Universo Paralelo
Drama é de longe o gênero de filmes que eu mais gosto. No meu processo de "ver a luz" descobri nos filmes temáticos um ótimo alimento para esse gosto, e de sobra era um ótima fonte de representação positiva da homossexualidade. Antes disso,  o filme mais gay que assisti foi "Priscila uma rainha no deserto". No entanto, depois de um tempo, passei a notar um repetição do mesmo script nesses filmes: Um final trágico ou a repetição de Romeu e Julieta versão gay.  Não é exagero meu, finais tristes acontecem e isso não é uma busca por finais felizes, tampouco não é uma negação da realidade de muitos LGBTs ao redor do mundo,  mas uma busca por  finais "prováveis" que fujam  desse roteiro que se transformou em um clichê que parece ser a base pela qual muitos diretores se guiaram . Eu diria, que 70% dos que assisti que se propuseram retratar a temática gay terminaram em tragédia, como um dos protagonistas da trama assassinado.
Recentemente assisti alguns filmes que não se guiaram por essa lógica e tiveram um desfecho "provável".


Weekend:  Eu diria que esse é um dos melhores filmes temáticos que assisti. 
    
Hawai:



 Atualmente, vivo numa cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Para qualquer pessoa que cresceu em uma metrópole isso pode ser um choque, para mim, não foi. Nunca gostei da cidade em que cresci. Gosto de morar aqui. É maravilhoso levar 5 minutos para estar no centro da cidade, cruzá-la em 15, 20 minutos. No meu último trabalho, eu levava 15 minutos de bicicleta para percorrer 4 km. Algo inimaginável para quem já levou 2:30 horas para para percorrer 37 km em um grande centro. É um lugar silencioso, organizado, bastante desenvolvido, com muita oferta de trabalho e pouca mão de obra especializada. E como tudo, tem seu lado bom e seu lado ruim. Culturalmente é uma cidade morta. A falta de atrativos culturais é gritante. Tem duas festas grandes no município - o aniversário da cidade e uma pretensa tentativa de oktoberfest, um tanto quanto caricata e "forçada". Fora isso, tem bailes, jantares dançantes aos montes e mais nada. Esse tipo de evento é bem comum no sul do Brasil. Em todos os lugares só se escuta sertanejo universitário que, de longe, é o gênero musical que eu mais detesto. O alento são dois bares de rock, onde consigo e encontra gente "estranha", autêntica, fora da curva e que claramente é julgada pelo estilo que tem. Não vou sempre, porque a maioria das bandas que se apresentam são de heavy metal, somado a muito cigarro, o que torna io ambiente pouco salubre. Se quero algo mais brasileiro, tenho que viajar 160 km, onde encontro uma cidade com população mista e cena cultural que remete a cultura média brasileira (samba, pagode e por ai vai). Pode soar estranho quando digo - "algo mais brasileiro", uma vez que estou no Brasil. Mas moro numa região sem identidade cultural definida, que vive presa a uma identidade alemã do passado. Fala-se um dialeto alemão quebrado bastante misturado ao português, incompreensível para qualquer alemão nativo. A culinária é completamente gaúcha, aos domingos comem churrasco, com arroz e mandioca, uma comida nada alemã. O que ainda preservam são os salames e alguns tipos de salsicha. Sempre fazem questão de dizer que são alemães, nunca brasileiros, nunca paranaenses, alemães, que nem alemão fala.

 

             


 

Sempre que retorno à cidade em que nasci -  ou até mesmo por redes sociais -me deparo com alguns caras,  que quando eu era criança/adolescente achava bonitos.  Agora,  aos 30, vejo os que aos 20 eu achava interessante e sinto a mesma surpresa. Nos dois casos, me pergunto: O que eu via alí e que hoje já não enxergo mais?  E não é que a pessoa tenha ficado necessariamente feia (alguns sim), gorda,careca, ou um raio tenha caído sobre ela. É apenas a percepção do que me atraía já não  atrai.  E por que  isso acontece? Não sei. 



