Atualmente, vivo numa cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Para qualquer pessoa que cresceu em uma metrópole isso pode ser um choque, para mim, não foi. Nunca gostei da cidade em que cresci. Gosto de morar aqui. É maravilhoso levar 5 minutos para estar no centro da cidade, cruzá-la em 15, 20 minutos. No meu último trabalho, eu levava 15 minutos de bicicleta para percorrer 4 km. Algo inimaginável para quem já levou 2:30 horas para para percorrer 37 km em um grande centro. É um lugar silencioso, organizado, bastante desenvolvido, com muita oferta de trabalho e pouca mão de obra especializada. E como tudo, tem seu lado bom e seu lado ruim. Culturalmente é uma cidade morta. A falta de atrativos culturais é gritante. Tem duas festas grandes no município - o aniversário da cidade e uma pretensa tentativa de oktoberfest, um tanto quanto caricata e "forçada". Fora isso, tem bailes, jantares dançantes aos montes e mais nada. Esse tipo de evento é bem comum no sul do Brasil. Em todos os lugares só se escuta sertanejo universitário que, de longe, é o gênero musical que eu mais detesto. O alento são dois bares de rock, onde consigo e encontra gente "estranha", autêntica, fora da curva e que claramente é julgada pelo estilo que tem. Não vou sempre, porque a maioria das bandas que se apresentam são de heavy metal, somado a muito cigarro, o que torna io ambiente pouco salubre. Se quero algo mais brasileiro, tenho que viajar 160 km, onde encontro uma cidade com população mista e cena cultural que remete a cultura média brasileira (samba, pagode e por ai vai). Pode soar estranho quando digo - "algo mais brasileiro", uma vez que estou no Brasil. Mas moro numa região sem identidade cultural definida, que vive presa a uma identidade alemã do passado. Fala-se um dialeto alemão quebrado bastante misturado ao português, incompreensível para qualquer alemão nativo. A culinária é completamente gaúcha, aos domingos comem churrasco, com arroz e mandioca, uma comida nada alemã. O que ainda preservam são os salames e alguns tipos de salsicha. Sempre fazem questão de dizer que são alemães, nunca brasileiros, nunca paranaenses, alemães, que nem alemão fala.
Sempre que retorno à cidade em que nasci - ou até mesmo por redes sociais -me deparo com alguns caras, que quando eu era criança/adolescente achava bonitos. Agora, aos 30, vejo os que aos 20 eu achava interessante e sinto a mesma surpresa. Nos dois casos, me pergunto: O que eu via alí e que hoje já não enxergo mais? E não é que a pessoa tenha ficado necessariamente feia (alguns sim), gorda,careca, ou um raio tenha caído sobre ela. É apenas a percepção do que me atraía já não atrai. E por que isso acontece? Não sei.
Não sou um grande fã nem a tenho como diva ou “mãe”, como uma parcela significativa dos gays ao redor do mundo. Gosto de algumas músicas, principalmente as que a fizeram estourar mundialmente, como Poker Face e Just Dance, que me trazem memórias afetivas. Lembro que, aos 16 anos, ia trabalhar todos os dias ouvindo Lady Gaga e outras divas gays no meu MP3 player, sem ainda me dar conta de que eu era gay.
No entanto, fiquei muito surpreso com a sua capacidade de lotar as areias de Copacabana com 2,1 milhões de pessoas para um show de três horas. Duração merecida, já que no passado cancelou uma apresentação no Rock in Rio, criando um meme, com seu pedido de desculpas no twitter: "Brazil, I'm devasted". É algo estratosférico e fascinante, capaz de provocar um verdadeiro êxodo de gays de todo o Brasil para o Rio de Janeiro. O público era tão gay , que teve até sinfonia de leques em algumas músicas.
Não tenho vontade nenhuma de ler o que aqui escrevi, por refletir a fase mais “intensa” da depressão, que ainda tenho, e no momento está corretamente tratada(isso é maravilhoso). É bom sentir vontade de cozinhar. Parece bobo, mas recuperar o desejo de fazer coisas triviais é muito bom. Um tratamento correto tem-me possibilitado isso.
Por muito tempo fiz tratamento com doses sub-terapêuticas de anti-depressivos e pensei que não poderia existir nada além do estado de apatia constante e de uma “tristeza” que em nada se assemelha ao sentimento real de tristeza. Samuel Solomon, em “O demônio do meio-dia” o descreve da seguinte forma: “A depressão é um estado quase inimaginável para alguém que não a conhece”(pag.21). Emendo - indescritível para muitos que a têm ou tiveram. Eu a coloco como um sentimento que não consigo encontrar nenhuma linguagem capaz de expressá-lo em sua dimensão, me restando apenas: “"indefinido” ". Alguns usam metáforas, mas nem essas comportam a complexidade transitória, ou não, do meu """ indefinido""".
