim, quando tomei conhecimento da minha existência no espaço-tempo.

Às vezes sinto falta da ingenuidade da infância. Perdê-la foi uma das maiores dores que já experimentei, foi capaz de abalar todas as estruturas do meu ser. Ver como o mundo me enxergava foi doloroso. A primeira decepção com o bicho homem. Sinto falta da leveza de uma vida sem responsabilidades na adolescência – minhas únicas preocupações eram estudar e pensar, e ao mesmo tempo, tenho pânico quando lembro do um milhão de dúvidas que pairavam na minha mente.
Lembro do primeiro êxtase, aos 3 anos - dependurado pela camisa numa cerca sobre um barranco de 10m, eu fitava o horizonte, e ao fundo ouvia os gritos desesperados da minha mãe.


Lembro de um presente aos 4 anos - ganhei uma cesta cheia de pão de queijos da minha avó. Até hoje posso sentir o sabor e encanto daquele presente.


Lembro da primeira aula aos 6 - eu observava tremulo o ambiente desconhecido, e tracejava timidamente algumas letras no papel.


Lembro da primeira leitura também aos 6 - queria ler o mundo... Até hoje quero.


Lembro do primeiro beijo triplo aos 7, com duas gêmeas que me agarraram a força. Atordoado, não entendi o que era aquilo.


Lembro da minha primeira excitação aos 11 - eu observava um homem, que se destacava na multidão da avenida. Eu me excitei e não quis entender o que passara.


Lembro do primeiro orgasmo aos 12 - descobrindo o meu corpo.


Lembro do primeiro beijo aos 14 - seu nome era Rosa - envergonhado, tentei esconder minha excitação.


Lembro do primeiro suicídio aos 15 - foram 8 comprimidos, acordei 8 horas depois numa manhã ensolarada.


Lembro da primeira vez que sai de casa aos 18 -  durante uma semana estive nas entranhas da vida. Uma semana depois eu soube que havia nascido pela segunda vez.


Lembro do primeiro beijo  aos 19 - Tremulo, eu me entreguei.


Lembra da primeira paixão aos 20 - Eu não entendia porque ele não saia do meu pensamento.


Lembro do segundo êxtase aos 20 - Conversas com macacos falantes, habitantes de universos paralelos.


Lembro da primeira dor de amor aos 20 - Ele não sentia o mesmo - nesse momento eu pairei no ar... Ali não existia chão.


Lembro do segundo bolo de aniversário aos 20 - No meu aniversário de um ano ele quis fazer uma surpresa, mas minha falta de feeling atrapalhou tudo. Fiquei muito feliz.


Lembro de compreender filos aos 21 - O sublime amor por amigos - em despedidas eu descobri o quanto eu os amo.

Lembro....
Lembro do primeiro amor, aos 21 - A paixão se foi, mas resta carinho, ternura... Até hoje não entendo o porquê.


Aos 22 eu descobri que nem tudo precisa ser compreendido, viver satisfaz qualquer necessidade de compreensão. Esse é o sentido da vida, VIVER.

Pode parece saudosismo, mas gosto dessas lembranças, me fazem esboçar um sorriso bobo, um sorriso por saber, que muito já foi vivido, e que este muito, não é quase-nada.
Lançar um olhar sobre as memórias que chamamos de passado, me faz enxergar todas as etapas que passei, que resultaram no ser que sou hoje.
Há três anos eu comecei a formar as bases da minha personalidade da vida adulta e a construir um ser autônomo. Dizer isso, não é desconsiderar o que foi vivido antes, mas reconhecer como um período de gestação, do ser que cresce hoje.
Conquistei muitos sonhos, outros ainda estão por vir, mas nada se desenrola como planejamos em nossa mente; ir parar numa cidade do extremo oeste, me fez entender muito bem essa máxima, eu nunca imaginei até então que iria tão longe, viver uma experiência tão diferente da que eu havia planejado. A vida é sinuosa, como uma estrada cheia de curvas, nunca sabemos o que nos espera na próxima curva, ou quanto tempo permaneceremos na mesma direção.
Duas graduações interrompidas, embora sem nenhum diploma, me sinto realizado. Aprendi muito. Todavia sigo na busca da minha “vocação” para sobreviver a fera capitalista. Passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, quero passar todos esse tempo fazendo algo prazeroso.
Hoje, a vida me parece mais fácil, aprendi a duras penas, que o quanto mais fizermos o uso do diálogo, mais simples a vida se torna. 