Não sou um grande fã  nem a tenho como diva ou “mãe”, como uma parcela significativa dos gays ao redor do mundo. Gosto de algumas músicas, principalmente as que a fizeram estourar mundialmente, como Poker Face e Just Dance, que me trazem memórias afetivas. Lembro que, aos 16 anos, ia trabalhar todos os dias ouvindo Lady Gaga e outras divas gays no meu MP3 player, sem ainda me dar conta de que eu era gay.

No entanto, fiquei muito surpreso com a sua capacidade de lotar as areias de Copacabana com 2,1 milhões de pessoas para um show de três horas. Duração merecida, já que no passado cancelou uma apresentação no Rock in Rio, criando um meme, com seu pedido de desculpas no twitter: "Brazil, I'm devasted".  É algo estratosférico e fascinante, capaz de provocar um verdadeiro êxodo de gays de todo o Brasil para o Rio de Janeiro. O público era tão gay , que teve até sinfonia de leques em algumas músicas.

 



           

Sete anos se passaram desde a última vez que aqui escrevi. Há dois anos,  ensaio reler os posts antigos, mas ainda não tive coragem de lidar com perído de profundo sofrimento que passei, que correspondem ao perído que aqui escrevia.  Tive melhoras e mudanças. Voltei a morar no  Paraná e trabalho na área que eu me formei, embora esteja longe de me sentir realizado profissionalmente. Entrei para uma religião.  Estou ansioso para ser convocado em um concurso. Empresa privada não é para mim, não sei "vestir a camisa", competir,  e  rejeito todas essa baboseiras corporativas. Acho que estou "casado" há quase 3 anos,  não é o relacionamento "perfeito"; para chegarmos até aqui houve muito esforço de ambos, nos complementamos em muitos aspectos e somos oposto em outros -  diria como óleo e água.  Sobre o Brasil e o mundo atual confesso que não tenho muitas esperanças. Tenho a sensação de  estarmos regredindo. A era da pós-verdade,  junto com ascenção da extrema direita,  me esgota. Tenho a ligeira impressão que alguns ideais da revolução francesa se perderam, trabalhamos para sustentar uma elite que não sabemos quem  é, e que, a cada dia  concentra  mais riqueza. O mundo caminha para se transformar  numa bola de fogo, porque o "calor tá de matar". Estamos no  final de fevereiro e talvez as água de março nem cheguem em março. 
 





Faz anos que não venho aqui. Confesso que tenho vivido alheio a tempo cronológico, vez ou outra me assusto quando percebo que já se passou quase quatro anos, a contar desde 2015. Foi ontem!

Não tenho vontade nenhuma de ler o que aqui escrevi, por refletir a fase mais “intensa” da depressão, que ainda tenho, e no momento está corretamente tratada(isso é maravilhoso). É bom sentir vontade de cozinhar. Parece bobo, mas recuperar o desejo de fazer coisas triviais é muito bom. Um tratamento correto tem-me possibilitado isso.

Por muito tempo fiz tratamento com doses sub-terapêuticas de anti-depressivos e pensei que não poderia existir nada além do estado de apatia constante e de uma “tristeza” que em nada se assemelha ao sentimento real de tristeza. Samuel Solomon, em “O demônio do meio-dia” o descreve da seguinte forma: “A depressão é um estado quase inimaginável para alguém que não a conhece”(pag.21). Emendo - indescritível para muitos que a têm ou tiveram. Eu a coloco como um sentimento que não consigo encontrar nenhuma linguagem capaz de expressá-lo em sua dimensão, me restando apenas: “"indefinido” ". Alguns usam metáforas, mas nem essas comportam a complexidade transitória, ou não, do meu """ indefinido""".