O mundo contínua um moinho, tem sido difícil suportar essa onda que se diz “conservadora”, mas que não passa de uma extrema-direita ressentida que se materializa num compêndio a mediocridade e aos piores desvios de caráter que um ser humano pode ter.
¹ O foda-se e o deixe estar são muito terapêuticos.
² O processo de se escutar é extremamente valioso com todas as inquietações que produz.
Thiago Cazado <3
Na fileira de cadeiras atrás da que eu estava iam duas gueis sentadas, que observaram também as duas cenas e disseram algo sobre a segunda:
— Bicha I: 'Cê viu essa pouca vergonha?!
— Bicha II: Vi!
— Bicha I: Depois apanham e é com razão!

Eu fico feliz em todas as vezes em que vejo cenas como essa. Seja de gurias e gurias, seja de guris e guris, pois não são tão comuns. Sinto também uma pontinha de inveja. Queria ter aos 14,15 minha sexualidade resolvida, com essa idade eu apenas me anulava tentado esconder quem sou.
Visibilidade querendo ou não provoca aceitação. Se não a faz, não há razão para reprimir quem a faça. O que venho observado também, é que gays têm grande facilidade de oprimir, genderfluids e pessoas não-binarias que o digam, já que são o novo cachorro morto que gays chutam por ai, definindo como moda e comportamento oriundo do Tumblr. Sou muito inocente ao pensar que ser parte de uma minoria é condição sine qua non para se ter empatia?
"Quando a educação é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", já dizia Paulo Freire.
Empoderar-se enquanto indivíduo de uma minoria social é preciso, pois ser parte de uma minoria é um ato político que deve ser levado a cabo. Isso não quer dizer levantar a bandeira do arco-íris em praça pública, o que muitos confundem, contestam, e não fazem ideia do que falam em contra sobre levantar bandeiras, o que é estar consciente do papel que representa enquanto membro de uma minoria social.
MC Linn faz parte "dos cachorros-mortos chutados por gays".
Mc Linn da Quebrada Mulher ( Uma lacre de música)
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| Where Dreams Are Born By Madart |
Outras vezes, lipofóbicos.
Nas mudanças de polaridade nos afastamos.
Mas ai de nós,
Se não fosse essas substâncias idílicas,
Emulsificantes de moléculas ambifílicas,
Esses aditivos que nos envolvem e estabilizam,
Nessa dispersão coloidal de sentimentos,
De uma fase só.
Heterogênea por essência,
Homogênea por aquiescência.
Maturidade?
Nunca antes a palavra maturidade me pôs a pensar sobre seu significado e como esse significado se relaciona comigo. Em uma única circunstância fui em busca da maturidade que eu julgava ter em período anterior em que me julguei maduro, entretanto, ao olhar a tal maturidade, percebo que este domínio que buscava em nada se relacionava como conceito de maturidade difundido na sociedade. Quando me pus como maduro, na verdade eu estava consciente dos processos de transformação e tomada de consciência que meu ser vivenciou à época. Na ocasião em que busquei pelo ser que eu pensava ser maduro eu estava a procura de maneiras de estancar o sofrimento que carregava e de algum modo ainda carrego. Hoje, maturidade me remete à escalar uma montanha, onde o topo fosse o máximo a ser atingido e não me envolve de nenhum modo. É um conceito relativo, categoriza seres humanos em patamares distintos. Essa classificação me deixa desconfortável. De todas as transformações que tenho vivenciado nos últimos meses, já mais me senti maduro por consegui encarar meus demônios, lutar contra eles e seguir lutando em busca de ajudá-los a encontrar a luz. A consciência que vem sendo adquirida nesse processo a nomeio por transformação. Eu me transformei e continuo a me transformar.
Psychologia de um Vencido
Eu, filho do carbono e do ammoniaco,
Monstro de escuridão e rutilancia,
Soffro, desde a epigénesis da infancia,
A influencia má dos signos do Zodiaco.
Profundissimamente hypocondriaco,
Este ambiente me causa repugnancia.
Sobe-me à boca uma ancia análoga à ancia
Que se escapa da bocca de um cardiaco.
Já o verme -- esse operario das ruinas ---
Que o sangue pôdre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar os olhos para roêl-os,
E ha de deixar-me apenas os cabellos,
Na frialdade inorganica da terra!
(Augusto dos Anjos. Eu, Rio de Janeiro, 1912.)
Via- Biblioteca Brasiliana USP
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| Icecream Kaleidoscope by Brian Moss |
Não Saber (Resignação diante do desconhecido)
**Agora que todo o chiclete de "Hello" passou tenho de escutar o album novo da Adele.