Aos 22 anos caminho livre, liberto de muitas amarras, outros nós ainda esperam para serem desatados. Caminho com poucos pesos sobre mim, confiante, mas temoroso.





Um tempo atrás cai em um desafio no Facebook, no qual você tinha de dizer 17 coisas sobre você. Nunca fui muito fã de desafios, porém esse me chamou atenção, pois é um ótimo exercício de auto-analise e autoconhecimento. Já dizia Sócrates: "Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achar primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum".

Ai vai!


Marujo. - Me livrei do mal chamado Hornet.
Dominus -  Sério?
Marujo - Sim. Não Suporto!
Dominus - Estou há um mês sem isso.
Marujo - Eu acho que ativa ainda mais minha depressão intrínseca. Gostava no início.
Dominus - Eu queria muito frequentar lugares que rolassem um cara a cara, um jogo de olhares igual aqueles de filmes....




Aos 19 Dominus foi apresentado as salas de bate-papo. Achou o máximo! Agora podia driblar seu medo e se relacionar com caras que seguramente eram gays. Entrar em salas de bate-papo virou um hábito diário, praticado religiosamente no mesmo horário. O tempo passou, Dominus conheceu muitos caras, tinha uma lista enorme de amigos no msn, mas foi com poucos que a relação virtual se materializou. Dominus cansou-se dos bits, já não suportava mais as conversas vazias que nunca saiam do virtual; das buscas constantes em chats; da sensação de vazio após passar horas naquilo, que no começo foi sua redenção e que se tornara com o passar do tempo um de seus pesadelos. Aos 20, Dominus cansou-se das salas de bate-papo, aposentou o velho e conhecido chat. Comprou um smartphone e instalou todas as aplicações de relacionamento gay. Ficou maravilhado com o leque de possibilidades que a tecnologia lhe trazia. " -Viva a tecnologia!" Bradava admirado.Não demorou muito para que Dominus notasse que na essência, o novo se tratava do velho com uma nova roupagem.  E não tardou para que os velhos sintomas, frutos da vida virtual, aparecessem novamente.










12 de junho. 90 contatos na agenda do celular. 
18 de junho. 60 contatos na agenda do celular. ***  - 30
01 de julho. 80 contatos na agenda do celular.  + 20
15 de julho. 68 contatos na agenda do celular. -12
01 de Agosto. 78 contatos na agenda do celular.  + 10
20 de Agosto. 60 contatos na agenda do celular.  - 18


Cansei desse apagar e gravar contatos na agenda do meu celular.Cansei do mundo virtual!
Leia-se: Grindr,Hornet,Scruff,Manhunt,Badoo, etc. Apps de pregação e sites de relacionamento já me renderam ótimas transas, paixonites de uma noite ou uma semana, momentos doces e sublimes, amigos, péssimas transas, situações embaraçosas, engraçadas, propostas bizarras e por aí vai. No entanto, os sentimentos que reinaram nesse tempo que os utilizei foi o de vazio atrelado à ansiedade por uma nova mensagem, frustração, quando o cara parava de teclar comigo depois de trocarmos fotos (eu já fiz isso rsrs), decepção por conversas vazias que nunca saíram do virtual. Sem falar na indignação pela enxurrada de homofobia vomitada na descrição em muitos perfis. Por força das circunstâncias, passei os últimos 4 anos escravo do virtual. Me aceitei como gay aos 19, enquanto vivia em uma cidade do meio oeste paranaense, onde o meio mais fácil e quase único de conhecer gays, seja pra uma fast-foda ou um possível "namoro” - é a internet, nas suas mais variadas formas que citei acima (alguns preferem o zoológico municipal rsrs). Eu diria que 99% das “relações” que tive se deram por intermédio do virtual, num primeiro plano - só tenho dois episódios que se começaram fora do virtual, um é o M e o outro é foi um paraguaio, este último pode ser assunto para um possível post no futuro.