O mundo contínua um moinho, tem sido difícil suportar essa onda que se diz “conservadora”, mas que não passa de uma extrema-direita ressentida que se materializa num compêndio a mediocridade e aos piores desvios de caráter que um ser humano pode ter.
Há alguns meses, quando escutava um podcast sobre depressão ouvi a seguinte definição: “Depressão é perda de si mesmo”. Eu me senti confortado de algum modo, por ter me revelado o óbvio sobre os últimos quatro anos  - Eu tenho estado perdido.

O eu  sempre foi um objeto de questionamento e busca para mim, não em um sentido egocêntrico, mas unicamente de saber quem se é além do nome no RG e os gostos primários. Trilhar esse caminho em busca do autoconhecimento é uma consequência para qualquer pessoa questionadora, que acaba por sofrer mais do aquelas que não o são. Por um tempo, este espaço foi reflexo de algum modo dessa busca, mas me perdi de mim durante esse intento. Aquilo que era uma depressão leve, logo ficou profunda e junto vieram todos os meus medos, que invadiram a minha mente, golpearam-me a ponto de destruir qualquer estrutura sobre qualquer coisa.

Durante os últimos 3 anos eu tentei de todos os modos possíveis alcançar o “Eu” antes da depressão. O Antes significa a ausência de todos os sintomas da doença, principalmente a tristeza que não é a tristeza, mas uma dor profunda que brota das entranhas do ser sem razão aparente. Foi como tentar sair da Ilha de Lost e sempre voltar ao mesmo lugar, porque não há passado, não há futuro, só o agora.

Um mês atrás depois de ler o seguinte trecho: ¹ “As pessoas que vivem bem apesar da depressão fazem três coisas. Primeiro, procuram compreender o que está acontecendo. Depois, aceitam que é uma situação permanente. E, em seguida, têm que superar sua experiência de algum modo, aprender com ela a se colocar no mundo das pessoas reais” [...]. Depois disso, finalmente resolvi aceitar a situação, desisti de buscar esse estado sem a doença. Resolvi aceitá-la, porque foram em vão todas as tentativas de se chegar ao antes, porque essa pessoa não existe mais.

O que sou agora é uma pessoa com depressão, e por ter a química do (cérebro) alterada vive e reage às circunstâncias do dia-a-dia de modo particular. Conviver com esta nova realidade tem sido estranho depois desse choque de realidade, porque eu não sei como lidar com este “Eu”. Eu me sinto como uma sala vazia ou uma criança que tivesse que aprender coisas básicas. É uma realidade árida, impessoal e mecânica demais, mas é o que há.

¹. O demônio do meio-dia



                     

2016 foi um ano marcado por uma sucessão de fatos negativos, principalmente em relação aos desastres humanos.  Em relação a minha vida foi um dos piores, mas o terminei muito bem. 

Cheguei ao fundo do poço inúmeras vezes devido à depressão e ao pânico, ambos decorrentes da ansiedade fora do normal. Algumas vezes tive de escolher entre viver ou morrer. Suicídio foi um pensamento que me fez companhia nos momentos mais obscuros, onde os sintomas agudos da depressão se fizeram tão presentes que o primeiro pensamento que me ocorria era suicídio diante de um sofrimento que não se iguala a nenhum outro já sentido por mim.

Por uma questão de sobrevivência fui de encontro às causas da ansiedade generalizada, por meio de terapia. Colocar-me em uma posição confortável, proporcionada pelo uso de remédios nunca me chamou a atenção. A busca por solução provocou muito desconforto; me fez lidar com inúmeros conflitos internos, esmiúça-los a fundo a ponto de torná-los elementares, que em muitos momentos me fez sentir numa realidade paralela e perder a noção do tempo, noutros um ET flutuando na Terra sem referencial algum; bem como me fez questionar a realidade e meus referenciais; eu perdi completamente a noção de quem era, eu sabia quem eu fui e muitos aspectos desse alguém não correspondia às minhas necessidades do agora. Precisei me resignificar enquanto ser humano e continuo neste processo.

