Universo Paralelo: 2025
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 Atualmente, vivo numa cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Para qualquer pessoa que cresceu em uma metrópole isso pode ser um choque, para mim, não foi. Nunca gostei da cidade em que cresci. Gosto de morar aqui. É maravilhoso levar 5 minutos para estar no centro da cidade, cruzá-la em 15, 20 minutos. No meu último trabalho, eu levava 15 minutos de bicicleta para percorrer 4 km. Algo inimaginável para quem já levou 2:30 horas para para percorrer 37 km em um grande centro. É um lugar silencioso, organizado, bastante desenvolvido, com muita oferta de trabalho e pouca mão de obra especializada. E como tudo, tem seu lado bom e seu lado ruim. Culturalmente é uma cidade morta. A falta de atrativos culturais é gritante. Tem duas festas grandes no município - o aniversário da cidade e uma pretensa tentativa de oktoberfest, um tanto quanto caricata e "forçada". Fora isso, tem bailes, jantares dançantes aos montes e mais nada. Esse tipo de evento é bem comum no sul do Brasil. Em todos os lugares só se escuta sertanejo universitário que, de longe, é o gênero musical que eu mais detesto. O alento são dois bares de rock, onde consigo e encontra gente "estranha", autêntica, fora da curva e que claramente é julgada pelo estilo que tem. Não vou sempre, porque a maioria das bandas que se apresentam são de heavy metal, somado a muito cigarro, o que torna io ambiente pouco salubre. Se quero algo mais brasileiro, tenho que viajar 160 km, onde encontro uma cidade com população mista e cena cultural que remete a cultura média brasileira (samba, pagode e por ai vai). Pode soar estranho quando digo - "algo mais brasileiro", uma vez que estou no Brasil. Mas moro numa região sem identidade cultural definida, que vive presa a uma identidade alemã do passado. Fala-se um dialeto alemão quebrado bastante misturado ao português, incompreensível para qualquer alemão nativo. A culinária é completamente gaúcha, aos domingos comem churrasco, com arroz e mandioca, uma comida nada alemã. O que ainda preservam são os salames e alguns tipos de salsicha. Sempre fazem questão de dizer que são alemães, nunca brasileiros, nunca paranaenses, alemães, que nem alemão fala.

 

             


 

Sempre que retorno à cidade em que nasci -  ou até mesmo por redes sociais -me deparo com alguns caras,  que quando eu era criança/adolescente achava bonitos.  Agora,  aos 30, vejo os que aos 20 eu achava interessante e sinto a mesma surpresa. Nos dois casos, me pergunto: O que eu via alí e que hoje já não enxergo mais?  E não é que a pessoa tenha ficado necessariamente feia (alguns sim), gorda,careca, ou um raio tenha caído sobre ela. É apenas a percepção do que me atraía já não  atrai.  E por que  isso acontece? Não sei. 



Não sou um grande fã  nem a tenho como diva ou “mãe”, como uma parcela significativa dos gays ao redor do mundo. Gosto de algumas músicas, principalmente as que a fizeram estourar mundialmente, como Poker Face e Just Dance, que me trazem memórias afetivas. Lembro que, aos 16 anos, ia trabalhar todos os dias ouvindo Lady Gaga e outras divas gays no meu MP3 player, sem ainda me dar conta de que eu era gay.

No entanto, fiquei muito surpreso com a sua capacidade de lotar as areias de Copacabana com 2,1 milhões de pessoas para um show de três horas. Duração merecida, já que no passado cancelou uma apresentação no Rock in Rio, criando um meme, com seu pedido de desculpas no twitter: "Brazil, I'm devasted".  É algo estratosférico e fascinante, capaz de provocar um verdadeiro êxodo de gays de todo o Brasil para o Rio de Janeiro. O público era tão gay , que teve até sinfonia de leques em algumas músicas.

 



           

Sete anos se passaram desde a última vez que aqui escrevi. Há dois anos,  ensaio reler os posts antigos, mas ainda não tive coragem de lidar com perído de profundo sofrimento que passei, que correspondem ao perído que aqui escrevia.  Tive melhoras e mudanças. Voltei a morar no  Paraná e trabalho na área que eu me formei, embora esteja longe de me sentir realizado profissionalmente. Entrei para uma religião.  Estou ansioso para ser convocado em um concurso. Empresa privada não é para mim, não sei "vestir a camisa", competir,  e  rejeito todas essa baboseiras corporativas. Acho que estou "casado" há quase 3 anos,  não é o relacionamento "perfeito"; para chegarmos até aqui houve muito esforço de ambos, nos complementamos em muitos aspectos e somos oposto em outros -  diria como óleo e água.  Sobre o Brasil e o mundo atual confesso que não tenho muitas esperanças. Tenho a sensação de  estarmos regredindo. A era da pós-verdade,  junto com ascenção da extrema direita,  me esgota. Tenho a ligeira impressão que alguns ideais da revolução francesa se perderam, trabalhamos para sustentar uma elite que não sabemos quem  é, e que, a cada dia  concentra  mais riqueza. O mundo caminha para se transformar  numa bola de fogo, porque o "calor tá de matar". Estamos no  final de fevereiro e talvez as água de março nem cheguem em março.