Poxa! Tenho 21 anos e não sei o que é um flerte.


















Raras são as músicas capazes de provocarem sensações profundas, quase indescritíveis em mim. Que me tirem das sensações comuns e me faça sentir as extraordinárias. Que mostrem que estou vivo. Até hoje apenas dois cantores com suas músicas foram capazes de provocar sensações profundas e indescritíveis em mim:  Florence and the Machine e Asaf Avidan.  Asaf Avidan é um cantor israelense, bonitinho, embora não tenha os traços semitas que me fazem suspirar, (detalhe sórdido esse último). O conheci escutando músicas aleatoriamente no youtube, o timbre da voz dele me remete ao timbre da voz da Janis Joplin. A primeira música que escute foi: "One day”. Até aí, nada espetacular. A segunda Música foi "Your Anchor". Essa sim, considero espetacular. Foi a segunda música na minha vida capaz de me lançar num frenesi - um êxtase indescritível e profundo, capaz de arrepiar e fazer emergir um pranto de alegria involuntário. Me apaixonei! Baixei a discografia completa.



One day - Asaf Avidan





Your anchor-Asaf Avidan




Diferent Pulses - Asaf Avidan




As únicas posições que tenho praticado nos últimos meses.









                                        Fim do dia

                                                A engrenagem anuncia.
                                                   O Fim do dia.
                                                            O Quarto escuro.
                                                                   O Teto mudo.
                                                                         O pensamento insistente.
                                                   O sentimento latente.
                                                         A resiliência se esvai.
                                                                O peito contrai.
                                                                      O corpo treme.
                                                                A alma geme.
                                                      A lágrima cai.






Choro convulsivamente feito uma criança. Choro convulsivamente por estar desfazendo-me de coisas que me fariam lembrá-lo. Choro por saber que tenho que me conformar em não tê-lo junto a mim. Choro por não ter sido amado como desejei. Choro por minha história encantada não ter tido um final feliz. 

Trouxe comigo para Minas algumas coisas do Negro Gato que não foram possíveis enviar quando ele foi embora, as quais prometi enviar muitas vezes, mas por falta de $ sempre adiei o envio. Hoje postarei nos correios as últimas coisas dele que ainda estão comigo, uma bíblia e um quadro dos Beatles em carvão - a bíblia ele quis que ficasse comigo, como um presente, mas não posso aceitar, não iria ter nenhuma utilidade e seria mais um motivo para lembrá-lo todas às vezes quando eu for tirar a poeira dos meus livros. Já tenho lembranças suficientes gravadas no peito e na alma. O que farei hoje nos correios pode parecer um ato simples às vistas de outros, mas estará carregado de emoções e sentimentos latentes e por mais que eu os queira mortos, insistem em permanecerem vivos.

 Passei toda a semana planejando este envio. Não esta sendo fácil, assim como não foi quando tive que enviar suas roupas, sapatos, cadernos e livros deixados pelo N.G na casa em que morávamos no sul há pouco mais de um ano atrás, quando seu pai faleceu e ele não pode voltar para buscar. À época foi um ritual semelhante à separação dos pertences de um familiar que morreu para doação após o enterro - demorei quase um mês para separar tudo e colocar em uma caixa e levar até os correios. Um mês chorando convulsivamente todas às vezes que tive de colocar algo dele dentro da caixa. Era como se eu estivesse colocando um pedaço de mim ali dentro. Quanto mais tempo demorava, mais tempo manter-me-ia próximo a qualquer objeto que recordava-o. Foi um autoflagelo necessário e importante para que eu seguisse em frente e superasse a ausência dele no meu quotidiano. Eu não o veria mais, ou não saberia quando o veria, e junto com ele estava indo todos as minhas idealizações do meu conto de fadas pessoal. Eu estava vivendo um momento de "certa plenitude com o N.G, a cisão foi muito dolorosa. Hoje sei que não o verei. Isto é fato decretado por ele, e estou tentando também decretar. Os últimos meses antes da morte do pai do N.G estávamos nos "dando bem", parecia que todo o pesadelo e sofrimento dos meses anteriores após me apaixonar por ele haviam passado. Morávamos sós naquela casa que foi a república e onde tudo começou.