Os resultados disto tudo até agora são: me sinto menos ansioso¹, menos indiferente à vida em geral, menos engessado frente aos dilemas e situações que se apresentam a mim, e livre de alguns pesos do passado que meu faziam mal. Estou longe do “ideal”, se é que o mesmo exista, mas muito feliz com todas  mudanças e ganhos que tive. Devo muito às pessoas que se dispuseram a me escutar inúmeras vezes ao longo do ano e à terapia.²

Para 2017 apenas desejo continuar progredindo e retomar minha graduação.  
No mais, fica um  bom ano novo a quem por aqui passar!


¹ O foda-se e o deixe estar são muito terapêuticos. 
² O processo de se escutar é extremamente valioso com todas as inquietações que produz.


Surreal, mas levemente excitante.
Thiago Cazado <3


Dias atrás, presos no trânsito observo pela janela do ônibus passar pela calçada um casal de um menino e uma menina abraçados. Dois minutos mais tarde passa outro, dessa vez, eram dois meninos de mãos dadas.
Na  fileira de cadeiras atrás da que eu estava  iam duas gueis sentadas,  que observaram também as duas cenas  e disseram   algo sobre a  segunda:

  — Bicha I: 'Cê viu essa  pouca vergonha?!
 Bicha II: Vi!
— Bicha I: Depois apanham e é com razão!




Impressiona-me a quantidade de gays que perpetuam a homofobia imposta pela sociedade inconscientemente. Se fosse apenas um caso isolado pouca ou nada me espantava, mas esse discurso está presente na cabeça de muitos gays.
Eu fico feliz em todas as vezes em que vejo cenas como essa. Seja de gurias e gurias, seja de guris e guris, pois não são tão comuns. Sinto também uma pontinha de inveja. Queria ter aos 14,15 minha sexualidade resolvida, com essa idade eu apenas me anulava tentado esconder quem  sou.

Visibilidade querendo ou não provoca aceitação. Se não a faz, não há razão para reprimir quem a faça. O que venho observado também,  é que gays têm grande facilidade de oprimir, genderfluids e pessoas não-binarias que o digam, já que são o novo cachorro morto que gays chutam por ai, definindo como moda e comportamento oriundo do Tumblr.  Sou muito inocente ao pensar que ser parte de uma minoria é  condição sine qua non para se ter empatia?
"Quando a educação é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", já dizia Paulo Freire.
Empoderar-se enquanto indivíduo de uma minoria social é preciso, pois ser parte de uma minoria  é um ato político que deve ser levado a cabo. Isso não quer dizer levantar a bandeira do arco-íris em praça pública,  o que muitos confundem, contestam,  e não fazem ideia do que falam em contra sobre levantar bandeiras, o que é  estar consciente do papel que representa enquanto membro de uma minoria social.


MC Linn  faz parte "dos cachorros-mortos chutados por gays".

        Mc Linn da Quebrada Mulher ( Uma lacre de música)
        
Diante das "polarizações¹" que o Brasil tem vivenciado e as diversas manifestações resultantes destas, fica a reflexão: somos Geni e a cidade, a cidade é Geni, Geni é a cidade. 

             



¹ Em ausência de melhor expressão , uso polarizações  para classificar a selvageria dos últimos meses, em tons de guerra fria, que ironicamente ainda está presa nas nuanças desta que eu pensava já estarem superadas, mas no Brasil, para muitos não.





