Universo Paralelo: Eu
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Sete anos se passaram desde a última vez que aqui escrevi. Há dois anos,  ensaio reler os posts antigos, mas ainda não tive coragem de lidar com perído de profundo sofrimento que passei, que correspondem ao perído que aqui escrevia.  Tive melhoras e mudanças. Voltei a morar no  Paraná e trabalho na área que eu me formei, embora esteja longe de me sentir realizado profissionalmente. Entrei para uma religião.  Estou ansioso para ser convocado em um concurso. Empresa privada não é para mim, não sei "vestir a camisa", competir,  e  rejeito todas essa baboseiras corporativas. Acho que estou "casado" há quase 3 anos,  não é o relacionamento "perfeito"; para chegarmos até aqui houve muito esforço de ambos, nos complementamos em muitos aspectos e somos oposto em outros -  diria como óleo e água.  Sobre o Brasil e o mundo atual confesso que não tenho muitas esperanças. Tenho a sensação de  estarmos regredindo. A era da pós-verdade,  junto com ascenção da extrema direita,  me esgota. Tenho a ligeira impressão que alguns ideais da revolução francesa se perderam, trabalhamos para sustentar uma elite que não sabemos quem  é, e que, a cada dia  concentra  mais riqueza. O mundo caminha para se transformar  numa bola de fogo, porque o "calor tá de matar". Estamos no  final de fevereiro e talvez as água de março nem cheguem em março. 
 





2016 foi um ano marcado por uma sucessão de fatos negativos, principalmente em relação aos desastres humanos.  Em relação a minha vida foi um dos piores, mas o terminei muito bem. 

Cheguei ao fundo do poço inúmeras vezes devido à depressão e ao pânico, ambos decorrentes da ansiedade fora do normal. Algumas vezes tive de escolher entre viver ou morrer. Suicídio foi um pensamento que me fez companhia nos momentos mais obscuros, onde os sintomas agudos da depressão se fizeram tão presentes que o primeiro pensamento que me ocorria era suicídio diante de um sofrimento que não se iguala a nenhum outro já sentido por mim.

Por uma questão de sobrevivência fui de encontro às causas da ansiedade generalizada, por meio de terapia. Colocar-me em uma posição confortável, proporcionada pelo uso de remédios nunca me chamou a atenção. A busca por solução provocou muito desconforto; me fez lidar com inúmeros conflitos internos, esmiúça-los a fundo a ponto de torná-los elementares, que em muitos momentos me fez sentir numa realidade paralela e perder a noção do tempo, noutros um ET flutuando na Terra sem referencial algum; bem como me fez questionar a realidade e meus referenciais; eu perdi completamente a noção de quem era, eu sabia quem eu fui e muitos aspectos desse alguém não correspondia às minhas necessidades do agora. Precisei me resignificar enquanto ser humano e continuo neste processo.

Os resultados disto tudo até agora são: me sinto menos ansioso¹, menos indiferente à vida em geral, menos engessado frente aos dilemas e situações que se apresentam a mim, e livre de alguns pesos do passado que meu faziam mal. Estou longe do “ideal”, se é que o mesmo exista, mas muito feliz com todas  mudanças e ganhos que tive. Devo muito às pessoas que se dispuseram a me escutar inúmeras vezes ao longo do ano e à terapia.²

Para 2017 apenas desejo continuar progredindo e retomar minha graduação.  
No mais, fica um  bom ano novo a quem por aqui passar!


¹ O foda-se e o deixe estar são muito terapêuticos. 
² O processo de se escutar é extremamente valioso com todas as inquietações que produz.





Tenho experienciado nos últimos dias contato profundo com meu ser e alguns  sentimentos que o constitui.  Diante da sociedade não são considerados nobres, mas vis e execráveis. No entanto, considero de imensa validade no meu processo de autoconhecimento  perceber e reconhecer que fazem parte de mim, mas  em razão da criação  para ser apto a viver em sociedade que me fora dada os encarcerei na carcel da culpa, libertá-los foi foi catártico e prazeroso. 
A perversidade e vingança fazem parte do meu ser. São de minha natureza e o ideal de ser "bom" não existe mais, desmoronou, não me leva ao sentimento de completude, pelo contrário, afasta-me. Eu sou perverso e vingativo, manifestar tais sentimentos por meio de ações é uma escolha, mas não mais me sentirei  culpado quando  vierem a minha mente.