Where Dreams Are Born By Madart

Legalmente viado, 24 anos, no final ou quase ao final da adolescência segundo alguns especialistas. Dúvidas? Sempre as terei, mas agora não surto perante elas como antes. Nos últimos seis meses tenho andado sereno, sem ligar para muitas coisas da minha vida que antes me tiravam o sono. Foi necessário para começar a controlar a ansiedade desmedida. Tem sido efetivo este caminhar em busca do controle e os resultados já vistos é meu grande presente de aniversário, no entanto, às vezes me assusta, porque não tenho real certeza se estou levando a vida com mais leveza e sem muitas cobranças ou se estou alheio, contudo, se me retira do quadro patológico da ansiedade e pânico não posso acha-los ruim. Estranhamente, nos acostumamos ao sofrimento, quando deixamos de sofre ou esse diminui, sentimos sua falta.  Não farei a louca e esmiuçarei os porquês de estar mais leve. Estou leve e pronto.  Pensar demais cansa, em alguns casos, desnecessário. Se fico/estou bem é o que importa. 
No fim do ano me torno técnico em química, nada demais, mas dar esse passo, digamos para trás, já que sai do ensino superior para o técnico foi importante para que uma série de dúvidas se dissipassem, agora tenho mais clareza sobre minhas escolhas profissionais. Este é o segundo presente, o título de técnico, apenas o laço. 
Fui de encontro aos meus demônios,como havia me proposto um ano atrás. Exorcizá-los é uma tarefa hercúlea. Entrar neste terreno é doloroso, muitas vezes saio de órbita e não há Pater Noster e água benta que os faça se manifestarem. Fraquejo, nesta batalha em busca de remição. Aos poucos continuo minha autodescoberta e adquiro ferramentas para minha construção e desconstrução. Construir-me é um constante processo de desconstrução, paradoxal, assim, como viver é morrer continuamente.

      

                     The Logical Sog -Supertramp                                         


“Chemistry” by Renae Schoeffel
                               
                                        Emulsificantes
                         
                                                   Às vezes hidrofóbicos,
                                                   Outras vezes, lipofóbicos.
                                                   Nas mudanças de polaridade nos afastamos.
                                                   Mas ai de nós,
                                                   Se não fosse essas substâncias idílicas,
                                                   Emulsificantes de moléculas ambifílicas,
                                                   Esses aditivos que nos envolvem e estabilizam,
                                                   Nessa dispersão coloidal de sentimentos,
                                                   De uma fase só.
                                                   Heterogênea por essência,
                                                   Homogênea por aquiescência.

Maturidade?


Nunca antes a palavra maturidade me pôs a pensar sobre seu significado e como esse significado se relaciona comigo. Em uma única circunstância fui em busca da maturidade que eu julgava ter em período anterior em que me julguei maduro, entretanto, ao olhar a tal maturidade, percebo que este domínio que buscava em nada se relacionava como conceito de maturidade difundido na sociedade. Quando me pus como maduro, na verdade eu estava consciente dos processos de transformação e tomada de consciência que meu ser vivenciou à época. Na ocasião em que busquei pelo ser que eu pensava ser maduro eu estava a procura de maneiras de estancar o sofrimento que carregava e de algum modo ainda carrego. Hoje, maturidade me remete à escalar uma montanha, onde o topo fosse o máximo a ser atingido e não me envolve de nenhum modo. É um conceito relativo, categoriza seres humanos em patamares distintos. Essa classificação me deixa desconfortável. De todas as transformações que tenho vivenciado nos últimos meses, já mais me senti maduro por consegui encarar meus demônios, lutar contra eles e seguir lutando em busca de ajudá-los a encontrar a luz. A consciência que vem sendo adquirida nesse processo a nomeio por transformação. Eu me transformei e continuo a me transformar.



          
Sonhei com dois gatos miando ao pé da cama para que eu acordasse e lhes abrisse a porta do quarto e os deixassem sair. Nada estranho, sempre tive gatos e sempre se comportaram assim. O estranho é que ao abrir a porta cada um me levou a porta das baladas gays que eu frequentava quando morava em Foz. Ao perceber a bizarrice do sonho, acordei. Senhorita mente, tenho plena certeza dos meus desejos e hábitos. Não permita que o cérebro me acorde usando subterfúgios dessa natureza.

Psychologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do ammoniaco,
Monstro de escuridão e rutilancia,

Soffro, desde a epigénesis da infancia,
A influencia má dos signos do Zodiaco.

Profundissimamente hypocondriaco,
Este ambiente me causa repugnancia.
Sobe-me à boca uma ancia  análoga à ancia
Que se escapa da bocca de um cardiaco. 

Já o verme -- esse operario das ruinas ---
Que o sangue pôdre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,


Anda a espreitar os olhos para roêl-os,
E ha de deixar-me apenas os cabellos,
Na frialdade inorganica da terra! 


(Augusto dos Anjos. Eu,  Rio de Janeiro,  1912.) 
Via-  Biblioteca Brasiliana USP


   
Icecream Kaleidoscope by Brian Moss 

Não Saber (Resignação diante do desconhecido)


Não sei. Sim, não sei. Não sei. Nada além de não sei. O não saber me perturba; perturba ao ponto de me conformar com o não saber, aceitá-lo, absorvê-lo em toda sua abstração; seguir em frente sem saber, deixá-lo aqui, observá-lo, mas incapaz de nomeá-lo ou descrevê-lo, além do não saber. Conformar-me, é o que há. Se não termino e não ponho fim à necessidade latente de saber, vou me enveredar num ciclo de voltas que terminam num mesmo ponto: O não saber. Agora o admiro, convivo, mas não deixo de olhá-lo como uma fera, um oponente que a todo momento pode me atacar. Tenho de estar pronto, em alerta, beber e comer ao lado do inimigo, a espera da melhor oportunidade de aniquilá-lo ou ser aniquilado. O não saber, sou Eu. Por que o não saber, é permanência de estado, sem prazo, sem futuro, sem passado - não termina.



         





¡Por fin de vacaciones! Hace mucho que no publico nada aquí, no que no me falte lo que escribir, sino que he necesitado hacer una desintoxicación de los ordenadores, además que en los últimos meses tuve una gran cantidad de trabajos académicos. A ver se vuelvo a escribir y pongo a marchar algunos escritos que he empezado. 

Comparto algunas descubiertas musicales que me han encantado en los últimos meses. Aunque no entienda criollo de Guine-Bisáu las palabras en portugués y la voz de Karyna Gomes me hicieran sentir la magia de "Amor livre". Hay muchos que dicen que en Brasil no se hace música de calidad como antes, lo que no es verdad. Sí, se hace muy buena música, lo que pasa es que no es vendido por los grandes medios de comunicación, hay que buscar medios alternativos de distribución musical. Jussara Marçal como otros cantantes de la escena musical alternativa o independiente brasileña demuestran lo contrario del censo común encancerado en las cabezas de muchos de la generaciones de los ochenta y de los setenta.


       


       





  



Lindos!Nada mais posso dizer.


**Agora que todo o chiclete de "Hello" passou tenho de escutar o album novo da Adele.

Não vejo a mínima graça em nudes. Eu participo de vários grupos no Facebook(a.k.a Vale dos homossexuais)  que tem em sua programações  as famosas nudes tour. Acompanhei uma outro dia uma , tinha algumas fotos que tinha um viés artístico que gostei. No entanto, nem essas, tampouco as outras mais explicitas produzem em mim nenhuma excitação. Essa é uma das razões pelas quais abandonei os aplicativos, essa necessidade de trocar fotos desse tipo parece que se tornou um protocolo para que qualquer coisa avance. Onde fica o mistério? O tesão que alguém pode despertar sem que eu veja suas partes intimas em um foto antes? 

Obs: Não tenho a mínima intenção de julgar  comportamentos  de ninguém  quê pratica  o que questiono. É apenas uma opinião pessoal, opinião esta completamente distante que qualquer viés moralizante. Em nenhum momento tenho a intenção de ditar comportamentos alheios.